domingo, 31 de janeiro de 2010

O mar de Sara… O nosso mar!

Mar de Vila-Chã no dia 27de Janeiro de 2010


Professora, este mar é o meu! Dizia-me a Sara quando num dos nossos passeios, fomos até à rua onde mora. Claro que tem toda a razão a nossa Sarita, não está o mar mesmo defronte da sua janela, então aquele mar é definitivamente mais dela que nosso.

Como fico feliz, por saber que sente o mar como seu…

E sobre o nosso mar, eis o que escrevemos depois de um passeio até à praia, num dia desta semana.


O Nosso Mar

Gostamos do nosso mar, porque ele tem muitas cores.

É azul como o céu, quando o sol está todo a brilhar e é quentinho.

É verde, quando os jardineiros do mar cortam a relva e as algas aparecem na praia.

É cinzento, quando o céu está triste e resolve pôr-se a chorar, faz caretas e vem a chuva.

Às vezes está quietinho, para ouvir as gaivotas e os meninos que vão até á praia.

Outras vezes, está zangado, tanto, tanto, que até come a nossa praia!

Gostamos sempre dele, mas gostamos mais, quando vamos visitá-lo e nos oferece, beijinhos, búzios, ouriços, conchas…

Cheira tão bem o nosso mar!!!

E quando voltamos para a escola, trazemos o mar na nossa boca.



(Fotos da minha autoria)


quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

47...Aternurem-se mais uns tantos!

47 anos de aternuração mútua, como diz o meu companheiro de “confronto de descobrimento”, o Existente meu marido Instante.


Não faço balanços, não gosto de fazer balanços, gosto de vos olhar com a profundidade imensa e oceânica de quem vos deve estar aqui. São meus Pais em defesa legítima, o que fizeram, fizeram bem porque o pensaram para meu bem, mesmo que aqui ou ali eu achasse que não.


Os vossos cabelos brancos, finos fios tecidos de neve escorrida de montanhas de alguns anos, os vossas rugas, sulcos-caminhos lavrados pelo tempo, as vossas mãos...conchas de afago e de limites que também foram precisos. 47 é muito tempo, quarenta e sete anos até nem é muito tempo de aternuração.


Continuem os dois a aternurarem-se por muitos e bons anos. Que o meu pequeno vídeo e as duas maravilhosas poesias contribuam para o vosso cúmplice e maravilhado silêncio-movimento de uma vida a dois. O vídeo do Youtube é uma grande brincadeira para "Aline"... Pai, vê se a apanhas!

Ah! Podem dançar que eu deixo!


Ainda te Necessito

"Ainda não estou preparado para perder-te
Não estou preparado para que me deixes só.

Ainda não estou preparado pra crescer
e aceitar que é natural,
para reconhecer que tudo
tem um princípio e tem um final.

Ainda não estou preparado para não te ter
e apenas te recordar
Ainda não estou preparado para não poder te olhar
ou não poder te falar.

Não estou preparado para que não me abraces
e para não poder te abraçar.

Ainda te necessito.

E ainda não estou preparado para caminhar
por este mundo perguntando-me: Por quê?

Não estou preparado hoje nem nunca o estarei.

Ainda te Necessito."

Pablo Neruda



INSCRIÇÃO PARA UMA LAREIRA

A vida é um incêndio: nela
dançamos, salamandras mágicas
Que importa restarem cinzas
se a chama foi bela e alta?
Em meio aos toros que desabam,
cantemos a canção das chamas!

Cantemos a canção da vida,
na própria luz consumida...

Mário Quintana



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sábado, 23 de janeiro de 2010

BARQUINHOS DE PAPEL

DOS MEUS QUERIDOS "PESCADORZINHOS" DE VILA CHÃ!

Barcos, gaivotas, areias, mar sem fim e beleza a entrar nos olhos para se fixar na minh'a alma! Crescendo como onda a minha alma de Educadora.



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quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Só Nas Minhas Mãos...

(foto da minha autoria)

SEM TI

E de súbito desaba o silêncio.
É um silêncio sem ti,
sem álamos,
sem luas.

Só nas minhas mãos

oiço a música das tuas.

Eugénio de Andrade, Coração do Dia

Em honra dos meus meninos, dos marítimos e resistentes pescadores de Vila Chã, do Eugénio de Andrade.
Uma náusea profunda pelo "poder" político que vai deixar morrer a Fundação Eugénio de Andrade, como se pode ler hoje no Jornal Público. Chamem o "La Feira", pode ser que ele salve a fundação, com uma inenarrável versão das "Mãos e os Frutos".


sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

DIAS CLAROS

Finalmente, hoje as nuvens deixaram o sol dar o ar da sua graça depois de tantos dias de chuva!

E se choveu! Por aqui a Travessa do Sol, (nome da rua da nossa escola), quase passou a rio do sol. Gostamos da chuva, desde que não chova muito tempo e possamos vir para o jardim/recreio, o local da escola mais apreciado por todos, agora não me apetece explicar o porquê de tal preferência, talvez outro dia.

-Estávamos já a ficar aborrecidos de tanta chuva!

-Teresa! Já não chove. Gritou o Henrique!

Num segundo todos correram para a janela.

-Mas está tudo molhado! Disse a Inês.

-Não podemos ir lá para fora. Pois não professora?

Olhei para os cabides, as capas e as galochas, estavam mesmo a pedir usem-nos!

- Claro que podemos, respondi.

Entre vivas, gritos e o olhar incrédulo da” nossa Rosa”, depressa nos equipamos e estávamos cá fora…

Fazia tempo que não chapinava assim, eles os pequerruchos, não cabiam em si de contentes parece que ainda não tinha aparecido por aquelas bandas uma professora maluquinha, que mandasse os meninos chapinar!

Mas o que realmente importa, foi termos conseguido transformar um dia “preto claro”, (para as crianças da minha escola, o cinzento é preto claro!), num dia raro.