terça-feira, 14 de junho de 2011

Uma história saída do armário



Esta é uma história verdadeira que só por mero acaso faz parte da minha história.

E todos sabemos que algumas das histórias que fazem a nossa história nunca chegam a passar à história! Umas vezes porque não queremos que passem, outras porque por mais que tentemos teimam em não nos largar. E quando pensamos que nos livramos delas…

Em casa dos avós o meu quarto tinha um armário de sacristia que habilmente minha mãe transformou em casa de bonecas. Quando as portas do armário se abriam o sonho punha-se ali a viver…

Curiosamente hoje quando abri o armário este contou-me outra história…

A história de uma menina que tem pavor de foguetes! Sim, desses foguetes em que são férteis as festas e romarias de Portugal!

Todos os anos na festa da padroeira cá da terra além da quantidade de foguetes que inundam o céu de fumo e ruído durante o dia, pela noite realiza-se o famoso arraial do rio.

Durante uma hora são lançados aos céus um sem número de foguetes cujas cores e feitios variados abrem de espanto os olhos e bocas de todos quantos têm dificuldade em inventar estrelas, das verdadeiras claro!

O espectáculo pode ser esteticamente muito belo, mas para quem mora à beira rio é ensurdecedor e aterrorizador. E era nesta parte da festa que eu, e “Drake”, o pastor alemão lá de casa com nome de pirata inglês, rumávamos ao armário e aí ficávamos até ao término do arraial! Confesso que não sei quem tremia mais, se eu ou o cão, mas o armário era completamente estanque ao ruído e dentro dele todos os foguetes do mundo deixavam de ter importância.

Ah! Se hoje durante o arraial rumo ao armário?

Pois, confesso que faço tudo para não estar por perto durante as festas, mas se não puder evitar, coloco os phones com o som da minha música bem alto.

Tal como antes continuo a pensar no que dirão os pobres dos peixes de tamanha estupidez humana! E continuo a tremer de medo!

Um medo terrível que me põe os nervos em franja e não consigo explicar!

segunda-feira, 6 de junho de 2011

sexta-feira, 3 de junho de 2011

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Livros à altura dos leitores


Não, não vou falar de Livros e Não livros.

Deixo que sobre o assunto se debrucem os que fazem Não Livros e que como passatempo tecem as mais variadas e por vezes malévolas, criticas (dizem eles), sobre os que são Verdadeiros Livros. Deixá-los lá exercitar a Mediocridade!

Vou só falar de uma feira do livro especialíssima a que fui com os meninos.

E nesta altura poderão os que me lêem perguntar-se o que tinha esta feira de tão especial.

Posso dizer que, tinha Muitos Livros e alguns Não livros. Até aqui nada de especial.

Todas as feiras do livro que se prezem têm Livros e Não livros!

Afinal em democracia temos de agradar a todos! E contra isso… Muito poderia argumentar, mas confesso, não me apetece!

Porque o que me apetece perguntar, é porquê que as feiras do livro ou os que as organizam têm tão pouco respeito pelas crianças?!

Dei no fim-de-semana um pulo até à feira do Livro do Porto com os meus filhos e sobrinhos, e pude constatar da dificuldade dos mais pequenos em conseguir chegar aos livros para fazer o que nós adultos que gostamos de ler fazemos, sentir o livro, cheirá-lo soltar-lhe as páginas…

Ora com as bancas a um metro e meio do chão nenhum menino conseguirá ver sequer a capa dos livros, quanto mais tocar-lhes!

Além de não chegarem aos livros, as crianças ainda tem de levar, com” umas pessoas vestidas de bonecos”, para usar a definição do meu sobrinho João, que fugiu a sete pés do abraço forçado que estes tentavam impingir-lhe! Quando é que esta gente percebe que os meninos não apreciam esta forma de contacto com os personagens!?

E já para não falar dos supostos contadores de histórias, sem jeito, graça e encanto.

Eu sei, todos precisamos de ganhar a vida. Mas por favor, gastem o dinheiro com inteligência, respeitem os Livros e acima de tudo, respeitem os Pequenos Leitores!

E foi esse respeito, pelos Livros e pelas crianças, que encontrei na Feira do Livro de Lordelo.

Pela primeira vez, vi bancas de livros à medida dos meninos. Vi a alegria com que tocavam nos livros, alguns abraçavam-se mesmo a eles! Não havia sofás coloridos, mas ninguém pareceu sentir a sua falta quando a Fátima e a Rosário encantaram todos ao contar a história de um Coelhinho muito desarrumado e trapalhão.

Porque nos proporcionaram uma Manhã de Encanto e descobertas, vai um beijinho dos meninos e meu, para as maravilhosas anónimas contadoras de histórias.

E cabe ainda fazer um agradecimento à Fundação ALORD, organizadora da feira tendo ainda disponibilizado de forma totalmente gratuita um dos seus autocarros para nos transportar até Lordelo.


segunda-feira, 30 de maio de 2011

“Sem Barco me fiz ao Mar”



Amei quando quis amar

quando não quis, desamei

num barco me fiz ao mar

ele ficou, eu voltei!


Chegado que fui ao porto

e a ponto de atracar

não sei se vivo se morto

deixei o barco no mar


A praia nua só tinha

o céu e a lisa areia

o barco volta, não volta

na branca onda volteia


Ele ficou eu voltei

sem barco me fiz ao mar

quando não quis desamei

amei quando quis amar

Nuno Higino

quarta-feira, 25 de maio de 2011

TERRIVELMENTE PEQUENOS...



