Mostrar mensagens com a etiqueta Estados d'Alma. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Estados d'Alma. Mostrar todas as mensagens

domingo, 14 de outubro de 2012

AINDA QUE...





Ainda que o dia
tenha começado
a chuva
e o vento norte
não leve para longe
a raiva e a tristeza
que me vestem a alma…

Agora que o fogo
da tarde se apaga
regresso a casa
com o mar enrolado nos cabelos
e o pôr do sol no vestido.


domingo, 1 de abril de 2012

VOO NOTURNO




Acreditava que ao fim da tarde o sol mergulhava nas águas para iluminar a vida das sereias e os seus belos jardins…

Sozinha na beirada apreciava o voo livre e silencioso das gaivotas, o vaivém  manso das ondas que remexiam as areias como que acomodando o sono às conchas.

Na praia começava a respirar-se a noite e ela experimentava mais uma vez um estado de alma tão raro…

terça-feira, 22 de novembro de 2011

O PEIXE-PÁSSARO

                                                                            AnaAnjos

Olhou pela janela…

Tinha saudades do mar!

O céu azul fazia aumentar-lhe as saudades…

Ao pé do mar o céu é sempre maior e mais azul. Pensou. 

Mas por mais que tentasse não conseguia chegar à sua praia, o mar estava longe, tão longe que nem no búzio que tinha pousado na sua secretária conseguia ouvi-lo!

Se ao menos conseguisse ouvir o Chapim azul que costumava aparecer no jardim da escola da praia. Às vezes era surpreendida pelo seu canto… gostava até de pensar que era um poeta que a visitava e do alto do arbusto mais despido do jardim lhe ensinava palavras que nem sonhava existirem.

Só na primavera percebeu porque se tornava no mais belo o arbusto mais despido do jardim. Certamente seria por causa das palavras do poeta, quer dizer do pássaro!

Estava quase a sair da janela, mas não, não era possível, o que viam os seus olhos?!

Um enorme Peixe-Pássaro voava mesmo à sua frente! Agora sim, ouvia finalmente o MAR.

domingo, 10 de julho de 2011

Lugares do Meu Mundo


Nos dias em que queremos esquecer o mundo ou este parece ter-se esquecido de nós é bom saber de lugares que são assim como uma concha, lugares onde nos sentimos protegidos e onde procuramos formas de suavizar a vida.
Felizmente ela sabia de vários lugares assim…
Às vezes bastava-lhe um sopro de vento, um acorde de pássaro, uma praia vazia, um respirar de estrelas, um olhar sobre o rio e tudo o resto deixava de ter importância.
Mas o seu lugar preferido era sem dúvida a sua varanda virada para o Douro, agora que o Verão chegara a trepadeira que a envolvia estava cheia de flores lilás que exalavam um perfume nocturno, flores que preferem a luz da lua e o brilho das estrelas, talvez perfumem a noite aos grilos e ralos que cantam em seu redor.
Noutras noites as águas do rio parecem abraçar-se ao céu e as estrelas aproveitam para poder banhar-se, mas hoje o céu está negro e as estrelas vestidas de nuvens, não esta noite não virão banhar-se no rio, mas ela ficará ali, vai esperar a chegada do sol!

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Silêncios


Por entre os lençóis olhou a árvore que nascia na sua janela, nem uma folhinha mexia.

Conseguia ver ainda o imenso azul do céu, o sol começava a colorir o dia.

Levantou-se rapidamente, afinal decidira ficar na praia porque queria silêncios…

Silêncios de espuma, de conchas, de caranguejos…

Quando menina, às vezes procurava silêncios de formigas nos troncos das árvores do jardim, outras, silêncios de vento, de estrelas…

Achava-se até perita na descoberta de silêncios. Por isso gostava tanto da praia nesta altura do ano, completamente vazia de gente e cheia, cheiinha de silêncios!

Esta manhã o mar distava da praia mais que habitualmente, a maré estava bem baixa, podia passear livremente nos jardins que o mar deixara a descoberto e encantar-se mais uma vez com as descobertas que fazia. Era sempre assim. Quando andava nos jardins do mar perdia por completo a noção de tempo, só lhe interessava que à frente dos seus olhos estava um mar a perder de vista e aos seus pés outro tanto para explorar!

Trazia sempre os olhos cheios de maravilhas e os bolsos cheios de conchas! Não conseguia resistir a apanhar conchinhas na beirada. Sabia os sítios onda a maré deixa as conchas mais raras e belas e ficava horas catando búzios, beijinhos do mar e pedrinhas polidas ao sabor das ondas… E pensava que a liberdade também é feita de mar, conchas, areia, sol, silêncios…


segunda-feira, 28 de março de 2011

Farta de Voar



Não sabia explicar o que lhe estava a acontecer, acordara sem vontade nenhuma de voar!
Pode parecer esquisito, ela era afinal uma gaivota, e toda a gente sabe que as gaivotas têm asas e voam! E ela até era daquelas gaivotas que só descem das nuvens quando tinha mesmo que ser! Mas hoje decidira que não voaria! Estava cansada de fazer sempre a mesma coisa!
Hoje ficaria na praia ou melhor, acabara de ter uma ideia!
Ficar na praia também era uma coisa que costumava fazer muitas vezes e hoje decidira que não seria gaivota… por isso, não voaria nem andarilharia pela praia. Hoje mergulharia no mar imenso. Apetecia-lhe descobrir se no fundo do mar também já era Primavera. Mergulharia nas águas rumo aos jardins do mar, quem sabe descobriria ainda uma gruta atapetada de algas macias e perfumadas …
Na praia" o vento ensinava o mar a voar!"