sexta-feira, 11 de maio de 2012

O MAR...





El mar. La mar.
El mar. ¡Sólo la mar! 


   ¿Por qué me trajiste, padre,
a la ciudad? 


   ¿Por qué me desenterraste
del mar?


   En sueños, la marejada
me tira del corazón.
Se lo quisiera llevar. 


   Padre, ¿por qué me trajiste
acá?



Rafael Alberti

quinta-feira, 10 de maio de 2012

OLHARES SOB E SOBRE CIDADES







Das cidades já se sabe, umas são atravessadas por rios, mar de mar, mares de gente…

As cidades têm luz própria, cheiros únicos, cores, texturas, caminhos…

Caminhos que percorremos sobretudo com o olhar…

E o que vê o nosso olhar?

Imagens que falam de mim, de nós, por mim, e por nós…

Afinal” as cidades são Pessoas”! Mas não só!


Não sei de que falam as fotos do livro intitulado, “MAPS”, elaborado pela turma CEF deste Agrupamento de escolas. Mas posso atestar da qualidade dos projetos anteriores.

Conheço alguns dos alunos que de quando em vez nos visitam para pôr em prática os conhecimentos adquiridos na área da fotografia. Estou por isso curiosa para saber o que viram os seus olhos sobre as cidades de, Valongo, Lisboa, Porto, Amarante e Guimarães.

O lançamento do livro é já hoje à noite.

Se puderem e quiserem ver para além do olhar. Apareçam!

Aos Professores, José Manuel Soares, Benedita Kendall, Alberto Oliveira e Alzira Mota, Coordenadores e responsáveis do projeto um enorme, Bem Hajam!
E até logo!

terça-feira, 8 de maio de 2012

NUVENZINHAS



(...)

As nuvenzinhas chegam-se umas às outras, leves e brancas, franzindo-se numa espuma frágil.


Depois, coloriam-se de ouro e de rosa.


Depois desmanchavam-se.



Cecília Meireles em, Olhinhos de Gato


Fotos do Edgar e do Pedro, numa  destas manhãs quando as nuvens espreitavam por cima do nosso recreio, "CHEIAS DE ESTRELAS NA BARRIGA"!

domingo, 6 de maio de 2012

AS MÃES SABEM AQUECER O FRIO




Era uma vez. Quando eu era muito pequena, um dia de neve.

Não sei se era manhã ou tarde. Que quando somos pequenos o lado e a hora do dia não fazem qualquer sentido. Sei que o jardim e tudo à volta estavam cobertos de branco, tudo, menos eu e a minha Mãe.

Que com roupas quentes e coloridas nos divertíamos numa batalha de bolas de neve que se desfaziam como espuma, ora contra o meu rosto, ora contra os cabelos…

Eu tinha as mãos e a cara enregeladas, mas o meu coração estava tão quente que pensei;
AS MÃES SABEM AQUECER O FRIO!



E disto me lembrei hoje que também sou Mãe!



quinta-feira, 3 de maio de 2012

A FADA FLORÊNCIA



Esta é a fada Florência.

A fada que saiu do livro, "Histórias para contar em Noites de Luar", do escritor José Fanha, lembram-se?

Depois de ouvirem as palavras com que o escritor desenhou a fada, os meninos construíram as suas, todas diferentes e todas tão fadas… e tão encantadas!

Mas os meninos queriam uma fada que todos pudessem mimar, uma fada que fizesse feitiços a sério e para isso tinha de ser” uma fada de pegar”!

Começamos então todos juntos a sonhar a fada…

Depois de sonhada apareceu o desenho, a nossa Joaninha cortou a fada e a Dona Graça, para quem as linhas e agulhas não têm segredos fez aparecer a fada na sala.

Faltava só vestir a fada. Tarefa que foi executada pela Elisabete, mãe do Martim!

Hoje pela manhã a fada Florência acompanhou o Martim até à escola e lançou pó de fada sobre todos os meninos.

