domingo, 27 de novembro de 2011

"MAR DE MIM"



Noutros tempos não teria autorização para descer sozinha até à praia. Teria de esperar …

Esperar que algum dos mais velhos da casa estivesse pelos ajustes para poder acompanhá-la!

Acompanhá-la, quer dizer, ela sim teria de acompanhar quem a acompanhasse! Bom, a não ser que a sua companhia fossem Ana ou o Avô! Os únicos que apreciavam a praia e o mar tanto como ela. De Ana até parece ouvir…” Credo menina! Tanto mar, tanta praia. Mas será que nunca se cansa?! E com este frio, que graça há-de ter o mar?!”

Mas quando já estavam junto ao mar Ana parecia divertir-se tanto como ela. Faziam campeonatos de lançamento de pedrinhas para o mar, apanhavam conchas na beirada, desenhavam na areia sonhos e castelos… Corriam atrás do vento e riam, riam muito com as cócegas que os flocos das ondas lhes faziam no nariz.

Com o Avô ouvia histórias maravilhosas de sereias que à luz do luar embalavam a praia com os seus cantos, ela sempre soubera que vêm cantigas do mar!

- Mãe?! Vens comigo até à praia?

Era a sua filha mais nova quem lhe interrompia este pedacinho de meninice… 

- Claro querida. Desço já!

Afinal que de outro sitio se pode sonhar melhor o céu!


sexta-feira, 25 de novembro de 2011

JARDIM

                                                Jardim do Passeio Alegre - Porto



Não importa que ames
ou que te amem, pois o que eu adoro
em ti não o sabes, alma,
nem os outros o sabem.


Jamais te viste, nunca
te verão, qual meus olhos
te viram e vêem – como a minha vida
encarnada no pálido tesouro
do teu corpo invisível,
pois é a carne da minha alma –


Só ficarei quando partires,
ou te levem os outros,
da verdade pura e inalterável
que à tua vida somente eu posso dar.



Juan Ramón Jimenez

terça-feira, 22 de novembro de 2011

O PEIXE-PÁSSARO

                                                                            AnaAnjos

Olhou pela janela…

Tinha saudades do mar!

O céu azul fazia aumentar-lhe as saudades…

Ao pé do mar o céu é sempre maior e mais azul. Pensou. 

Mas por mais que tentasse não conseguia chegar à sua praia, o mar estava longe, tão longe que nem no búzio que tinha pousado na sua secretária conseguia ouvi-lo!

Se ao menos conseguisse ouvir o Chapim azul que costumava aparecer no jardim da escola da praia. Às vezes era surpreendida pelo seu canto… gostava até de pensar que era um poeta que a visitava e do alto do arbusto mais despido do jardim lhe ensinava palavras que nem sonhava existirem.

Só na primavera percebeu porque se tornava no mais belo o arbusto mais despido do jardim. Certamente seria por causa das palavras do poeta, quer dizer do pássaro!

Estava quase a sair da janela, mas não, não era possível, o que viam os seus olhos?!

Um enorme Peixe-Pássaro voava mesmo à sua frente! Agora sim, ouvia finalmente o MAR.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

CORES SENTIDAS


As cores são cheiros, sabores, texturas, sons e tudo mais que eu consiga inventar…

Sentir as cores para lhes dar sentido.

Senti-las por dentro, pegar-lhes ao colo e ficar assim, com os olhos a brilhar de felicidade!

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

A CARTA QUE FALA DE LIVROS



                 Queridos amigos,

Devo confessar que no que respeita a escrever cartas estou um bocado destreinada!

Quando tinha a vossa idade costumava escrever com frequência aos meus amigos, aos meus avós e à minha Ana uma grande amiga e cúmplice, um dia falar-vos-ei dela…

Mas atualmente as únicas cartas que escrevo, vão por correio electrónico por isso não calculam o prazer de vos escrever uma carta a sério. 

Não levem a mal que comece por agradecer à Carolina a carta surpresa que deixou na minha sala de aula!

Além da surpresa de receber uma carta às três da tarde o seu conteúdo era absolutamente delicioso.

Diz ela a determinada altura que, agradece o facto de eu partilhar com a turma alguns dos meus livros e das horas em que estamos juntos serem mágicas. Claro que a magia de que fala a Carolina vem dos livros que partilhamos e daquilo que inventamos e pensamos do que lemos.

Já vos disse que tive a sorte de viver entre pessoas que amavam os livros e de ter muitos livros, provavelmente foram muitos os que influenciaram o meu fascínio pelos livros e muitos os livros que me encantaram e desassossegaram.

Lembro que numa das nossas conversas sobre livros e leituras o Carlos me pediu para fazer a lista com os dez livros preferidos. Na altura e assim de repente, claro que eu conseguia fazer até uma lista com cem livros preferidos já li tantos… Não se esqueçam que sou muito mais velha que vocês, mas fazer uma lista de livros preferidos não quero, não me apetece. Prefiro falar-vos deles sempre que deles me lembre e tenha vontade.

Sabem que aqui na sala os meninos dividiram os livros em, os que gostam muito e os que ainda não conhecem. Os que não gostam nem querem falar deles, não vale a pena perder tempo a pensar naquilo que não se gosta, mas também não devemos falar do que não conhecemos, sobretudo se for para dizer mal…

Não tenho bem a certeza se já contei como gosto de ler vários livros ao mesmo tempo, é que às vezes estou a ler um livro que me empurra para outro e esse outro para outro e assim sucessivamente. E o que eu gosto de” mastigar” e “saborear” as palavras de alguns livros.

