sábado, 24 de dezembro de 2011

O SEGREDO DO NATAL





It's not the glow you feel
When snow appears
It's not the Christmas card
You've sent for years

Not the joyful sound
When sleigh bells ring
Or the merry songs
Children sing
 
The little gift you send
On Christmas day
Will not bring back the friend
You've turned away

So may I suggest, the secret of Christmas
It's not the things you do
At Christmas time but the Christmas things you do
All year through

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

AMANHÃ VIRÁ A LUA AMANHÃ FARÁ LUAR



amanhã virá a lua
amanhã fará luar
tua vela já flutua
no azul do alto mar

põe no sopro a aventura
de quem anda a navegar
ninguém olha para a fundura
que se afunda no olhar

dá a volta ao mundo inteiro
sem saíres do teu lugar
há quem seja marinheiro
sem maré nem navegar

no teu porto de partida
muita bruma está no ar
só se navega a vida
com a vida a navegar

cada porto de chegada
tem a lua que fizer
faz a lua embarcada
porto novo a quem vier

amanhã é lua cheia
enche o peito de sonhar
dá o canto à sereia
ao seu canto de embalar

dorme dorme sossegado
onda a onda a navegar
cresce a lua deste lado
- amanhã fará luar

Poesia de; Carlos Frias de Carvalho

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

QUASE NATAL...




Depois de um verão que resolveu entrar pelo outono dentro e que nos fez pensar que andávamos com as voltas trocadas. Eis que tudo volta à normalidade e o Natal se aproxima a passos largos… dezembro é sempre um mês pequeno para o muito que há para fazer.

O Natal chega à escola sempre vindo de fora. Normalmente com os catálogos dos brinquedos que vão caindo nas caixas do correio dos pequenos e cuja multiplicidade de escolha não torna nada fácil a escrita da carta ao Pai Natal. 

Nas ruas as luzes conferem às noites um ar festivo e especial. Noites que se querem regadas a chá e chocolate quente e onde o quentinho da lareira sabe tão bem! Aparece a árvore de Natal, o presépio e assim começa em casa e na escola a história de mais um Natal.

Os pequenos contam na sala que em casa já enfeitaram o pinheiro. Para que todos tenham uma ideia da sua árvore de natal resolvem desenhar e nascem no papel árvores mágicas e todas diferentes. O Pai Natal também tem direito a desenhos e é difícil eleger um preferido.

Chegam também amigos para falar das tradições de Natal de outras bandas…

Mães que ensinam a fazer pão doce e presépios…

Amigos que contam a verdadeira história de Natal e outras…

Os pais que enchem de poesia o pinheiro de Natal que está mesmo na entrada da escola. Pinheiro onde todos foram convidados a deixar um poema ou mensagem solidária…

Os cartões que escrevemos para os amigos…

A ida ao cinema para ver a história do ursinho Pooh…

O musical “A cigarra e a Formiga”…

E o enorme saco de presentes que o Pai Natal deixou cair mesmo em cima do telhado da nossa sala…

Quando regressarem em janeiro os meninos terão certamente muito que contar mas na escola, o Natal só volta para o ano!

domingo, 18 de dezembro de 2011

BRINQUEDOS EXTRAORDINÁRIOS




Eugenia Gapchinska
 





Esperava ansiosamente a manhã para poder partir rumo ao Porto no primeiro comboio.

Era sempre assim, perto do Natal eu acompanhava meu Avô até à cidade invicta para juntos percorrermos várias livrarias.

Todos achavam mais normal que eu quisesse entrar em lojas de brinquedos, mas não, eu nunca me interessei muito por brinquedos. Bom, sempre gostei de legos, mas os meus brinquedos preferidos sempre foram livros e foi o meu Avô Miguel que me ajudou a descobrir que os livros são os brinquedos mais extraordinários que existem.

Quem gosta de ler sabe porquê! 

O Avô escolhia livros para ele e para os amigos e eu divertia-me a soltar as folhas dos livros que me acompanhariam no regresso a casa. Nem todos é certo. Essa era sem dúvida a pior parte, ter de deixar alguns para trás era sem dúvida horrível. Eu percebia que não podia trazer todos, mas achava injusto que assim tivesse de ser!

O meu sonho era um dia entrar numa livraria e comprar todos, mas todos mesmo, os livros que me apetecessem!

Eu acredito que mais tarde ou mais cedo todos os sonhos se concretizam, é só uma questão de tempo e o tempo de concretização deste meu sonho aconteceu na sexta-feira.

Havia já algum tempo que a minha amiga Clara me tinha pedido que a acompanhasse à Salta-Folhinhas.

A Salta-Folhinhas é uma dessas livrarias onde só existem livros.

Sim porque a maioria das livrarias além de terem poucos livros interessantes, têm várias coisas que não interessam nada para quem gosta realmente de ler!

Na livraria da Teresa, (o nome da dona da livraria é só mais uma coincidência), também se passam coisas interessantes.

Há leituras para e com Pais, leituras para Pais e Filhos, para Professores, com e sem Autores e também por lá passam muitos Contadores! Mas o que mais há na Salta-Folhinhas, são Livros, muitos Livros dos bons!

Dizia eu que a Clara me tinha pedido que a acompanhasse, o Agrupamento tinha uma verba para gastar em livros e segundo a Clara eu era a pessoa certa para a ajudar!