Visitou a sala da Professora Ana e fez como não podia deixar de ser, uma visita aos nossos amigos do quarto ano, a provar que afinal ” as fadas também vão à escola”!

De volta à sala, os meninos decidiram que a fada vai ficar na Biblioteca.

Pois se saiu de um livro!



ÁRVORE COM GATO PENDURADO


                                   Inês- 6 anos
    
Acordou bem cedinho! Acordar era uma maneira de dizer! Pois se nem sequer pregara olho!

Estava tão entusiasmada para conhecer a nova escola, aquela que seria a sua nova casinha até que tivesse um dia de rumar a outra. Que os professores são assim como uma espécie de caracóis, volta que volta aí andam com a casa às costas!

Como seria a escola?

Imaginava-a, cheia de meninos sorridentes, curiosos como só os meninos sabem ser.

Não, não tinha pensado no edifício. Afinal a escola são meninos e tudo o resto pormenores!

Ela já tinha estado numas quantas escolas e em todas elas tinha vivido histórias maravilhosas. 

Lembrava o dia em que estava no recreio com os meninos e numa das árvores ouviram miar!

Era o gato da Dona Lurdinhas, a empregada da escola.

Talvez perseguindo um pássaro ou sonhando-se ser um, o pobre gato estava agora pendurado num dos ramos do plátano que vivia no recreio da escola. O medo impedia-o de descer e era acompanhado de um miar desesperado!
Ao ver o pobre animal em tal desespero quase sem pensar descalçou os sapatos e as meias e começou a trepar pelo Plátano para resgatar o pobre do bichinho! 

Ao olhar boquiaberto dos meninos seguiu-se um silêncio absoluto. Ela continuava a trepar agarradinha aos ramos, abraçando os ramos como lhe ensinara o Avô António.

Que as árvores são como as pessoas gostam de abraços e ternuras…

Se as tratarmos bem concedem-nos o privilégio de igualar os pássaros, ficar bem pertinho do azul, soletrar a língua do vento. E que de outro lugar se podem colher melhor os frutos e horizontes?

O pobre do Pachá, assim se chamava o gato, é que não estava mesmo a disfrutar da vista e se alguma vez quis ser ave estava arrependido! Tanto, que quando o agarrou, o animal tremia de tal forma que não fora o riscado do pelo e tê-lo-ia confundido com uma folha que o vento resolveu aborrecer!

Por ela teria ficado mais tempo no cimo do Plátano, mas o Pachá pedia-lhe que o tirasse dali bem depressinha! 

Ainda mal tinha posto os pés no chão e já este corria para aos braços da dona miando e ronronando, num misto de desculpas e mimo.

Dona Lurdinhas chorava e agradecia. Os meninos batiam palmas e olhavam-na cheios de admiração!

Durante o resto do dia não falaram noutra coisa. E na hora da saída ouvia-os segredar aos Pais:

- A minha Professora sobe às árvores!

Pensou como seria bom se a nova escola tivesse um recreio com árvores!

Ela e os meninos poderiam descobrir quase tudo sobre árvores, pássaros, vento…
E quem sabe, Gatos!

                           

terça-feira, 1 de maio de 2012

HORAS EXTRAORDINÁRIAS



Foi a saudade do teu braço
e o olhar que já da luz me dói
trabalhei sem dar p´lo cansaço
horas extraordinárias, foi
um dia que passou num furacão
um furacão que se amainou, só
quando, à parte o amor
eu me vi só
atirando amoeda ao ar
diz-me que cara ou coroa
eu vou ganhar
diz-me quanto eu fiz bem
em me apostar
e que bem fiz em ter por necessárias
as horas extraordinárias 



E assim que volto ao meu lugar
reencontro com dor e com prazer
o coração que fiz falar
à máquina de escrever, a ver
ela a dar corda à máquina de amar
e um coração a se amainar, só
quando à parte o amor
eu me vi só
atirando a moeda ao ar
diz-me que cara ou coroa
eu vou ganhar
diz-me quanto eu fiz bem
em me apostar
e que bem fiz em ter por necessárias
as horas extraordinárias


Sérgio Godinho




sábado, 28 de abril de 2012

LUGARES MÁGICOS



(...)

