quinta-feira, 14 de junho de 2012

PALAVRAS IMPOSSÍVEIS AO DESENHO





Na tentativa de dizer-te do quanto te quero
desenhei mil palavras.

Desenhei, apaguei, amarrotei as folhas…
Nenhuma me encheu as medidas.

Na verdade o desenho nunca foi o meu forte.

E enquanto risco e apago
chegas e abraço-te…

E como por magia digo sem dizer tudo o que queria.

E na folha de papel
estão agora as palavras que ao desenho pareciam impossíveis!

domingo, 10 de junho de 2012

OS MEUS GATOS...




E UM POEMA DE VINICIUS DE MORAES,

 GATOS


Com um lindo salto
Leve e seguro
O gato passa
Do chão ao muro
Logo mudando
De opinião
Passa de novo
Do muro ao chão
E pisa e passa
Cuidadoso, de mansinho
Pega e corre, silencioso
Atrás de um pobre passarinho
E logo pára
Como assombrado
Depois dispara
Pula de lado
Se num novelo
Fica enroscado
Ouriça o pêlo, mal-humorado
Um preguiçoso é o que ele é
E gosta muito de cafuné


Com um lindo salto
Leve e seguro
O gato passa
Do chão ao muro
Logo mudando
De opinião
Passa de novo
Do muro ao chão
E pisa e passa
Cuidadoso, de mansinho
Pega e corre, silencioso
Atrás de um pobre passarinho
E logo pára
Como assombrado
Depois dispara
Pula de lado
E quando à noite vem a fadiga
Toma seu banho
Passando a língua pela barriga


sexta-feira, 8 de junho de 2012

CREPÚSCULO SOLITÁRIO




Vento di mar
Trazê'me um cretcheu
Ness detardinha
Di ceu nublado
Um tchuva d'amor
Podé fazê flori
Um coração
Quemode di paixão

Na patamar
Dum vida singela
'M contemplá
Dona felicidade
Nem um olhar
'M encontrá
Num multidão
Tão solitária

Ja tem gente
Gente até demas
Qu'tita sofrê
Na solidão
Ja tem gente
Qu'ta quase to morré
Na luz cadente
Dum crepúsculo

Ja tem gente
Gente até demas
Qu'tita sofrê
Na solidão
Ja tem gente
Qu'ta quase to morré
Na luz cadente
Dum crepúsculo

quarta-feira, 6 de junho de 2012

PARA QUANDO APETECE SER BARCO




                                                                     SOU BARCO

Sou barco abandonado
Na praia ao pé do mar
E os pensamentos são
Meninos a brincar.

Ei-lo que salta bravo
E a onda verde-escura
Desfaz-se em trigo
De raiva e amargura.

Ouço o fragor da vaga
Sempre a bater ao fundo,
Escrevo, leio, penso,
Passeio neste mundo
De seis passos
E o mar a bater ao fundo.

Agora é todo azul,
Com barras de cinzento,
E logo é verde, verde
Teu brando chamamento.

Ó mar, venha a onda forte
Por cima do areal
E os barcos abandonados
Voltarão a Portugal.


António Borges Coelho




terça-feira, 5 de junho de 2012

A HORTA QUE NASCEU NA VARANDA PORQUE NÃO TEVE AUTORIZAÇÃO PARA NASCER NO RECREIO




Se é verdade que todas as casas devem ter uma varanda e muitas, muitas janelas, deviam também ter um quintal.

Agora o que nem passa pela cabeça é uma escola sem recreio!

E no recreio os meninos deviam fazer tudo, mas tudo o que se pode fazer num recreio. Pena que às vezes aparecem uns quantos adultos que decidem vá-se lá saber porquê, que os recreios são para usar pouco! Quer dizer, de preferência usar quase nada, que pode estragar!

Mandam colocar árvores muito bonitas, arbustos exóticos e semear relva, mas já decidiram que ninguém pode trepar às árvores nem pisar a relva e ai do professor que sonhe sequer alterar a estética do jardim.

Uma horta no recreio?! Mas é que nem pensar!

Mas a Professora era teimosa! Quando se trata de boas causas que fique claro!

E ela e os meninos tinham decidido depois da visita à horta do Sr. Abílio e da Dona Matilde, que teriam uma horta nem que fosse na varanda!

Compraram tudo o que é necessário e puseram mãos à obra.

Depois de preparada a terra semearam feijões e alfaces. Plantaram couves, tomates, abóboras e até um manjerico.

Depois de tudo regado os vasos foram colocados na varanda e os meninos transformaram-se em autênticos guardiões da horta observando ao milímetro o trabalho da natureza. 

Os feijões já têm flor e tal como os tomateiros tiveram de ser estacados.
Os meninos acharam graça quando a professora lhes disse que há legumes que tal como eles também gostam de trepar! 

A horta está um mimo e quem sabe os meninos ainda consigam durante este ano letivo provar os legumes da horta da varanda em salada ou sopa!

Para os que duvidaram que a professora e os meninos fariam uma horta na varanda aqui ficam as fotos!


domingo, 3 de junho de 2012

TEMPO PARA LER O MAR





Tinha até perdido a conta ao tempo que estava à janela olhando o mar.

O mar. Sempre o mar a levá-la para longe… os seus longes!

Desde pequena, quando não estava ainda autorizada a vagar sozinha pela praia que aprendera a abrir a janela, umas vezes para deixar entrar a maresia, outras para impregnar-se do seu perfume. E nas tardes em que a nortada cantava despenteando o mar e a areia, tentava igualar o voo das gaivotas soltando ao vento os cabelos e preparando a descida ao profundo das águas…

De volta à superfície aportava na sua ilha, ilha que só existia no mapa da imaginação e onde estendida na areia ficava como concha abandonada misturada com os véus de espuma tecidos pelas ondas.

Longe de tudo. Só ela e tanto mar para ler!