quinta-feira, 28 de junho de 2018

IMPRESSÕES SOBRE UM PASSEIO NA SERRA




Um silêncio verde cola-se à pele
partido de quando em vez
pelos saltos da água por entre as pedras do rio
e pelas rãs que tecem as estações com seu alegre coaxar…
Invento uma salamandra de pintas amarelas
numa qualquer gruta escondida
por saber que existe.
Por sobre mim
as árvores vão trocando confidências e abraços
as mais vaidosas miram-se ao espelho
em pequenos charcos…
Um pisco-de-peito-ruivo
enfeita um ramo velho com o seu canto
e há flores silvestres por todo o caminho
a pintar mantinhas coloridas na paisagem
e a engalanar moinhos decrépitos…
A retina cola-se uma vez mais
à objetiva da máquina fotográfica
para captar o que os sentidos já guardaram…
Fica o verde, o silêncio, a leveza…
E o azul na lagoa de um antigo fojo
que os romanos deixaram para trás…



domingo, 24 de junho de 2018

O TAMANHO DO SILÊNCIO DAS MANHÃS DE SÃO JOÃO…




São João tanta folia
Sem hora para acabar…
Começa a festa no rio
E lava a cara no mar…

Já te falei do tamanho dos silêncios das manhãs de São João?
Em que a lubrina que envolve a praia, traz o som de um martelinho perdido na noite a misturar-se com o som da maresia?
À medida que o manto de neblina se deixa esgarçar pelo sol, o azul fica mais forte e por sobre as ondas, pairam silêncios de balões amarrotados de tanta folia…
A brisa carrega ainda odores de fogueiras já apagadas e de manjericos que esperam perfumar o arraial a São Pedro…
É um imenso silêncio…
A misturar-se de azul.

quarta-feira, 25 de abril de 2018

ABRIL…




Quando abril acordou naquela manhã
Ela só tinha dez anos de sonhos…
Ouvira o Pai dizer à mãe, que se passava
Qualquer coisa de muito importante em Lisboa…
Que talvez fosse desta vez que destapassem o sol…
Ela não percebia nada, mas das palavras do Pai
Do som da televisão e das telefonias ligadas em uníssono
Desprendia-se um som de festa…
A caminho da escola
Cumprimentou como de costume
O rosmaninho, as dedaleiras, os pequenos malmequeres amarelos…
Sem imaginar que abril se pintava a vermelho
No perfume de um cravo…


segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

HISTÓRIAS DA NOSSA HORTA





As hortas são lugares maravilhosos.
Senão oiçam, a pequena história que vivemos esta manhã, enquanto plantamos os girassóis do nosso vaso…
Os girassóis cresceram tanto e estavam tão apertadinhos, que tivemos de muda-los de casa para crescerem bem e procurarem o sol à sua vontade.
Felizmente que o Senhor Miguel veio tratar a nossa horta. Porque já se sabe, as ervas daninhas que não têm nada que fazer adoram ocupar as hortas e ficar por ali à conversa. Têm sempre tanto que falar, que à medida que abrem a boca, crescem, crescem e depressa ocupam todos os canteiros e se não é um jardineiro atento…
Mas o Senhor Miguel é que não foi na conversa e num instantinho pôs a correr dali todas as ervas daninhas que, outro remédio não tiveram senão ir pôr a conversa em dia para outro lado.
Ficou portanto, a horta num brinquinho, pronta a ser plantada e semeada…
E hoje, enquanto remexiam a terra para a preparar para os girassóis, os meninos descobriram caracóis que faziam rendinhas nas couves do canteiro da Professora Alice…
Minhocas que abriam e fechavam as portas e janelas da terra, para esta apanhar ar… E bichinhos de conta, que simplesmente se limitavam a ser… Tudo na maior simplicidade, sem ruído, confusões ou complicações…
E esta, pode até nem ser uma grande história, mas é a história de um lugar maravilhoso, onde ficamos a saber que, aqui a vida cresce devagar e em silêncio…







quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

RENDAS DE VENTO





Caracol tece no vento
rendinhas
para o casamento…