quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

47...Aternurem-se mais uns tantos!

47 anos de aternuração mútua, como diz o meu companheiro de “confronto de descobrimento”, o Existente meu marido Instante.


Não faço balanços, não gosto de fazer balanços, gosto de vos olhar com a profundidade imensa e oceânica de quem vos deve estar aqui. São meus Pais em defesa legítima, o que fizeram, fizeram bem porque o pensaram para meu bem, mesmo que aqui ou ali eu achasse que não.


Os vossos cabelos brancos, finos fios tecidos de neve escorrida de montanhas de alguns anos, os vossas rugas, sulcos-caminhos lavrados pelo tempo, as vossas mãos...conchas de afago e de limites que também foram precisos. 47 é muito tempo, quarenta e sete anos até nem é muito tempo de aternuração.


Continuem os dois a aternurarem-se por muitos e bons anos. Que o meu pequeno vídeo e as duas maravilhosas poesias contribuam para o vosso cúmplice e maravilhado silêncio-movimento de uma vida a dois. O vídeo do Youtube é uma grande brincadeira para "Aline"... Pai, vê se a apanhas!

Ah! Podem dançar que eu deixo!


Ainda te Necessito

"Ainda não estou preparado para perder-te
Não estou preparado para que me deixes só.

Ainda não estou preparado pra crescer
e aceitar que é natural,
para reconhecer que tudo
tem um princípio e tem um final.

Ainda não estou preparado para não te ter
e apenas te recordar
Ainda não estou preparado para não poder te olhar
ou não poder te falar.

Não estou preparado para que não me abraces
e para não poder te abraçar.

Ainda te necessito.

E ainda não estou preparado para caminhar
por este mundo perguntando-me: Por quê?

Não estou preparado hoje nem nunca o estarei.

Ainda te Necessito."

Pablo Neruda



INSCRIÇÃO PARA UMA LAREIRA

A vida é um incêndio: nela
dançamos, salamandras mágicas
Que importa restarem cinzas
se a chama foi bela e alta?
Em meio aos toros que desabam,
cantemos a canção das chamas!

Cantemos a canção da vida,
na própria luz consumida...

Mário Quintana







sábado, 23 de janeiro de 2010

BARQUINHOS DE PAPEL

DOS MEUS QUERIDOS "PESCADORZINHOS" DE VILA CHÃ!

Barcos, gaivotas, areias, mar sem fim e beleza a entrar nos olhos para se fixar na minh'a alma! Crescendo como onda a minha alma de Educadora.



quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Só Nas Minhas Mãos...

(foto da minha autoria)

SEM TI

E de súbito desaba o silêncio.
É um silêncio sem ti,
sem álamos,
sem luas.

Só nas minhas mãos

oiço a música das tuas.

Eugénio de Andrade, Coração do Dia

Em honra dos meus meninos, dos marítimos e resistentes pescadores de Vila Chã, do Eugénio de Andrade.
Uma náusea profunda pelo "poder" político que vai deixar morrer a Fundação Eugénio de Andrade, como se pode ler hoje no Jornal Público. Chamem o "La Feira", pode ser que ele salve a fundação, com uma inenarrável versão das "Mãos e os Frutos".


sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

DIAS CLAROS

Finalmente, hoje as nuvens deixaram o sol dar o ar da sua graça depois de tantos dias de chuva!

E se choveu! Por aqui a Travessa do Sol, (nome da rua da nossa escola), quase passou a rio do sol. Gostamos da chuva, desde que não chova muito tempo e possamos vir para o jardim/recreio, o local da escola mais apreciado por todos, agora não me apetece explicar o porquê de tal preferência, talvez outro dia.

-Estávamos já a ficar aborrecidos de tanta chuva!

-Teresa! Já não chove. Gritou o Henrique!

Num segundo todos correram para a janela.

-Mas está tudo molhado! Disse a Inês.

-Não podemos ir lá para fora. Pois não professora?

Olhei para os cabides, as capas e as galochas, estavam mesmo a pedir usem-nos!

- Claro que podemos, respondi.