Chegamos à livraria por volta das duas da tarde debaixo de uma chuva torrencial e gélida!
A Teresa depois de nos receber com a sua habitual simpatia, pediu licença para ir comer qualquer coisa deixando completamente a livraria por nossa conta.

Eu ia escolhendo os livros e fazendo montinhos à minha volta, a verdade é que eu sabia todos os que queria trazer…

Quando me levantei e olhei a pilha que formava já um castelo em meu redor pensei que mais uma vez estava a exagerar, mas não, a Clara disse-me que podia continuar.

Eu nem queria acreditar no que ouvia!

Pois se eu já tinha escolhido quase cem livros!

Não me fiz rogada, continuei nas prateleiras em busca de mais brinquedos extraordinários e comecei a imaginar os olhos de espanto dos meninos quando alguém lhes lesse o que estava dentro…

Na verdade também imaginei o quanto me deixaria eu encantar quando os lesse, para depois conseguir encantar quem me ouvisse. E de como gostaria de encontrar um livro mágico que a todos fizesse gostar de ler e descobrir tudo o que pode sair de um livro!

A tarde passou num ápice, no fim tínhamos três enormes caixas de livros que eram assim como que três caixas de tesouros que vão tornar mais ricos todos os que ousarem lê-los!

A Clara não sabe que sem querer me ofereceu a melhor prenda de Natal que alguma vez tive.

É certo que para casa só trouxe um livro, mas quando penso que todos aqueles livros vão fazer parte da biblioteca da minha escola que todos os meninos vão poder mexer-lhes o maravilhamento apodera-se de mim!

O Avô haveria de ficar contente se pudesse contar-lhe!





                                           

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

PRENDA DE NATAL

    postais de natal feitos pelos meninos


Dou-te um pão
e uma flor,
dou-te um búzio
e um beijinho.
Dou-te uma canção
de amor
e um peixe pequenino.
Outro beijo
e uma estrela,
uma história
de encantar,
e um navio azul
para poderes viajar.
Abre as mãos!
Abre os olhos
e o coração
neste dia
e atravessa
também
nossa ponte de alegria.
Esta praia,
esta margem,
são um lugar
construído,
onde pode ancorar
todo o sonho
prometido.
Os da terra
e os do mar
juntos
na mesma sede,
os reis, os pescadores
puxando
a mesma rede.
Leva o beijo,
leva a estrela,
leva também o sonho
e um sorriso contente.
E pede ao Menino Jesus
que fique entre nós
para sempre.


Maria Rosa Colaço




domingo, 11 de dezembro de 2011

HISTÓRIA DE UM MENINO QUE NASCEU DENTRO DE UM LIVRO

Desenho feito pelo Gonçalo

            
 

Fechou o livro que estava a ler.

Não que não lhe apetecesse continuar a lê-lo, antes pelo contrário, quando gostava muito de um livro ela fechava-o de quando em vez e ficava quietinha. Era como se as palavras que acabara de ler fossem como chuva miúda que se vai entranhando lentamente no corpo refrescando-o.

Ela sempre fora apreciadora de chuva de palavras, daquelas palavras que ficam horas, dias e mesmo para sempre a bailar cá dentro.

O livro falava de um menino. Um menino que talvez nem existisse. Um menino que talvez só existisse porque depois do que acabara de ler ela quisesse muito que assim fosse!

Das histórias ela sabia que nem todas acabam bem. Também nem todas precisam acabar mal. Pessoalmente não apreciava as que terminavam assim-assim. As suas preferidas eram sem dúvida as histórias que não existiam. Ou quando muito só existiam dentro da sua cabeça!

Por isso fechara o livro e agora o menino da história era só aquele que ela quisera que fosse.

Um menino com um sorriso que ela nunca vira antes, um sorriso igual ao sol que ela costumava ver acordar devagar a praia e dourar de calor cada grãozinho de areia. Nos seus olhos havia sempre estrelas a brilhar mesmo que não tivesse chegado ainda a noite ou o céu estivesse carregado de nuvens. Da sua boca saiam palavras encantadas que tinham a cor da lua cheia e com as quais aquecia de ternura os corações de todos os que o conheciam. Dos seus cabelos feitos de espuma do mar saltavam peixes para o infinito. E das suas mãos soltavam-se conchas a cada gesto que iam traçando mapas pela beira do mar.

Atrevera-se a desenhá-lo na areia embora sabendo de antemão que uma onda o levaria…

Mas isso que importava se de dentro dela jamais alguém o levaria!

                                                

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

CORAÇÃO VAGABUNDO



Meu coração não se cansa
De ter esperança
De um dia ser tudo o quer
Meu coração de criança
Não é só lembrança
De um vulto feliz de mulher
Que passou por meus sonhos
Sem dizer adeus
E fez dos olhos meus
Um chorar mais sem fim
Meu coração vagabundo
Quer guardar o mundo em mim
Meu coração vagabundo
Quer guardar o mundo em mim

Caetano Veloso

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

PÁSSARO SELVAGEM

                                                                     Nadir Afonso

 
Eu morrerei.
E nos outros serei a recordação
dum grande pássaro selvagem
que bateu as asas
longamente...
longamente...
Enquanto se ouvir
o eco das minhas asas,
terei a vida das aves

Isabel Meyrelles
In ‘Palavras Noturnas e Outros Poemas’