quarta-feira, 27 de abril de 2011

Coisas que não mudam à nossa volta



Sempre que regressava à escola depois das férias, Dona Regina a minha professora depois de Dona Laura, pedia que escrevêssemos sobre o que tínhamos feito, o que tínhamos gostado mais ou não…

Devo dizer que considerava tal pedido desprovido de imaginação e até um acto de pura coscuvilhice. Lembro que fiquei até sem recreio durante uns tempos porque num desses escritos confessei ingenuamente, que o mais aborrecido das férias tinham sido os trabalhos de casa, dez cópias, escrever vinte vezes as tabuadas, outras tantas vezes os verbos e mais umas tantas tarefas sem préstimo. Aprendi naquela altura que a sinceridade tem custos!

Dona Regina ficou indignadíssima com a minha rebeldia, chegou a perguntar-me que trabalhos de casa sugeria eu, mas antes que tivesse tido tempo de responder-lhe fez valer a sua autoridade e talvez com receio de outras sublevações tirou-me o recreio!

Volvidos estes anos, penso que ainda bem que Dona Regina não me deu tempo de sugerir outros trabalhos de casa, ela nunca iria entender-me e o meu castigo quadruplaria!

Como iria ela entender que as férias são óptimas para ficar quietinha a ser. Que os melhores trabalhos são: muito baloiço, muitos passeios nas nuvens, muitas árvores para trepar, muitos livros para ler, muitos castelos no ar para fazer… NÃO, EU NUNCA IRIA CONSEGUIR QUE DONA REGINA ME ENTENDESSE.

Sem surpresa verifico que Dona Regina, ficaria feliz por saber que hoje em pleno séc. XXI, persistem os fervorosos adeptos dos seus trabalhos de casa e das suas composições pós férias.

Trabalhos rotineiros sem margem para exercitar a imaginação, trabalhos que não fazem voar, não deixam sonhar e não ajudam a crescer.

Ontem quando regressamos à escola pedi aos meninos que contassem o que não fizeram nas férias!

terça-feira, 26 de abril de 2011

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Liberdade feita de flores e sonhos... sempre que quisermos.


sexta-feira, 22 de abril de 2011

O BOM DIA QUE FAZIA



Tinha razão a meteorologia.


O dia acordara cheio de nuvens carregadas de muito cinzento, que choveria era quase certo, aparentemente o dia não convidava a passeios, mas tinha decidido caminhar pela praia.


Sabia que a praia seria só sua.



Ninguém aparece na praia quando chove, quando há neblina e vento. Mas ela sabia que estes podem ser os melhores dias, sobretudo se gostamos de caminhar empurrados pelo vento, ouvindo o grito do mar ecoar pela praia e misturar-nos com a chuva morna.



Com um pouco de sorte, o sol romperia por entre as nuvens e um enorme arco-íris cairia sobre a praia colorindo-a e explicando o bom dia que fazia dentro dela sem razão!


terça-feira, 19 de abril de 2011

"Os Livros São Coisas de Pessoas"

Uma vez defendi que ler, ser viciado em livros, devia ser assim como uma espécie de doença contagiosa, mesmo muito contagiosa, sem direito a vacina ou cura definitiva. Aliás a única posologia que conheço contra o vício de ler e a doença dos livros é ler mais do que basta e desejar sempre mais e mais livros.


Aos que dizem não gostar de ler, confesso tenho muita dificuldade em entende-los. Eu, que não consigo passar um dia sem ler, que adoro estar horas em livrarias bisbilhotando prateleiras, umas vezes buscando um livro do qual ouvi falar, outras sendo surpreendida por livros que parecem vir ao meu encontro.


Não sei de receitas para fazer alguém gostar de ler, não gosto de recomendar este ou aquele livro, posso só dizer dos livros e autores que me encantam, porque me encantam e porque não desaparece o encantamento do que li.


Gosto de livros que são lugares lindos! Como os de José Mauro de Vasconcelos.


Eleger o meu mais preferido livro deste autor seria um problema. É que desconheço um livro de José Mauro de Vasconcelos que não me transporte a um mundo de ternura, sensibilidade e beleza. Livros cheios de aventuras, pequenas histórias, descoberta, gente e coisas. Livros que segundo as palavras do próprio, mostram ao comodismo do mundo, um outro mundo desconhecido.


