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sexta-feira, 22 de junho de 2012

RODA DE SORRISOS


Rolam sorrisos
pelo ar pelo chão
rolam sorrisos
ao toque da mão.
Sorrisos luminosos
empurrados de vento
sorrisos tão leves
de encantamento...
Brisas perfumadas
que o tempo não quebre.
Para que sempre feliz
seja a vida breve.


quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Romancinho Verde


Veio primeiro uma menina

Que lindo nome ela tinha!

Chamava-se ela Maria

Era bela e pequenina!

Veio primeiro uma menina

Veio descendo até à praia,

Tinha uma saia de espuma

Era branca a sua saia.

Veio primeiro uma menina

Cor de cravo o corpetinho,

Veio descendo até à praia

A andar devagarinho.

Veio primeiro uma menina

Veio descendo até ao mar,

Pés descalços sobre a areia

Levezinho o seu pisar.

E veio depois um rapaz

Que Manuel se chamava,

Veio descendo até à praia

Onde Maria já estava.

E veio depois um rapaz

De calças de cor dos montes,

Sua camisa tão branca

Lembrava água das fontes.

E veio depois um rapaz

Com modos de namorado,

E disse manso à menina:

-É tão linda a cor do cravo!

E a menina sorrindo

Parecia uma pomba a voar:

- Ó Rapaz da minha terra

É tão lindo o teu falar!

E o rapaz também sorriu

Sorriu, estendeu-lhe a mão,

E disse manso à menina:

Tu dás-me o teu coração?

E a menina abriu os braços

Para o rapaz abraçar:

Cor de cravo e água branca

Em frente do verde mar.


Matilde Rosa Araújo

domingo, 7 de novembro de 2010

OS MENINOS...


OS MENINOS


Os Meninos em si são flores

Flores doces mornas vindas de uma ilha de Sol

Suas casas no chão dobradas

Obscenas feridas na cidade meninos flores no chão

E vossas mãos tão meigas tão pequenas

Vossos olhos flores incendiadas de ternura ausente

Doce violento perdão lhes assiste

Meninos de olhar de tocar milagrinhos de infância sofrida

Incêndios do dia em casas nocturnas

E os olhos dos meninos estão tão abertos

Matilde Rosa Araújo



sábado, 30 de outubro de 2010

A Tarde Diluía-se nas Águas

(mar de Vila-Chã, tarde de 28-10-2010)


Enrolava ondas a alegria
de uma doçura suave
que, muito devagar, anoitecia.

Nos molhes só estrondeava o rosa.
Ou súbita rosácea repetida
iluminava, momentânea, a sombra
que a tarde retinha ainda.

E as águas recolhiam vagarosas
a noite a iluminar-se na retina.

Fernando Echevarría

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Estados do tempo que ficam cá dentro


Hoje a escola estava embrulhada em fumos!
Mas não eram fumos de fogueiras!
Eram bocadinhos de nuvens que fugiram do céu e caíram mesmo em cima da escola. E ela ficou vestida com um vestido de nuvem!


(Registo de uma conversa dos meninos esta semana numa manhã de nevoeiro.)