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domingo, 5 de fevereiro de 2012

HISTÓRIAS PARA ENCANTAR DE ONDE SAEM FADAS A VOAR








Uma boa história deve produzir em nós o encantamento e maravilhamento! Digo eu, pois a minha profissão vive de histórias. De boas histórias, é que tenho de contá-las aos maiores especialistas em histórias que conheço, os meninos!
Felizmente que há livros de boas histórias.

Histórias que se “recolhem aqui para logo ir contar ali”, como fez o escritor, José Fanha, no seu belíssimo livro,” Histórias para contar em Noites de Luar”.

Deste livro já tinha contado aos meninos, “A Estrela que caiu no Mar”. Adoro esta história, tanto mais que a estrelinha da história tem o nome da minha avó. Mas confesso que é difícil escolher do livro uma história preferida. Todas elas são histórias para contar e encantar em qualquer lugar mesmo que não haja luar!

São também histórias para todos os gostos e idades nas palavras do autor.

E entre um imperador da China, uma máquina que apanha poetas, estrelas do ar e do mar, circos de livros e palavras com domadora à altura, crocodilos, reis, rainhas, príncipes e princesas. Eis que surge uma fada.

(…)
Era linda a fada Florência. Tinha malmequeres no cabelo, tinha asas de libelinha cheias de reflexos e brilhos, tinha olhos cor de mel.

Foi depois de ouvir as palavras com que o autor desenhou a fada que surgiram as fadas dos meninos. A provar que dos livros e das histórias saem muito mais que palavras. Claro está, quando as histórias conseguem produzir encantamento e maravilhamento!


terça-feira, 20 de julho de 2010

O Mar Sobe Ao Céu



O mar sobe ao céu
nas claras manhãs de inverno
soprando um lençol diáfano
de espuma.

O sal vem até nós
com a suave violência
da brancura insuportável.

Hoje é o dia
o momento
a hora inadiável.
Cada dia
é o derradeiro sopro
da flauta da criação.

Vem
por isso
vem
peixe de prata.
Mar de prata.

Tudo é prata
no teu corpo escandaloso
recebendo o beijo lento
desta luz coada
pelos recortes de uma renda grossa
na janela.

José Fanha in Tempo Azul

terça-feira, 23 de março de 2010

Mar…Azul “em abuso de beleza”!




Mar de Vila-Chã, Março de 2010

"Os rios corriam às curvas e curvinhas até chegar ao grande azul para onde entornavam o seu azul fininho que ia fazer com que o azul grande ficasse ainda maior."

"O azul tomou conta de tudo à sua frente."

"(…) viu-se envolvida em azul, um azul frio, transparente e de muitas tonalidades. Era o mar."


José Fanha, in Histórias Para Contar em Noites de Luar



quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

VOTOS DE BOM ANO e o FUTURO



Queria desejar a todos os Amigos e Leitores do meu blogue um novo ano repleto de sucessos e de frutos sumarentos de vida. E que melhor desejo do que colocar aqui um lindíssimo texto de um Enorme Livro, de um Grande livro do José Fanha, "Diário Inventado de Um Menino Já Crescido"!? O texto é adequado à época (será?), ao eterno recomeçar, ao desejo de... É de ler e futurar por mais!
(A gravura de introdução é desse fabuloso site que é o Vladstudio)


O futuro vai chegar um dia destes

"Naquela noite o futuro ia começar. Há que tempos que eu andava à espera dele.Toda a gente dizia que não falhava. O futuro ia chegar sem falta no dia l de Janeiro, ao bater da meia-noite.

Parece que o futuro chega sempre à meia-noite. São manias. Era melhor que fosse de dia. Pelo menos cá para mim era melhor que fosse aí por volta das 11 horas da manhã. Ou mesmo à hora do lanche. Mas tinha de ser de noite. Por isso, paciência... De dia ou de noite, o que interessava é que o futuro chegasse.

Era de noite, portanto. Lá em casa, juntámo-nos todos na sala com garrafas de champanhe e bolo-rei epassas. Toda a gente se ria muito. Eu andava a depenicar frutas cristalizadas e pinhões, até que me mandaram sentar e portar-me bem. E eu portei-me tão bem que adormeci.

Quando acordei, já passava da meia-noite. Bolas! Era mesmo azar. O futuro tinha chegado e eu estava a dormir. Grande parvalhão! Corri à janela para ver como é que era. Olhei para um lado, olhei para o outro e não vi nada. Quer dizer... Não vi nada que se parecesse com o futuro. As casas estavam iguais, a rua estava igual, as pessoas estavam iguais.

Afinal o futuro não tinha chegado. Ou talvez tivesse começado por chegar a outros sítios e ainda demorasse um tempo até chegar à minha rua. Ou então era um futuro tão pequenino que não se via cá de cima da janela de minha casa.

Passados alguns dias, ouvi dizer que o futuro afinal ainda não tinha chegado. Só vinha para o outro ano.

Fiquei um bocadinho triste. Queria muito ver como é que é o futuro. Mas não faz mal. Mais ano menos ano, o futuro há-de chegar. O mundo vai ficar lindo. Cheio de cores e música e perfumes bons. E as pessoas vão desatar a ser boas e simpáticas todas ao mesmo tempo. E ninguém vai precisar de pedir esmola. E toda a gente reparte o pão e os bolos e os bifes e os rebuçados. E desatamos a dançar e a fazer piruetas como trapezistas do circo mais maluco do mundo.

É assim que eu acho que deve ser o futuro. Pode demorar pouco, pode demorar muito a chegar. Não sei. Só sei que não desisto. Tenho a certeza de que um dia o futuro vai chegar. E nesse dia eu vou estar cá para ver."