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quinta-feira, 17 de maio de 2012

"ÁRVORE VESTIDA DE NOIVA"




(…)
E quando as árvores de fruto se cobriam abundantemente de flores brancas e rosas, ela avisava: “ Estão noivas!”

Ilse Losa, “Na Quinta das Cerejeiras”

terça-feira, 24 de abril de 2012

HISTÓRIA DE UMA FLOR
























                                                                     Sara - 3 Anos


 (...)

E a flor sorriu abrindo o vermelho
nítido das pétalas, o verde
nítido das folhas – que as
flores também podem sorrir.


Matilde Rosa Araújo, História de uma flor

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

HISTÓRIA PARA CONTAR QUE OS MENINOS RESOLVERAM MUDAR

Raquel

A história que eu tinha para contar, era sobre um reino onde havia um príncipe que procurava uma princesa diferente. Segundo este a princesa teria de,”ser mais bela que as estrelas que vestem a noite, mais doce que a água que murmura nas fontes da Andaluzia e mais terna que a brisa que sopra nas serras de Portugal.” Posso já adiantar que o pobre do príncipe não teve a tarefa nada facilitada, pois só lhe apareciam princesas pouco interessantes e muito interesseiras! Mas sua alteza real era persistente e consistente na sua procura e apesar de todos lhe dizerem que a dita princesa, a sua, não existia, não desistiu de procurá-la e claro está acabou por encontrá-la e consta que viveram felizes para sempre!

Se querem saber pormenores podem lê-la na íntegra no livro, “Histórias para contar em Noites de Luar” do escritor, José Fanha.

Porque a história que vou contar agora é um bocadinho diferente da imaginada pelo autor do livro. Só porque os meninos resolveram mudá-la.

Quando pedi que fizessem o registo da história para que depois cada um a lesse ao grupo, o Rodrigo fez a pergunta que mudaria toda a história:

-Onde está o cavalo do príncipe?

Ninguém se lembrava de ter ouvido falar do cavalo do príncipe em nenhuma parte da história. Eu própria confesso que reli a história à procura do cavalo…

E não, a história não falava que o príncipe ia a cavalo. Mas os meninos decidiram que sim. É que para eles príncipe que é príncipe tem de ter um cavalo. Sem ele nunca conseguiria salvar a princesa, que é verdade não estava em apuros mas passou a estar. Não fosse ter entrado também na história um gigante que se apaixonou por ela e a aprisionou nas masmorras do castelo…

E quando tudo levava a crer que o príncipe salvaria a princesa e a cavalo rumariam ao castelo deste e viveriam então por muitos e bons anos, felizes…

A Raquel decidiu que desta vez quem estava em apuros era o príncipe e quem o salvaria seria naturalmente a princesa! Os rapazes diziam que não! As princesas não sabem lutar, nem têm roupa de luta?! Mas a Bruna foi adiantando que," já há príncipes que sabem cozinhar e varrer e princesas que estão no computador"! Mas se os argumentos das meninas não convenciam os rapazes estas não se davam por vencidas.

O Pedro propôs que votassem como fazem para escolher os chefes da semana (dois meninos eleitos por todos e que na semana em que são eleitos têm de assegurar o bom funcionamento da sala), esquecendo-se que as meninas estão em maior número e como aqui na sala a democracia ainda é o que era, quem é salvo é o príncipe, mas o importante é que tal como na história de onde saiu esta história, também viveram felizes para sempre!

Miguel

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

A CARTA QUE FALA DE LIVROS



                 Queridos amigos,

Devo confessar que no que respeita a escrever cartas estou um bocado destreinada!

Quando tinha a vossa idade costumava escrever com frequência aos meus amigos, aos meus avós e à minha Ana uma grande amiga e cúmplice, um dia falar-vos-ei dela…

Mas atualmente as únicas cartas que escrevo, vão por correio electrónico por isso não calculam o prazer de vos escrever uma carta a sério. 

Não levem a mal que comece por agradecer à Carolina a carta surpresa que deixou na minha sala de aula!

Além da surpresa de receber uma carta às três da tarde o seu conteúdo era absolutamente delicioso.

Diz ela a determinada altura que, agradece o facto de eu partilhar com a turma alguns dos meus livros e das horas em que estamos juntos serem mágicas. Claro que a magia de que fala a Carolina vem dos livros que partilhamos e daquilo que inventamos e pensamos do que lemos.

Já vos disse que tive a sorte de viver entre pessoas que amavam os livros e de ter muitos livros, provavelmente foram muitos os que influenciaram o meu fascínio pelos livros e muitos os livros que me encantaram e desassossegaram.

Lembro que numa das nossas conversas sobre livros e leituras o Carlos me pediu para fazer a lista com os dez livros preferidos. Na altura e assim de repente, claro que eu conseguia fazer até uma lista com cem livros preferidos já li tantos… Não se esqueçam que sou muito mais velha que vocês, mas fazer uma lista de livros preferidos não quero, não me apetece. Prefiro falar-vos deles sempre que deles me lembre e tenha vontade.