Entre vivas, gritos e o olhar incrédulo da” nossa Rosa”, depressa nos equipamos e estávamos cá fora…

Fazia tempo que não chapinava assim, eles os pequerruchos, não cabiam em si de contentes parece que ainda não tinha aparecido por aquelas bandas uma professora maluquinha, que mandasse os meninos chapinar!

Mas o que realmente importa, foi termos conseguido transformar um dia “preto claro”, (para as crianças da minha escola, o cinzento é preto claro!), num dia raro.



terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Mãos de Poesia...Poesia das Mãos ?



Mãos de afago, mãos de dádiva, mãos de Oceano, mãos marítimas, mãos de maresia, mãos de pescaria, mãos de ternura, mãos poéticas, mãos de Cecília Meireles...ou como não é muito difícil a arte poética no Jardim-de -Infância
. Basta somar a Poesia d'ELES, os meus meninos, à "Poesia poética" de belos poemas que são os Poetas e, mais com mais só pode dar mais!
Apreciem este extraordinário pequeno filme.



terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Maré de Beijinhos

Eu, os meninos e "a nossa" Rosa (Desenho de Hugo e Alexandre, 5 anos)


Ano Novo e no entanto, na carruagem do metro as mesmas caras, o mesmo trajecto. Entre o livro que leio, a música que vou ouvindo, o pára arranca, e o entra e sai de gente.

No exterior as gaivotas seguem por vezes a carruagem, planando sobre ela. Como as invejo…ou não, pois se tantas vezes voo com elas.

O mar, lá está ele, hoje cinza esverdeado, manso, como que a saudar o meu regresso.

Passo o portão da escola, e uma onda de sorrisos e abraços ternurentos faz-me sentir como peixe na água, são elas, as minhas pequenas gaivotas! Entro na sala coberta por uma maré de beijinhos!

É tão bom saber que há coisas, que nunca mudam!


Eu no dia 4 de Janeiro de 2010 (Desenho de Alexandre, 5 anos)

domingo, 3 de janeiro de 2010

Bolachas no Chá


Uma vez por semana, a minha Avó Mila, recebia as amigas para o chá… na mesa da sala verde, (a sala dava para o jardim, era por isso que se chamava verde), a toalha de linho bordada, com guardanapos do mesmo, ia ganhando cores…

Ninguém punha a mesa como a minha Avó. Escolhia do louceiro o serviço de chá, quando eu estava lá em casa, punha o simplesmente branco com flores silvestres pintadas, sabia ser o meu preferido …Este era disposto na mesa de forma ordeira e estudada, simetricamente eram colocadas as colheres os guardanapos, e o açucareiro com açúcar aos cubos, depois os pratos com pãezinhos, bolachas de manteiga e passas ,bolo, a manteiga, as compotas ,queijo, fiambre…e tudo que levam as mesas do chá .


Mas ainda faltava o toque da Avó, quando já tudo estava colocado, salpicava a mesa com flores ,pétalas de rosa, dália, malmequeres(os que eu mais gosto), ou amores-perfeitos, como ficava linda a mesa …e cheirosa! Depois escolhia os livros que leriam nessa tarde, umas vezes poesia outras prosa . Ás vezes só tagarelavam, quando estava bom tempo iam até ao jardim ver as flores, flores que segundo a prima Júlia, a prima mais velha da Avó, eram únicas ,tão bonitas, que não havia jardim assim nas redondezas… e eu pensava que não devia haver mesmo um jardim tão bonito como o da Avó, pois se até a amiga Tininha que era pintora, já o tinha guardado numa tela cheia de cores!


Mas o que eu gostava mesmo era da hora do chá. Do chá e das bolachas…A Avó ensinou-me a molhar as bolachas no chá, e ria-se quando eu enchia a chávena de bolachas molhadas…Agora querida, dizia, vais tomar bolachas no chá! Lembram-se, do serviço de chá simplesmente branco com flores silvestres pintadas? Pois um dia quando já nem me lembrava dele, minha mãe, trouxe-o numa caixa ,pois tinha sido desejo da Avó que eu ficasse com ele! Minha Avó lembrou-se de como eu gostava de chá, e eu lembrei-me de como gostava da minha Avó Mila!