domingo, 24 de junho de 2018

O TAMANHO DO SILÊNCIO DAS MANHÃS DE SÃO JOÃO…




São João tanta folia
Sem hora para acabar…
Começa a festa no rio
E lava a cara no mar…

Já te falei do tamanho dos silêncios das manhãs de São João?
Em que a lubrina que envolve a praia, traz o som de um martelinho perdido na noite a misturar-se com o som da maresia?
À medida que o manto de neblina se deixa esgarçar pelo sol, o azul fica mais forte e por sobre as ondas, pairam silêncios de balões amarrotados de tanta folia…
A brisa carrega ainda odores de fogueiras já apagadas e de manjericos que esperam perfumar o arraial a São Pedro…
É um imenso silêncio…
A misturar-se de azul.

quarta-feira, 25 de abril de 2018

ABRIL…




Quando abril acordou naquela manhã
Ela só tinha dez anos de sonhos…
Ouvira o Pai dizer à mãe, que se passava
Qualquer coisa de muito importante em Lisboa…
Que talvez fosse desta vez que destapassem o sol…
Ela não percebia nada, mas das palavras do Pai
Do som da televisão e das telefonias ligadas em uníssono
Desprendia-se um som de festa…
A caminho da escola
Cumprimentou como de costume
O rosmaninho, as dedaleiras, os pequenos malmequeres amarelos…
Sem imaginar que abril se pintava a vermelho
No perfume de um cravo…


segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

HISTÓRIAS DA NOSSA HORTA





As hortas são lugares maravilhosos.
Senão oiçam, a pequena história que vivemos esta manhã, enquanto plantamos os girassóis do nosso vaso…
Os girassóis cresceram tanto e estavam tão apertadinhos, que tivemos de muda-los de casa para crescerem bem e procurarem o sol à sua vontade.
Felizmente que o Senhor Miguel veio tratar a nossa horta. Porque já se sabe, as ervas daninhas que não têm nada que fazer adoram ocupar as hortas e ficar por ali à conversa. Têm sempre tanto que falar, que à medida que abrem a boca, crescem, crescem e depressa ocupam todos os canteiros e se não é um jardineiro atento…
Mas o Senhor Miguel é que não foi na conversa e num instantinho pôs a correr dali todas as ervas daninhas que, outro remédio não tiveram senão ir pôr a conversa em dia para outro lado.
Ficou portanto, a horta num brinquinho, pronta a ser plantada e semeada…
E hoje, enquanto remexiam a terra para a preparar para os girassóis, os meninos descobriram caracóis que faziam rendinhas nas couves do canteiro da Professora Alice…
Minhocas que abriam e fechavam as portas e janelas da terra, para esta apanhar ar… E bichinhos de conta, que simplesmente se limitavam a ser… Tudo na maior simplicidade, sem ruído, confusões ou complicações…
E esta, pode até nem ser uma grande história, mas é a história de um lugar maravilhoso, onde ficamos a saber que, aqui a vida cresce devagar e em silêncio…







quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

RENDAS DE VENTO





Caracol tece no vento
rendinhas
para o casamento…