quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Estados do tempo que ficam cá dentro


Hoje a escola estava embrulhada em fumos!
Mas não eram fumos de fogueiras!
Eram bocadinhos de nuvens que fugiram do céu e caíram mesmo em cima da escola. E ela ficou vestida com um vestido de nuvem!


(Registo de uma conversa dos meninos esta semana numa manhã de nevoeiro.)





quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Deixa-me seguir para o mar ...



Deixa-me seguir para o Mar
Tenta esquecer-me... Ser lembrado é como
evocar-se um fantasma... Deixa-me ser
o que sou, o que sempre fui, um rio que vai fluindo...


Em vão, em minhas margens cantarão as horas,
me recamarei de estrelas como um manto real,
me bordarei de nuvens e de asas,
às vezes virão em mim as crianças banhar-se...


Um espelho não guarda as coisas refletidas!
E o meu destino é seguir... é seguir para o Mar,
as imagens perdendo no caminho...
Deixa-me fluir, passar, cantar...
toda a tristeza dos rios
é não poderem parar!

Mário Quintana

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Vila Chã...Meus Olhos de Fim-de-Tarde

Estou aqui...mas os olhos de fim-de-tarde continuam naquela lindo mar de fim-de-tarde de Vila Chã, no amanhecer das gaivotas da lota de Vila Chã, nos olhos rasos marítimos mistérios dos meus meninos de Vila Chã.
Este trabalho tão lindo do meu metade-de cara-de vida, de sentidos. Ele sabe que, como lancha em mar alto, a minh'alma balouça naquela terra Para Sempre. Um dos melhores anos da minha vida pessoal e profissional.


domingo, 10 de outubro de 2010

Longe, Muito longe daqui

Procuro-te …
No vento que me afaga os cabelos
No sol que doura a minha pele
No sal do Mar
Na espuma das ondas que se espraiam mansamente na areia
Nas conchas que enfeitam a beirada
No cheiro a maresia.
Procurei-te por toda a parte
Talvez estejas longe, muito longe daqui…
Mas que importa a distância
Se hei-de sempre sonhar-te!

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Adormecer de lágrimas e luar...



Quem tivesse um amor, nesta noite de lua,
para pensar um belo pensamento
e pousá-lo no vento!


Quem tivesse um amor - longe, certo e impossível -
para se ver chorando, e gostar de chorar,
e adormecer de lágrimas e luar!


Quem tivesse um amor, e, entre o mar e as estrelas,
partisse por nuvens, dormente e acordado,
levitando apenas, pelo amor levado...

Quem tivesse um amor, sem dúvida e sem mácula,
sem antes nem depois: verdade e alegoria...
Ah! quem tivesse... (Mas, quem teve? quem teria?)

Cecília Meireles

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Era uma vez um País...

Era uma vez um País onde os meninos eram cada vez mais velhos.

E os velhos, esses, cada vez menos meninos.

Era uma vez um País cheio de Mar sem horizontes.

Um País de Poetas de quem só muito poucos conheciam os nomes.

Era um País de muitos pinheiros verdes que alguns insistiam em vestir de negro.

Era um País de Homens sábios mas onde só os sabichões apareciam com frequência.

Era uma vez um País belo cheio de sol, um País onde é ainda permitido sonhar!


domingo, 3 de outubro de 2010