A vista tira-me o ar:
aquele lugar onde o Douro
se lança nos braços do mar.


João Pedro Mésseder em, Porto Porto

terça-feira, 24 de abril de 2012

HISTÓRIA DE UMA FLOR
























                                                                     Sara - 3 Anos


 (...)

E a flor sorriu abrindo o vermelho
nítido das pétalas, o verde
nítido das folhas – que as
flores também podem sorrir.


Matilde Rosa Araújo, História de uma flor

sexta-feira, 20 de abril de 2012

PORQUE NÃO SEI COMO DIZER-TE


                                                              MARC CHAGALL


      
(…)


Durante a primavera inteira aprendo
os trevos, a água sobrenatural, o leve e abstrato
correr do espaço - e penso que vou dizer algo cheio de razão,
mas quando a sombra cai da curva sôfrega dos meus lábios,
sinto que me faltam um girassol, uma pedra,
uma ave - qualquer coisa extraordinária.
Porque não sei como dizer-te sem milagres
que dentro de mim é o sol, o fruto, a criança,
a água, o deus, o leite, a mãe, o amor,
que te procuram.


Herberto Hélder
                                                                        

quarta-feira, 18 de abril de 2012

LUGARES INESPERADOS E PALÁCIOS QUE ESTÃO AINDA POR EXISTIR



Quando entrei na sala esta manhã, estava longe de imaginar que daí a minutos viajaria até ao Japão com os meninos!

E a culpa foi do meu caderno! Quer dizer, o caderno não teve culpa de nada coitado! Estava bem quietinho na secretária, mas a capa do caderno suscitou a curiosidade dos meninos que olhando para a imagem se perguntavam, de onde seriam estes palácios.


 
- Vê-se logo que são palácios da China! Dizia a Bruna.

- Do Japão! Afirmava convicto o Gonçalo.

Os meninos olharam para mim esperando que desse razão a um dos dois. Apesar dos meus parcos conhecimentos em arquitetura do Oriente, eu sabia que os palácios e templos Japoneses e Chineses eram muito parecidos. Sendo que foram os Japoneses a inspirar-se nos Chineses. Mas como calculam, aos meninos isso não interessava grande coisa. Por isso, pegamos no globo terrestre e chegamos à conclusão que a China e o Japão nem ficavam assim tão longe… Talvez fosse essa uma das razões porque eram os palácios tão parecidos.



 
- A China é maior, deve ter mais palácios! Constatou o Pedro.

- Mas afinal são parecidos. Disse contente a Bruna.

E foi assim que os meninos se puseram a desenhar palácios de lugares inesperados e distantes e que ainda estão por existir.

Ou não?!









segunda-feira, 16 de abril de 2012

O GUARDA CHUVA-BARCO



Se os olhos vêem com amor o que não é, tem de ser.

Padre António Vieira



EU E OS MENINOS NAVEGANDO NO GUARDA CHUVA-BARCO DO DINIS.

domingo, 15 de abril de 2012

TRATADO SOBRE TERNURA




Pelas canções de LLuís LLach, já confessei aqui o meu amor de perdição. Atrevo-me até a dizer que dos cantautores de que gosto para mim é aquele que melhor canta a ternura.

Procurei há dias esta canção porque queria partilhá-la com uma amiga especial que acabara de perder alguém muito querido. Não cheguei a enviar-lha…

Dizia-me ela, que o mais terrível de tudo quando perdemos alguém, é ficar com a sensação que não fizemos nem dissemos, quase nada do que queríamos ou devíamos!

