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sábado, 8 de janeiro de 2011

A Cor dos Abraços




Paul Klee

Às vezes os meninos fazem perguntas surpreendentes, ou melhor, as perguntas dos meninos são sempre surpreendentes, os adultos é que nem sempre “ têm tempo” para se deixar surpreender!

Mas a minha profissão é feita de meninos, por isso nunca persigo o tempo e deixo que ele e os meninos me surpreendam. Como aconteceu ontem quando líamos a história, “O Pequeno Azul e o Pequeno Amarelo”, um livro delicioso da editora Kalandraka.

O livro conta a história de dois pingos de tinta, um azul o outro amarelo, amicíssimos e vizinhos que um dia se abraçam e ficam verdes…

O objectivo principal do livro talvez seja a exploração e aprendizagem das cores e digo talvez, porque o que se lê nem sempre está escrito e mesmo que esteja podemos sempre ler mais, tanto quanto os nossos horizontes o permitam…

E os meninos são tão cheios de horizontes!

Depois de ouvir o que se dizia sobre a história, Rodrigo perguntou intrigado:

- Ó Professora, os nossos abraços são de que cor?

Não vou mentir, já tinha pensado e sentido as cores dos meus abraços.

Por vezes são azuis salpicados de espuma branca, outras, completamente transparentes, e pensei também se um abraço transparente é o que não tem cor, ou se pelo contrário é onde estão contidas todas as cores!

Os meus abraços, são vermelhos quando apaixonados. Verdes se serenos.

Quando o meu abraço muda pra amarelo, ele é tão quentinho! E mais quente ainda se o pinto de cor-de-laranja…

Os abraços brancos são tão leves, parecem flocos de neve. E os castanhos, têm um cheirinho tão bom a terra!

Há quem fuja dos abraços pretos e cinza. Eu misturo-lhes uns pingos de branco e torno-os, leves…

Mas a minha cor de abraços preferida é aquela para a qual ainda não tenho nome mas que sei existe do lado de cá de mim!

E eu que cheguei a pensar que as cores iluminavam a vida, agora tenho dúvidas se não será a vida que ilumina as cores!

Definitivamente, as cores se não forem sentidas não fazem qualquer sentido!