Não imaginam como é bom andar com as palavras a voar dentro da nossa cabeça durante vários dias e as mais importantes, essas ficam cá dentro a voar para sempre! Aquelas que vêm nos livros que não se deixam ler! Aqueles livros que temos tanta necessidade de abrir como se fossemos à procura de ar para respirar ou abrimos simplesmente para nos deixar encantar uma e outra vez!

É de um livro assim que me apetece falar agora, um livro que abro muitas vezes, tantas que anda quase sempre comigo, talvez que alguns de vocês já tenha descoberto que os livros também servem para nos suavizar a vida, porque viver nem sempre é uma tarefa fácil… mas eu tenho a certeza que vive melhor e é mais feliz quem ama os livros e a leitura!

Mas era do meu livro que ia falar-vos, nos nossos encontros de leituras já lemos alguma poesia da autora, já vos disse até de um dos seus livros que muito amo, porque foi também o primeiro que li por mão própria. Falo de Matilde Rosa Araújo e do seu,” Palhaço Verde.” Lembram-se?

Na verdade todos os seus livros são livros de sonho e encantamento, livros cheios de luz, doçura e ternura de onde saem histórias tão mágicas e fascinantes que em mim ficaram a voar para sempre.

O livro de que falo chama-se,”O Sol e o Menino dos Pés Frios”. Um livro de pequenos contos todos diferentes onde a escrita e as palavras obedecem tão-somente à vontade do coração. Escolhi-o para leitura da próxima sexta-feira, porque tenho a certeza que vão gostar dele tanto como eu, confesso que gostava que gostassem dele mais do que eu! O livro merece! Depois me dirão!

Não posso terminar sem agradecer à vossa professora o tempo ganho convosco, todas as leituras e aventuras partilhadas pelo amor à palavra.

Beijinhos e muita leitura até ao nosso próximo encontro.
A vossa amiga,

Teresa





segunda-feira, 14 de novembro de 2011

POLÍCIAS E LADRÕES


Estava prometido que a Agente Margarida polícia da Escola Segura viria à sala de aula para falar aos meninos de segurança rodoviária e de como devem comportar-se com desconhecidos.

Os meninos não sabiam que era hoje o dia, por isso quando a Agente Margarida bateu à porta a surpresa depressa deu lugar à curiosidade, alegria e a conversas muito interessantes…

Junto dos meninos não havia qualquer dúvida que os polícias são amigos que existem para os proteger e ajudar e claro prender os “maus “ e os ladrões.

Claro que a parte preferida da atividade foi aquela em que pudemos experimentar ora ser policias ora ladrões.

Eu fui algemada e presa por conduzir sem carta de condução o autocarro da escola, o Pedro ficou preso á mesa da areia porque ia sem cinto e fora da cadeira, mas a Joana foi quem ficou presa mais tempo, ia a falar ao telemóvel e a conduzir e Agente Margarida e a sua patrulha não perdoaram!

Foi uma manhã bem divertida onde a brincar falámos de coisas muito sérias.
Obrigada Agente Margarida por ser responsável por uma manhã de sorrisos!


video


terça-feira, 8 de novembro de 2011

sábado, 5 de novembro de 2011

TERNURA


Tendresa

Aquest camí que deixo enrera és llarg
però em vull lleuger del seu bagatge,
que res no em valen tants d'atzars,
ni els vells camins, ni el blau del mar,
si dintre seu no sento com batega, hi batega,
el fràgil art de la tendresa...

Del teu amor ho espero tot i tant
que en faig un cant pel meu capvespre,
estimo l'ànsia dels teus ulls,
l'impúdic arc del teu cos nu,
però amor t'estimo encara més i sempre, més i sempre,
sabent-te esclau de la tendresa...

Del dolç batec de la tendresa
que espera...
la tendresa
que exalta...
la tendresa
que ens cura quan fa por la solitud.

El món que visc sovint no el sento meu
i sé els perquès d'una revolta,
misèria i guerra, fam i mort,
feixisme i odi, ràbia i por,
rebutjo un món que plora aquestes penes, tanta pena,
però tot d'un cop... ve... la tendresa.

Ah!, si no fos per la tendresa
que espera...
la tendresa
que exalta...
la tendresa
que estima quan fa por la solitud.

                                    (LLUIS LLACH)

Ternura

Este camino que dejo atrás es largo
pero me quiero ligero de su bagaje,
que nada me valen tantos azares,
ni los viejos caminos, ni el azul del mar,
si en su interior no siento como late, late,
el frágil arte de la ternura ...

De tu amor lo espero todo y tanto
que hago un canto por mi atardecer,
amo el ansia de tus ojos,
el impúdico arco de tu cuerpo desnudo,
pero amor te quiero todavía más y siempre, más y siempre,
sabiendo-te esclavo de la ternura ...

Del dulce latido de la ternura
que espera ...
la ternura
que exalta ...
la ternura
que nos cura cuando da miedo la soledad.

El mundo que vivo a menudo no lo siento mi
y sé los porqués de una revuelta,
miseria y guerra, hambre y muerte,
fascismo y odio, rabia y miedo,
rechazo un mundo que llora estas penas, tanta pena,
pero todo de una vez ... viene ... la ternura.

Ah, si no fuera por la ternura
que espera ...
la ternura
que exalta ...
la ternura
que ama cuando da miedo la soledad.