Se calhar nem precisamos de dizer ou fazer nada, porque aos que amamos,

“Simplesmente temos de deixar que nos deixem
E ter um ninho na nossa árvore com uma nuvem bem branca pousada num dos ramos…”
Para o caso de voltarem, ou não…

Considero esta canção um verdadeiro tratado sobre ternura e porque também quero dizer aqueles que amo, “ que para eles sempre terei um ninho na minha árvore, e uma nuvem branca presa num dos ramos”, vou partilhá-la aqui.


 
Un núvol blanc

 
Senzillament se'n va la vida, i arriba
com un cabdell que el vent desfila, i fina.
Som actors a voltes,
espectadors a voltes,
senzillament i com si res, la vida ens dóna i pren paper.

Serenament quan ve l'onada, acaba,
i potser, en el deixar-se vèncer, comença.
La platja enamorada
no sap l'espera llarga
i obre els braços no fos cas, l'onada avui volgués queda's.

Així només, em deixo que tu em deixis;
només així, et deixo que ara em deixis.
Jo tinc, per a tu, un niu en el meu arbre
i un núvol blanc, penjat d'alguna branca.
Molt blanca...

Sovint és quan el sol declina que el mires.
Ell, pesarós, sap que, si minva, l'estimes.
Arribem tard a voltes
sense saber que a voltes
el fràgil art d'un gest senzill, podria dir-te que...

Només així, em deixo que tu em deixis;
així només, et deixo que ara em deixis.
Jo tinc, per a tu, un niu en el meu arbre
i un núvol blanc, penjat d'alguna branca.
Molt blanc...



 
Sencillamente nuestra vida se aleja
como una rueca se deshila, termina.
Actores unas veces espectadores siempre
sencillamente y sin saber
la vida quita y da papel

Serenamente hay una ola que acaba,
quiza en dejarte que te venza comienza.
La playa enamorada no gusta esperas largas
y abre los brazos hacia ti porque se puede arrepentir.

Asi sin mas me dejo que me dejes
sin mas asi te dejo que me dejes
hice por ti un nido aqui en mi arbol
y una nube blanca colgada de una rama
muy blanca muy blanca

A veces cuando el sol declina lo miras
sabe y le pesa que sin lengua lo estimas
llegamos tarde a veces sin conocer que a veces
con un sencillo gesto al fin podría decirte que

sin mas asi me dejo que me dejes
sin mas asi me dejo que me dejes
hice por ti un nido aqui en mi arbol
y una nube blanca colgada de una rama
muy blanca





quinta-feira, 12 de abril de 2012

ALTERAR O SENTIDO DA CHUVA





Serenata à Chuva


Chuva, manhã cinzenta, guarda-chuva.
Entrar no contexto, dois pontos. Ele e ela
abraçados caminham sob o teto
do guarda-chuva que os guarda.
Pelas ruas vão com vontade de voltar
ao branco dos lençóis. Esse objeto prosaico
que às vezes se vira com o vento
torna-se objeto de poema. Dizer também
como a chuva é doce neste dia de verão.
Como o amor altera o sentido da chuva,
sim, como ela se eleva no ar e as frases se colam
ao vestido.
No interior da pele o poema mudou
desde que entrastes no guarda-chuva esquecido
a um canto do armário.
Talvez o amor seja tudo amar sem exceção.
Eu que nunca uso guarda-chuva
assino incondicionalmente este poema.


Rosa Alice Branco

PARA QUE SERVE UM GUARDA-CHUVA?



PASSEAR O CÃO!       ( Gonçalo)


OUVIR MELHOR A CHUVA!   (Bruna)


terça-feira, 10 de abril de 2012

NAVEGAR NA CHUVA



(…)



 Os grilos, nas noites de chuva, enchem o quarto de uma festa de guizos. O filó do cortinado fica tão friozinho!

E a água rola pelas pedras tão docemente, que navegando-se pelo seu rumor, chega-se ao país do sono sem medo nem dificuldade.


Cecília Meireles em, Olhinhos de Gato