quinta-feira, 3 de novembro de 2011

LIVROS PARA ENCANTAR E DESASSOSSEGAR


De tudo o que tenho lido e ouvido sobre a leitura no jardim-de-infância e de como se formam leitores tenho opinião e estratégias que sigo na minha prática pedagógica. Para mim a leitura faz parte da rotina diária da sala de aula por isso a semana da leitura ou o mês da leitura fazem tão-somente parte de um ano repleto de leituras.

A minha prática pedagógica ensinou-me que desde muito cedo se pode despertar a curiosidade nos pequenos pelos livros e pelas palavras.

A sala de aula é o local privilegiado para o contacto com os livros, não podemos esquecer que alguns meninos só aí têm livros e que através deles conseguimos por vezes o milagre de pôr o resto da família a ler.

Basta um bocadinho de empenho e temos as famílias a partilhar leituras na sala de aula. Já me vi embrulhada em “rodas de leitura”, saraus de poesia, chás cafés e laranjadas com livros, tudo organizado pelos pais dos meninos a quem os livros despertam fascínio e sugerem caminhos.

Pensar sobre o que foi lido e manifestar opinião é um comportamento típico de quem lê e vale para toda a vida. Por isso quando lemos um livro na sala de aula nunca devemos ignorar as opiniões das crianças, não devemos impor a nossa perspectiva sobre o lido.

Variar o modo de ler é importante, mas não devemos nunca esquecer que a leitura precisa de um livro.

Na sala de aula os livros devem ser muitos e os géneros vários sem nunca esquecer a qualidade literária.

“ Os livros são um caminho óptimo para ampliar o universo cultural dos pequenos, porque permitem entrar em contacto com situações desconhecidas.”

Pessoalmente não acredito na tese dos livros específicos para crianças nem na chamada literatura para a infância.
Os livros não têm idade, vivem do fascínio de quem os lê e de quem se deixa fascinar por eles.

Um bom livro é aquele que encanta, desassossega, deixa raízes e asas e cujas palavras moram em nós para sempre, mesmo que não saibamos explicar porquê!

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

PORQUE É OUTONO...



"...Só é outono porque as árvores querem mudar de roupa!"

                                                                    Rafael- 4 Anos

terça-feira, 25 de outubro de 2011

SONHOS EM PACOTINHOS


Os sonhos de que falo nascem em pacotinhos de leite.
O leite que desde há muito tempo é distribuído diariamente nas escolas deste meu País e que parece ter os dias contados.

Leite que os professores sentem ser nalguns casos o único que alguns meninos bebem, uns por falta de autoridade e responsabilidade parental, outros porque o baixo rendimento das famílias não permite que o incluam na ementa.

Na escola todos sabem que dentro de cada pacotinho de leite além do líquido mágico que confere a quem o toma poderes especiais tais como; ossos fortes e “inquebráveis”, dentes sãos, muita energia e sorrisos…
Cada pacotinho ajuda a construir e a tornar realidade todos os sonhos que tivermos vontade de sonhar. Se sonharmos um castelo, uma casa, um barco de piratas estes podem surgir em pacotinhos de leite!

Os pacotinhos de leite são ainda utilizados para aprender matemática, inventar histórias, fazer instrumentos musicais, fantoches, cestinhas onde colocamos as castanhas do magusto as amêndoas na Páscoa ou os biscoitos que amassamos com ternura. 

Há coisas que não podemos fazer de conta que não existem que não nos dizem respeito. Mas felizmente que o sonho, a imaginação e a ternura não podem ser abolidas por decreto!


domingo, 23 de outubro de 2011

ERA UM MENINO QUE SONHAVA



Era un niño que soñaba
un caballo de cartón.
Abrió los ojos el niño
y el caballito no vio.
Con un caballito blanco
el niño volvió a soñar;
y por la crin lo cogía
¡Ahora no te escaparás!
Apenas lo hubo cogido,
el niño se despertó.
Tenía el puño cerrado.
¡El caballito voló!
Quedose el niño muy serio
pensando que no es verdad
un caballito soñado.
Y ya no volvió a soñar. Pero el niño se hizo mozo
y el mozo tuvo un amor,
y a su amada le decía:
¿Tú eres de verdad o no?
Cuando el mozo se hizo viejo
pensaba: Todo es soñar,
el caballito soñado
y el caballo de verdad.
Y cuando vino la muerte,
el viejo a su corazón
preguntaba: ¿Tú eres sueño?
¡Quién sabe si despertó

Antonio Machado – Poeta Castelhano




domingo, 16 de outubro de 2011

FLOR DE JARA


Haz descender una estrella
que bañe mi cuerpo con toda su luz.
Tráeme paisajes de encina en tus ojos
un verde pintado de azul,
limpia de nubes mi cielo,
llena mis horas de miel
tú mi lucero, mi flor de jara, ven.

Haz descender una estrella
que bañe de plata el ultimo sol
tráeme cerezas, granadas de labios,
destellos en tu corazón.
Dame tu olor de manzana
menta y tomillo en mi piel
tú mi lucero, mi flor de jara, ven.

Haz descender una estrella
que bañe la luna de otro amanecer
tráeme simiente de vida en tus brazos
la fuerza de todo tu ser
quiéreme incienso y retama,
surco y barbecho en tus pies,
tú mi lucero, mi flor de jara , ven.

sábado, 15 de outubro de 2011

INTERVALO NO CASTIGO...


Estes são os meus amigos Gonçalo e David e a história que vou contar aconteceu um destes dias no intervalo da hora de almoço…

Ás vezes almoço na escola, bom também é verdade que ás vezes me esqueço de almoçar mas isso é outra história que agora não interessa nada…

Mal os meninos saem da sala arranjo logo outras coisas para fazer e quando olho para o relógio lá se foi a hora de almoço e eu nem dei conta que precisava de almoçar.

Mas no dia desta história eu já tinha almoçado e saí da sala para ir buscar um café quando vi o Gonçalo sentado num dos bancos do corredor. Estranhei porque aquela hora todos os meninos estavam no recreio, pensei que estava indisposto ou adoentado mas o pequeno explicou-me que estava de castigo por ter falado muito e comido pouco! Claro que lhe disse que devia ter comido tudo e provavelmente ter falado menos, mas logo um pedacinho de meninice minha começou a irromper lembrando-me que também eu fiquei várias vezes de castigo por gostar pouco de comer, apesar das vitaminas e do horrível óleo de fígado de bacalhau que minha mãe insistia em receitar-me! Como eu o entendia!

O meu coração dizia-me que não podia deixá-lo ali o resto do intervalo…

Disse-lhe que ia buscar um café e já falaríamos. Tinha já decidido procurar a autora do castigo para lhe dizer que precisava da ajuda do Gonçalo na sala e não pensem que estava a arranjar uma desculpa, precisava mesmo de ajuda para uma boa conversa.

Mas quando regressei ao corredor já o David fazia companhia ao amigo dizendo-me que tinha ido buscar um jogo pois não ia deixar o seu amigo Gonçalo sozinho! Eram amigos desde o Jardim-de-infância e já estavam no quarto ano e eram todos os dias mais amigos apesar de serem muito diferentes nalgumas coisas!

O Gonçalo por exemplo, adora ler, gosta das palavras, da escrita. O David também gosta de ler mas o que o fascina mesmo são os problemas difíceis. Não sabem explicar porque são tão amigos. Nem precisam, são amigos, muito amigos porque sim! E os verdadeiros amigos sabem sempre quando deles necessitamos!

Bom, o resto do intervalo foi passado na minha sala em amena cavaqueira e brincadeira!