quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Caminho Marítimo




(...)

Há um caminho marítimo no meu gostar de ti.
Há um porto por achar no verbo amar
há um demandar um longe que é aqui.
E o meu gostar de ti é este mar.

Manuel Alegre

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Todas as coisas mais que nos livros não cabem




(…)

E é tudo tão simples quando se rola a flor entre os dedos!

Os estadistas não sabem,

mas nós, os das flores, para quem os caminhos do sonho

não guardam segredos,

Sabemos isso e todas as coisas mais que nos livros não cabem.”

António Gedeão

domingo, 30 de janeiro de 2011

O Recreio da Escola da Praia


Miró

Esta é uma história pequenina. Passada numa escola também ela pequenina de uma aldeia ainda mais pequenina de um País também ele pequenino chamado Portugal.

A escola pequenina de que falo ficava mesmo ao pé da praia por isso, era por todos conhecida como, a escola da praia. Assim à primeira vista, a escola da praia era igual a todas as escolas, tinha tudo o que era preciso para ser uma escola, meninos, porque sem meninos a escola não existe. E um enorme recreio, sim, a escola era pequenina, mas tinha um enorme recreio, com um enorme Plátano. Para quem não sabe ou porventura já esqueceu, o recreio é o sítio da escola que os meninos gostam mais, os meninos e alguns professores também.

Senão vejamos, onde podemos dar a melhor aula sobre a vida das formigas? No recreio. Qual é o melhor lugar da escola para trabalhar as regras de socialização, a meteorologia, a intensidade do vento, o clima, as cores, os cheiros, os sons…

Qual o lugar da escola com melhor luz para ler, para pintar? Claro, o recreio.

No recreio desta escola por detrás das roseiras que cobrem os canteiros vive uma família de gnomos, um esquilo que adora comer o pão que o padeiro deixa no portão para o pequeno-almoço dos meninos. Uma família de minhocas, abelhas, borboletas, caracóis que deslizam por entre as folhas sobretudo quando chove, como todos sabem os caracóis são grandes apreciadores de passeios à chuva, muitos pássaros, principalmente chapins e gaivotas ou não fosse esta a escola da praia.

Há também um muro onde vivem imensas lagartixas, é assim como uma espécie de condomínio. Os meninos já sabem que durante o Inverno, as lagartixas ficam a dormir, pois detestam frio…

Mas para perceber melhor as estações do ano, basta observar o plátano que fica mesmo no centro do recreio. Quando começam as aulas, as suas folhas ainda estão bem verdinhas e seguras. Aos poucos vão ficando castanhas e chega o dia em que se transformam em pedacinhos de ouro esvoaçando e caindo sobre o chão. Outro dia, olhamos, e o plátano “está careca”. Sabemos que o Inverno está à porta, mas em breve a Primavera se encarregará de voltar a cobrir de folhas os seus ramos, para que nos dias de calor os meninos e os professores que acham o recreio o melhor sítio da escola, possam saborear a fresca sombra. Mas o que o plátano mais gosta é de ver os meninos pendurados nos seus ramos, porque como os meninos o plátano sabe que só do alto dos seus ramos podemos agarrar o vento, tocar o céu, ver melhor o mar…

O recreio da escola da praia é mesmo um lugar maravilhoso. Como de resto são os recreios de todas as escolas. Basta só aproveitar tudo o que oferecem!

domingo, 23 de janeiro de 2011

AS MINHAS JÓIAS...


Gosto de jóias raras, de preferência cheias de pedrinhas de afecto e que adornem por dentro. Jóias que são assim como um nó de ternura, bem dentro do coração. Como alguns dos meus livros, aqueles a que volto sempre e não trocaria por nada de nada!

Livros que fazem parte de mim, que são como amores que ficam para sempre, porque conseguem manter o encantamento de quando os lemos pela primeira vez ou mesmo aumentá-lo, quando a eles voltamos. Livros que nos tornam melhores porque nos mostram o que de melhor há dentro de nós.


E hoje apetece-me falar de uma das jóias mais raras que tenho na minha biblioteca. O primeiro livro que li por mão própria e que me foi oferecido por meu Avô.


Na dedicatória que escreveu o Avô dizia; “… Um grande grande livro, grande à tua medida…” Bom, que é um grande livro não tenho qualquer dúvida, que continua a encher-me as medidas, também não, quanto à minha medida o avô foi sempre exagerado!


A minha jóia mais rara chama-se, O PALHAÇO VERDE, ou o PALHAXO VÊDI; ou ainda, O PALAÇO VEDE, depende da idade que tenhamos e é um livro grande e maravilhoso da escritora, Matilde Rosa Araújo.


O livro fala de um circo magnífico que bem podia ser o circo da vida. Que será sempre mais maravilhoso e fantástico tanto quanto nós queiramos… Os donos deste circo são, Dona Esperancinha e o Senhor Forças, o casal ideal para dirigir um circo. Que circo conseguiria viver sem Forças e Esperancinha? Há ainda a menina Flor, filha dos donos do circo, tão pequena e delicada como são de resto todas as flores que dão cor e perfume à nossa vida. Um cãozinho, castanho e fininho chamado Zero. Juju e o seu cavalinho branco de nome “Luar”, o Senhor Fumo o ilusionista e o Palhaço Verde.


O Palhaço mais maravilhoso e especial que conheço.