Sabem que aqui na sala os meninos dividiram os livros em, os que gostam muito e os que ainda não conhecem. Os que não gostam nem querem falar deles, não vale a pena perder tempo a pensar naquilo que não se gosta, mas também não devemos falar do que não conhecemos, sobretudo se for para dizer mal…

Não tenho bem a certeza se já contei como gosto de ler vários livros ao mesmo tempo, é que às vezes estou a ler um livro que me empurra para outro e esse outro para outro e assim sucessivamente. E o que eu gosto de” mastigar” e “saborear” as palavras de alguns livros.

Não imaginam como é bom andar com as palavras a voar dentro da nossa cabeça durante vários dias e as mais importantes, essas ficam cá dentro a voar para sempre! Aquelas que vêm nos livros que não se deixam ler! Aqueles livros que temos tanta necessidade de abrir como se fossemos à procura de ar para respirar ou abrimos simplesmente para nos deixar encantar uma e outra vez!

É de um livro assim que me apetece falar agora, um livro que abro muitas vezes, tantas que anda quase sempre comigo, talvez que alguns de vocês já tenha descoberto que os livros também servem para nos suavizar a vida, porque viver nem sempre é uma tarefa fácil… mas eu tenho a certeza que vive melhor e é mais feliz quem ama os livros e a leitura!

Mas era do meu livro que ia falar-vos, nos nossos encontros de leituras já lemos alguma poesia da autora, já vos disse até de um dos seus livros que muito amo, porque foi também o primeiro que li por mão própria. Falo de Matilde Rosa Araújo e do seu,” Palhaço Verde.” Lembram-se?

Na verdade todos os seus livros são livros de sonho e encantamento, livros cheios de luz, doçura e ternura de onde saem histórias tão mágicas e fascinantes que em mim ficaram a voar para sempre.

O livro de que falo chama-se,”O Sol e o Menino dos Pés Frios”. Um livro de pequenos contos todos diferentes onde a escrita e as palavras obedecem tão-somente à vontade do coração. Escolhi-o para leitura da próxima sexta-feira, porque tenho a certeza que vão gostar dele tanto como eu, confesso que gostava que gostassem dele mais do que eu! O livro merece! Depois me dirão!

Não posso terminar sem agradecer à vossa professora o tempo ganho convosco, todas as leituras e aventuras partilhadas pelo amor à palavra.

Beijinhos e muita leitura até ao nosso próximo encontro.
A vossa amiga,

Teresa





terça-feira, 19 de abril de 2011

"Os Livros São Coisas de Pessoas"

Uma vez defendi que ler, ser viciado em livros, devia ser assim como uma espécie de doença contagiosa, mesmo muito contagiosa, sem direito a vacina ou cura definitiva. Aliás a única posologia que conheço contra o vício de ler e a doença dos livros é ler mais do que basta e desejar sempre mais e mais livros.


Aos que dizem não gostar de ler, confesso tenho muita dificuldade em entende-los. Eu, que não consigo passar um dia sem ler, que adoro estar horas em livrarias bisbilhotando prateleiras, umas vezes buscando um livro do qual ouvi falar, outras sendo surpreendida por livros que parecem vir ao meu encontro.


Não sei de receitas para fazer alguém gostar de ler, não gosto de recomendar este ou aquele livro, posso só dizer dos livros e autores que me encantam, porque me encantam e porque não desaparece o encantamento do que li.


Gosto de livros que são lugares lindos! Como os de José Mauro de Vasconcelos.


Eleger o meu mais preferido livro deste autor seria um problema. É que desconheço um livro de José Mauro de Vasconcelos que não me transporte a um mundo de ternura, sensibilidade e beleza. Livros cheios de aventuras, pequenas histórias, descoberta, gente e coisas. Livros que segundo as palavras do próprio, mostram ao comodismo do mundo, um outro mundo desconhecido.


Um mundo onde gostamos de ficar contando estrelas por entre as folhas das árvores, onde nos sentimos vizinhos dos rios, onde aprendemos a fazer o céu.


Livros que cheiram a terra, que ensinam a embelezar a vida,” a olhar as tardes esperando a hora da calma depois de um dia bem remado.”


Livros que tratam árvores como pessoas, que falam de canoas encantadas, de matas repletas de passarinhos multicolores, de noites que lavam estrelas nas águas dos rios, do vento que irrita as águas do mar, que contam histórias de amor como a de Chicão e Joaninha Maresia.


Histórias carregadas de deslumbramento que contam também da dureza da vida, de almas pequeninas e mesquinhas. Histórias que emocionam e que ninguém duvida terem sido escritas com o coração.


“Os livros são coisas de pessoas”, se nos tornam melhores pessoas é discutível, mas os livros de José Mauro de Vasconcelos fazem parte da pessoa que sou!