terça-feira, 13 de novembro de 2018

MENINOS A ACORDAR O SONO DAS FOLHAS DE OUTONO…





TOMBAM AS FOLHAS CHEIAS DE SONO
- NOS OLHOS DOS MENINOS
QUE NÃO AS DEIXAM DORMIR




quarta-feira, 31 de outubro de 2018

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

SONHOS A GIZ




Escrevem a giz
os sonhos
que espero o tempo não apague



quinta-feira, 27 de setembro de 2018

DÚVIDA EM SOL...




Sol embrulhado nas nuvens…
Ou a embrulhar suave
A minha manhã?...


quarta-feira, 12 de setembro de 2018

A ESCOLA E EU


                       ( Robert Doisneau ) 


Lembro que quando muito menina, ainda antes de entrar para a escola. Do jardim de casa via uma outra casa, de paredes muito brancas e um telhadinho de onde uma chaminé retorcida, deixava sair novelinhos de fumo que o vento se divertia a engolir…

Mas o que mais me encantava naquela casinha, era a sineta presa no enorme portão de ferro verde. Bom, eu era muito pequena, nunca tinha entrado naquela casa, mas imaginava que devia ser um lugar onde todos gostavam muito de ir… Mal a sineta tocava, os meninos corriam felizes à procura da porta da casa, era como se entrassem num lugar mágico. Pois durante algum tempo não se ouvia mais nada. Quer dizer, ouviam-se os pássaros, que poisavam aqui e ali, as pessoas que passavam cá fora e se cumprimentavam, o padeiro que entregava o pão…

Depois, pela mesma portinha, voltavam a sair muitos meninos, cheios de sorrisos, a correr, a cantar…
Aquela tinha de ser uma casa maravilhosa!
Eu queria muito entrar naquela casa, que a minha mãe disse, chamar-se escola, mas para isso, eu tinha de crescer… Assim, como o meu primo Zé Luís, que costumava puxar-me as tranças e chamar-me dentes de coelho!

E o dia de entrar na casinha maravilhosa, chegou!
E naquela que deve ter sido uma bela manhã, passei de mão dada com a minha mãe o portão de ferro verde e ao som da sineta, entrei, mais uns quantos meninos e meninas pela porta mágica!
Lá dentro, havia umas mesas castanhas com a cadeira agarrada, que davam para sentar aos pares… Um estrado com a mesa da professora, um quadro enorme preto que cobria toda a parede e tinha de cada um dos lados, um retrato a preto e branco de dois senhores que não pareciam nada contentes… No meio, havia uma cruz… 

- Bom dia! Pequenos sóis! Aqui neste lugar maravilhoso, vamos ser todos muito felizes!
Ao ouvir Dona Laura, este era o nome da minha professora, eu tive a certeza de ter entrado no melhor lugar do mundo…

Dona Laura, era assim como uma fada que eu ouvira das muitas histórias que a avó me contara, parecia como um raio de luz a pousar de menino em menino… De voz doce, de infinita paciência, sempre encantada e a sorrir…

Na escola de Dona Laura, aprendi, quase tudo o que a escola tem para ensinar…
Mas aprendi sobretudo, que a escola tem de se um lugar de encantos e espantos…

Talvez Dona Laura gostasse de saber, que passados tantos anos, ainda me lembro dos malmequeres amarelos que brilhavam como pequenos sóis na jarra pintada da sua mesa… E que a escola ainda é um lugar onde gosto de ir!

quinta-feira, 28 de junho de 2018

IMPRESSÕES SOBRE UM PASSEIO NA SERRA




Um silêncio verde cola-se à pele
partido de quando em vez
pelos saltos da água por entre as pedras do rio
e pelas rãs que tecem as estações com seu alegre coaxar…
Invento uma salamandra de pintas amarelas
numa qualquer gruta escondida
por saber que existe.
Por sobre mim
as árvores vão trocando confidências e abraços
as mais vaidosas miram-se ao espelho
em pequenos charcos…
Um pisco-de-peito-ruivo
enfeita um ramo velho com o seu canto
e há flores silvestres por todo o caminho
a pintar mantinhas coloridas na paisagem
e a engalanar moinhos decrépitos…
A retina cola-se uma vez mais
à objetiva da máquina fotográfica
para captar o que os sentidos já guardaram…
Fica o verde, o silêncio, a leveza…
E o azul na lagoa de um antigo fojo
que os romanos deixaram para trás…



domingo, 24 de junho de 2018

O TAMANHO DO SILÊNCIO DAS MANHÃS DE SÃO JOÃO…




São João tanta folia
Sem hora para acabar…
Começa a festa no rio
E lava a cara no mar…

Já te falei do tamanho dos silêncios das manhãs de São João?
Em que a lubrina que envolve a praia, traz o som de um martelinho perdido na noite a misturar-se com o som da maresia?
À medida que o manto de neblina se deixa esgarçar pelo sol, o azul fica mais forte e por sobre as ondas, pairam silêncios de balões amarrotados de tanta folia…
A brisa carrega ainda odores de fogueiras já apagadas e de manjericos que esperam perfumar o arraial a São Pedro…
É um imenso silêncio…
A misturar-se de azul.

quarta-feira, 25 de abril de 2018

ABRIL…




Quando abril acordou naquela manhã
Ela só tinha dez anos de sonhos…
Ouvira o Pai dizer à mãe, que se passava
Qualquer coisa de muito importante em Lisboa…
Que talvez fosse desta vez que destapassem o sol…
Ela não percebia nada, mas das palavras do Pai
Do som da televisão e das telefonias ligadas em uníssono
Desprendia-se um som de festa…
A caminho da escola
Cumprimentou como de costume
O rosmaninho, as dedaleiras, os pequenos malmequeres amarelos…
Sem imaginar que abril se pintava a vermelho
No perfume de um cravo…


segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

HISTÓRIAS DA NOSSA HORTA





As hortas são lugares maravilhosos.
Senão oiçam, a pequena história que vivemos esta manhã, enquanto plantamos os girassóis do nosso vaso…
Os girassóis cresceram tanto e estavam tão apertadinhos, que tivemos de muda-los de casa para crescerem bem e procurarem o sol à sua vontade.
Felizmente que o Senhor Miguel veio tratar a nossa horta. Porque já se sabe, as ervas daninhas que não têm nada que fazer adoram ocupar as hortas e ficar por ali à conversa. Têm sempre tanto que falar, que à medida que abrem a boca, crescem, crescem e depressa ocupam todos os canteiros e se não é um jardineiro atento…
Mas o Senhor Miguel é que não foi na conversa e num instantinho pôs a correr dali todas as ervas daninhas que, outro remédio não tiveram senão ir pôr a conversa em dia para outro lado.
Ficou portanto, a horta num brinquinho, pronta a ser plantada e semeada…
E hoje, enquanto remexiam a terra para a preparar para os girassóis, os meninos descobriram caracóis que faziam rendinhas nas couves do canteiro da Professora Alice…
Minhocas que abriam e fechavam as portas e janelas da terra, para esta apanhar ar… E bichinhos de conta, que simplesmente se limitavam a ser… Tudo na maior simplicidade, sem ruído, confusões ou complicações…
E esta, pode até nem ser uma grande história, mas é a história de um lugar maravilhoso, onde ficamos a saber que, aqui a vida cresce devagar e em silêncio…