segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

MAGNÓLIA




Perfume de inverno
guardado
numa flor




terça-feira, 8 de janeiro de 2019

SIMPLES ASSIM





Do alto da arrogância qualquer homem
Se imagina muito mais do que consegue ser
É que vendo lá de cima, ilusão que lhe domina
Diz que pode muito antes de querer
Querer não é questão, não justifica o fim
Pra quê complicação, é simples assim
Focado no seu mundo qualquer homem
Imagina muito menos do que pode ver
No escuro do seu quarto ignoro o céu lá fora
E fica claro que ele não quer perceber
Viver é uma questão de início, meio e fim
Pra quê a solidão, é simples assim
É, eu ando em busca dessa tal simplicidade
É, não deve ser tão complicado assim
É, se eu acredito, é minha verdade
E é simples assim
E a vida continua surpreendentemente bela
Mesmo quando nada nos sorri
E a gente ainda insiste em ter alguma confiança
Num futuro que ainda está por vir
Viver é uma paixão do início, meio ao fim
Pra quê complicação, é simples assim
É, eu ando em busca dessa tal simplicidade
É, não deve ser tão complicado assim
É, se eu acredito, é minha verdade
Eu vivo essa paixão do inicio, meio ao fim
Pra quê a solidão, é simples assim
Eu vivo essa paixão do inicio, meio ao fim
Pra quê complicação, é simples assim...

                                                              Lenine e Dudu Falcão


sábado, 24 de novembro de 2018

“AMOR E FANTASIA ANDAM DE MÃOS DADAS”





O quadro de Marc Chagall 
Aos olhos dos meninos.


terça-feira, 13 de novembro de 2018

MENINOS A ACORDAR O SONO DAS FOLHAS DE OUTONO…





TOMBAM AS FOLHAS CHEIAS DE SONO
- NOS OLHOS DOS MENINOS
QUE NÃO AS DEIXAM DORMIR




quarta-feira, 31 de outubro de 2018

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

SONHOS A GIZ




Escrevem a giz
os sonhos
que espero o tempo não apague



quinta-feira, 27 de setembro de 2018

DÚVIDA EM SOL...




Sol embrulhado nas nuvens…
Ou a embrulhar suave
A minha manhã?...


quarta-feira, 12 de setembro de 2018

A ESCOLA E EU


                       ( Robert Doisneau ) 


Lembro que quando muito menina, ainda antes de entrar para a escola. Do jardim de casa via uma outra casa, de paredes muito brancas e um telhadinho de onde uma chaminé retorcida, deixava sair novelinhos de fumo que o vento se divertia a engolir…

Mas o que mais me encantava naquela casinha, era a sineta presa no enorme portão de ferro verde. Bom, eu era muito pequena, nunca tinha entrado naquela casa, mas imaginava que devia ser um lugar onde todos gostavam muito de ir… Mal a sineta tocava, os meninos corriam felizes à procura da porta da casa, era como se entrassem num lugar mágico. Pois durante algum tempo não se ouvia mais nada. Quer dizer, ouviam-se os pássaros, que poisavam aqui e ali, as pessoas que passavam cá fora e se cumprimentavam, o padeiro que entregava o pão…

Depois, pela mesma portinha, voltavam a sair muitos meninos, cheios de sorrisos, a correr, a cantar…
Aquela tinha de ser uma casa maravilhosa!
Eu queria muito entrar naquela casa, que a minha mãe disse, chamar-se escola, mas para isso, eu tinha de crescer… Assim, como o meu primo Zé Luís, que costumava puxar-me as tranças e chamar-me dentes de coelho!

E o dia de entrar na casinha maravilhosa, chegou!
E naquela que deve ter sido uma bela manhã, passei de mão dada com a minha mãe o portão de ferro verde e ao som da sineta, entrei, mais uns quantos meninos e meninas pela porta mágica!
Lá dentro, havia umas mesas castanhas com a cadeira agarrada, que davam para sentar aos pares… Um estrado com a mesa da professora, um quadro enorme preto que cobria toda a parede e tinha de cada um dos lados, um retrato a preto e branco de dois senhores que não pareciam nada contentes… No meio, havia uma cruz… 

- Bom dia! Pequenos sóis! Aqui neste lugar maravilhoso, vamos ser todos muito felizes!
Ao ouvir Dona Laura, este era o nome da minha professora, eu tive a certeza de ter entrado no melhor lugar do mundo…

Dona Laura, era assim como uma fada que eu ouvira das muitas histórias que a avó me contara, parecia como um raio de luz a pousar de menino em menino… De voz doce, de infinita paciência, sempre encantada e a sorrir…

Na escola de Dona Laura, aprendi, quase tudo o que a escola tem para ensinar…
Mas aprendi sobretudo, que a escola tem de se um lugar de encantos e espantos…

Talvez Dona Laura gostasse de saber, que passados tantos anos, ainda me lembro dos malmequeres amarelos que brilhavam como pequenos sóis na jarra pintada da sua mesa… E que a escola ainda é um lugar onde gosto de ir!

quinta-feira, 28 de junho de 2018

IMPRESSÕES SOBRE UM PASSEIO NA SERRA




Um silêncio verde cola-se à pele
partido de quando em vez
pelos saltos da água por entre as pedras do rio
e pelas rãs que tecem as estações com seu alegre coaxar…
Invento uma salamandra de pintas amarelas
numa qualquer gruta escondida
por saber que existe.
Por sobre mim
as árvores vão trocando confidências e abraços
as mais vaidosas miram-se ao espelho
em pequenos charcos…
Um pisco-de-peito-ruivo
enfeita um ramo velho com o seu canto
e há flores silvestres por todo o caminho
a pintar mantinhas coloridas na paisagem
e a engalanar moinhos decrépitos…
A retina cola-se uma vez mais
à objetiva da máquina fotográfica
para captar o que os sentidos já guardaram…
Fica o verde, o silêncio, a leveza…
E o azul na lagoa de um antigo fojo
que os romanos deixaram para trás…