(…) Tinha um nariz muito grande e uns olhos que brilhavam como estrelas. E no peito um coração de oiro – os olhos brilhavam como estrelas porque ele tinha um coração de oiro. E as mãos, quando estavam fora das luvas grandes, eram grandes, isso eram, mas meigas e bonitas.

O Palhaço era bom. Sonhava muito. Sonhava que no mundo todos deviam ser bons, alegres, bem dispostos. (…)


Engraçado, que sonhei tantas vezes encontrar um Palhaço como este, ou melhor, pessoas que fossem tal e qual o Palhaço Verde e não é que encontrei!


O livro está cheio de palavras encantadas, mimentas como lhes chamaria a Avó Mila. Leiam-no, deixem-se encantar, ousem sonhar e quem sabe o Palhaço Verde não se torna numa das vossas jóias mais raras e preciosas!


sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Retrato, meu


Eu, no dia 19 de Janeiro, aos olhos da Rita de 3 anos.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Entardecer na e da Excelente Arquitectura Portuense


Num fim de tarde cinzento. Edifícios lindos que ainda vão mantendo o garbo e beleza desta cidade cada vez mais decadente. Dos locais não digo...adivinhem-nos!













sábado, 8 de janeiro de 2011

A Cor dos Abraços




Paul Klee

Às vezes os meninos fazem perguntas surpreendentes, ou melhor, as perguntas dos meninos são sempre surpreendentes, os adultos é que nem sempre “ têm tempo” para se deixar surpreender!

Mas a minha profissão é feita de meninos, por isso nunca persigo o tempo e deixo que ele e os meninos me surpreendam. Como aconteceu ontem quando líamos a história, “O Pequeno Azul e o Pequeno Amarelo”, um livro delicioso da editora Kalandraka.

O livro conta a história de dois pingos de tinta, um azul o outro amarelo, amicíssimos e vizinhos que um dia se abraçam e ficam verdes…

O objectivo principal do livro talvez seja a exploração e aprendizagem das cores e digo talvez, porque o que se lê nem sempre está escrito e mesmo que esteja podemos sempre ler mais, tanto quanto os nossos horizontes o permitam…

E os meninos são tão cheios de horizontes!

Depois de ouvir o que se dizia sobre a história, Rodrigo perguntou intrigado:

- Ó Professora, os nossos abraços são de que cor?

Não vou mentir, já tinha pensado e sentido as cores dos meus abraços.

Por vezes são azuis salpicados de espuma branca, outras, completamente transparentes, e pensei também se um abraço transparente é o que não tem cor, ou se pelo contrário é onde estão contidas todas as cores!

Os meus abraços, são vermelhos quando apaixonados. Verdes se serenos.

Quando o meu abraço muda pra amarelo, ele é tão quentinho! E mais quente ainda se o pinto de cor-de-laranja…

Os abraços brancos são tão leves, parecem flocos de neve. E os castanhos, têm um cheirinho tão bom a terra!

Há quem fuja dos abraços pretos e cinza. Eu misturo-lhes uns pingos de branco e torno-os, leves…

Mas a minha cor de abraços preferida é aquela para a qual ainda não tenho nome mas que sei existe do lado de cá de mim!

E eu que cheguei a pensar que as cores iluminavam a vida, agora tenho dúvidas se não será a vida que ilumina as cores!

Definitivamente, as cores se não forem sentidas não fazem qualquer sentido!

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

APRENDER A SER FELIZ!

Na Semana Real, com as minhas realezas digníssimas!


quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Histórias de Sereias



É doce morrer no mar,
Nas ondas verdes do mar

A noite que ele não veio foi,
Foi de tristeza pra mim
Saveiro voltou sozinho
Triste noite foi pra mim

É doce...

Saveiro partiu de noite, foi
Madrugada não voltou
O marinheiro bonito
Sereia do mar levou.

É doce...

Nas ondas verdes do mar, meu bem
Ele se foi afogar
Fez sua cama de noivo
No colo de Iemanjá

Jorge Amado

domingo, 2 de janeiro de 2011

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

O Tempo

Kandinsky

O Tempo

A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo...
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.

Mário Quintana

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

DEZEMBRO NO MEU JARDIM...

As actividades de Dezembro no meu Jardim de Infância.


domingo, 26 de dezembro de 2010

As minhas caixas de música preferidas !




Cuando estoy triste ..lijo mi cajita de musica
no lo hago para nadie ..solo por que me gusta

hay quien escribe cartas
quien sale a ver la luna
para olvidar ..yo llijo mi cajita de musica.

Amarga es la madera de palo santo..
pero es como el amor ..que no muere y perfuma

Cuando estoy triste lijo mi cajita de musica
pero te vas y vuelves media acabarla nunca

Te espero ..mi tristeza huele a ti y.. es menuda
tengo las manos verdes esta noche de lluvia..

Cuando estoy triste lijo mi cajita de musica ..
no lo hago para nadie ..
solo por que me gusta.





Música del Japón. Avaramente
De la clepsidra se desprenden gotas
De lenta miel o de invisible oro
Que en el tiempo repiten una trama
Eterna y frágil, misteriosa y clara.
Temo que cada una sea la última.
Son un ayer que vuelve. ¿De qué templo,
De qué leve jardín en la montaña,
De qué vigilias ante un mar que ignoro,
De qué pudor de la melancolía,
De qué perdida y rescatada tarde,
Llegan a mí, su porvenir remoto?
No lo sabré. No importa. En esa música
Yo soy. Yo quiero ser. Yo me desangro.
- Jorge Luís Borges