Um mundo onde gostamos de ficar contando estrelas por entre as folhas das árvores, onde nos sentimos vizinhos dos rios, onde aprendemos a fazer o céu.


Livros que cheiram a terra, que ensinam a embelezar a vida,” a olhar as tardes esperando a hora da calma depois de um dia bem remado.”


Livros que tratam árvores como pessoas, que falam de canoas encantadas, de matas repletas de passarinhos multicolores, de noites que lavam estrelas nas águas dos rios, do vento que irrita as águas do mar, que contam histórias de amor como a de Chicão e Joaninha Maresia.


Histórias carregadas de deslumbramento que contam também da dureza da vida, de almas pequeninas e mesquinhas. Histórias que emocionam e que ninguém duvida terem sido escritas com o coração.


“Os livros são coisas de pessoas”, se nos tornam melhores pessoas é discutível, mas os livros de José Mauro de Vasconcelos fazem parte da pessoa que sou!


domingo, 17 de abril de 2011

Pequena Dor




A tua pequena dor
quase nem sequer te dói
é só um ligeiro ardor
que não mata mas que mói

é uma dor pequenina
quase como se não fosse
e como uma tangerina
tem um sumo agridoce

de onde vem essa dor
se a causa não se vê
se não é por desamor
então é uma dor de quê?

não exponhas essa dor
é preciosa é só tua
não a mostres tem pudor
é o lado oculto da lua

não é vicio nem costume
deve ser inquietação
não há nada que a arrume
dentro do teu coração

talvez seja a dor de ser
só a sente quem a tem
ou será a dor de ter
a dor de ir mais além

certo é ser a dor de quem
não se dá por satisfeito
não a mates guarda bem
guardada no fundo do peito.


segunda-feira, 11 de abril de 2011

Silêncios


Por entre os lençóis olhou a árvore que nascia na sua janela, nem uma folhinha mexia.

Conseguia ver ainda o imenso azul do céu, o sol começava a colorir o dia.

Levantou-se rapidamente, afinal decidira ficar na praia porque queria silêncios…

Silêncios de espuma, de conchas, de caranguejos…

Quando menina, às vezes procurava silêncios de formigas nos troncos das árvores do jardim, outras, silêncios de vento, de estrelas…

Achava-se até perita na descoberta de silêncios. Por isso gostava tanto da praia nesta altura do ano, completamente vazia de gente e cheia, cheiinha de silêncios!

Esta manhã o mar distava da praia mais que habitualmente, a maré estava bem baixa, podia passear livremente nos jardins que o mar deixara a descoberto e encantar-se mais uma vez com as descobertas que fazia. Era sempre assim. Quando andava nos jardins do mar perdia por completo a noção de tempo, só lhe interessava que à frente dos seus olhos estava um mar a perder de vista e aos seus pés outro tanto para explorar!

Trazia sempre os olhos cheios de maravilhas e os bolsos cheios de conchas! Não conseguia resistir a apanhar conchinhas na beirada. Sabia os sítios onda a maré deixa as conchas mais raras e belas e ficava horas catando búzios, beijinhos do mar e pedrinhas polidas ao sabor das ondas… E pensava que a liberdade também é feita de mar, conchas, areia, sol, silêncios…


domingo, 10 de abril de 2011

Montanha Mágica


Eis como os meninos conseguem transformar um simples monte de areia, numa verdadeira... MONTANHA MÁGICA !

sábado, 2 de abril de 2011

Prender o Vento





Catch The Wind

In the chilly hours and minutes
Of uncertainty
I want to be
In the warm hold of your lovin' mind.

To feel you all around me
And to take your hand
Along the sand,
Ah, but I may as well try and catch the wind.

When sundown pales the sky
I want to hide a while
Behind your smile,
 And everywhere I'd look, your eyes I'd find.

For me to love you now
Would be the sweetest thing,
'T would make me sing,
Ah, but I may as well try and catch the wind.

Diddy di dee dee diddy diddy,
Diddy diddy diddy dee dee dee.

When rain has hung the leaves with tears
I want you near to kill my fears,
To help me to leave all my blues behind.

For standin' in your heart
Is where I want to be
And long to be,
Ah, but I may as well try and catch the wind.

Ah, but I may as well try and catch the wind.