Mostrar mensagens com a etiqueta Estórias. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Estórias. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

DIAS CLAROS

Finalmente, hoje as nuvens deixaram o sol dar o ar da sua graça depois de tantos dias de chuva!

E se choveu! Por aqui a Travessa do Sol, (nome da rua da nossa escola), quase passou a rio do sol. Gostamos da chuva, desde que não chova muito tempo e possamos vir para o jardim/recreio, o local da escola mais apreciado por todos, agora não me apetece explicar o porquê de tal preferência, talvez outro dia.

-Estávamos já a ficar aborrecidos de tanta chuva!

-Teresa! Já não chove. Gritou o Henrique!

Num segundo todos correram para a janela.

-Mas está tudo molhado! Disse a Inês.

-Não podemos ir lá para fora. Pois não professora?

Olhei para os cabides, as capas e as galochas, estavam mesmo a pedir usem-nos!

- Claro que podemos, respondi.

Entre vivas, gritos e o olhar incrédulo da” nossa Rosa”, depressa nos equipamos e estávamos cá fora…

Fazia tempo que não chapinava assim, eles os pequerruchos, não cabiam em si de contentes parece que ainda não tinha aparecido por aquelas bandas uma professora maluquinha, que mandasse os meninos chapinar!

Mas o que realmente importa, foi termos conseguido transformar um dia “preto claro”, (para as crianças da minha escola, o cinzento é preto claro!), num dia raro.



domingo, 27 de dezembro de 2009

Menino Gaivota


Uma Gaivota chamada ZéZé

Conheci o Zézé quando estive em Terroso Póvoa de Varzim. Chegou ao jardim pela mão da mãe, pela mão é como quem diz, o Zézé sofrera um traumatismo pós-parto que o impossibilitava de andar, articular a linguagem…aparentemente a cadeira de rodas e todas as lesões provocadas pela paralisia cerebral diagnosticada, faziam dele um menino diferente.


Zézé ria, ria…tinha o sorriso mais belo que algum dia vi, e os olhos, os olhos mais luminosos e expressivos que todas as palavras! Adorava dançar, o seu corpo parecia beber a música e os seus olhos transbordavam felizes…gostava de correr atrás dos amigos e a cadeira de rodas nunca se revelou um obstáculo, gostávamos do Zézé pela alegria que nos transmitia, pelo sorriso e pela magia dos seus olhos.


Uma manhã, fomos á cividade de Terroso, um lugar lindo que todos deviam conhecer. Por ser terreno íngreme o Zézé foi levado ao colo; chegados ao cimo, ficamos a olhar a paisagem magnífica e algo de inesperado aconteceu, Zézé saiu dos meus braços e voou!


Talvez o Zézé nunca consiga andar…nem experimentar o som das palavras ,mas quem precisa disso quando se tem um coração de pássaro…
Teresa Queirós


“Mansa gaivota a voar,
Asa mansa, mansa onda
Fugida mansa do mar…”

Anjos de Pijama, Matilde Rosa Araújo