Terrivelmente Pequenos

Oiço com frequência colegas a queixar-se que os miúdos são terríveis, que não conseguem estar quietos, que são mal-educados, que não cumprem as regras, etc. …

Talvez quisessem os meninos com um botão incorporado para ligar e desligar a seu belo prazer! Isso dar-lhes ia o direito de ser terrivelmente maçadores, terrivelmente, ignorantes, terrivelmente ditadores e outros “terrivelmentes”, cuja lista não teria fim, sem serem contestados e sobretudo, para usar a palavra de que tanto gostam, desautorizados!

Com frequência vejo nas paredes das salas de aula, quadros com uma série de regras de conduta que lamentavelmente só são para aluno cumprir!

Na maioria dos quadros a primeira regra é:

- Não gritar na sala! Parece-me bem, gritar danifica as cordas vocais, faz subir a tensão arterial, provoca graves lesões no sistema nervoso central e faz ruído, muito ruído, que contribuí inevitavelmente para um processo acelerado de surdez!

Outra regra interessante é; não falar alto! Claro que falar alto é sempre muito relativo, mas dentro da relatividade convém ser explícito o suficiente para não induzir ninguém em erro, pois numa dessas salas onde esta regra está escrita já ouvi o professor pedir ao aluno que falasse mais alto para se fazer ouvir!

Na maioria dos casos as regras são tantas e tão ridículas que certamente dariam um tratado!

E não pensem os poucos que se dão ao trabalho de me ler que sou a favor da ausência parcial ou total de regras! Nada disso! Costumo até dizer, que na minha sala há democracia, mas que não permito infanto-cracias com maioria absoluta! O que devemos ou não fazer dentro da sala é decidido por todos, fica claro que quem tem direitos tem deveres.

Dentro da sala, podemos gritar de alegria e falar bem alto que gostamos uns dos outros, é obrigatório ser gentil, ajudar quem precisa, mesmo que seja ajudar um colega a comer o lanche, porque às vezes estamos sem apetite e podemos partilhá-lo com quem tem mais fome. É também obrigatório distribuir sorrisos várias vezes ao dia, fazer perguntas sobre tudo e mais alguma coisa.

Os meninos conhecem os limites que combinamos e sabem que desde que esses limites não limitem nem prejudiquem ninguém, podem e devem de quando em vez ser sem limite e levados ao limite.

Mesmo quando levados ao limite os limites são iguais para todos, independentemente de ser criança ou adulto. Na minha (nossa) sala, não quero quadros de proibição, sejam com letras, bonecos ou bolas, as regras existem e são sempre flexíveis tendo em conta a felicidade de todos a sensibilidade e o bom senso.

Eu sei que há meninos difíceis, mas provavelmente sem eles nunca questionaríamos a nossa prática pedagógica, nunca os nossos limites seriam testados, nunca perceberíamos que somos capazes de ultrapassar todos os limites, mesmo os nossos…

sexta-feira, 20 de maio de 2011

"Meninos Coração de Pássaro"


Já aqui disse sobre os fascínios da minha profissão e não me canso de dizer. É que no jardim-de-infância não há dias diários, os meninos têm o poder de inventar inesperados a cada momento, fazendo perguntas, observações raras e tecendo sobre as mesmas conclusões muito próprias.

Os inesperados são quase sempre a melhor parte do dia. Adoro quando o que planificamos no dia anterior é imediatamente (des) planificado, só porque surgiu algo mais interessante ou que simplesmente nos faz mais felizes.

Como hoje pela tarde. Acabávamos de entrar na sala depois do almoço quando um dos meninos gritou:

-Professora! Está ali um passarinho!

Pela porta ainda aberta da sala, vi a professora Xana e nossa Joana tentando apanhar um pardalinho que voava pelo corredor. Assustado, procurava a saída e na ausência de portas ou janelas abertas atirava-se insistentemente contra os vidros, até que ao ver a porta da sala aberta entrou e foi pousar imaginem no teclado do computador! Parou para descansar do medo, segundo os meninos. Com muito cuidado para não o magoar conseguimos apanhá-lo. Era mesmo pequenino e” tremia de susto”; segundo o Edgar.

Todos chegaram rapidamente à conclusão que a casa do passarinho era nas árvores frente à janela da nossa sala e sem mais demoras saímos para o recreio para o devolver à família, pois a mãe dele devia estar já muito aflita, como muito bem referiu a Bruna.

Mal abri a mão o pequeno pássaro voou com quantas asas tinha, mas não tardou a pousar na rede que separa o recreio da árvore sua casa como que para agradecer…

Claro que ninguém quis voltar para a sala sem descobrir onde era a casa do pardalinho…

E não é que a descobrimos!

Eu fui quem a viu melhor, subi à árvore. Os meninos queriam ver mais de perto, mas a árvore não oferecia segurança, com muita pena minha e deles. Pensei como seria fantástico vê-los trepar pela árvore…

Talvez num outro dia, numa outra árvore…

É que já algum tempo que quero trabalhar um projecto que irá chamar-se;

As vantagens de subir às árvores!

E o nosso amigo pássaro? Olhava-nos baloiçando num fio de electricidade. E talvez pensasse, que bom é ter meninos felizes e com “coração de pássaro”!



terça-feira, 17 de maio de 2011

Plantas do Nosso Muro

Há um ano atrás a convite do Centro de Ciência Viva de Vila do Conde, eu e minha muito amiga Umbelina estávamos completamente embrenhadas e deliciadas, num projecto que tendo por base o conto de Sophia de Mello Breyner Andresen, A menina do Mar, levou meninos, comunidade e a nós educadoras a conhecer a biodiversidade dos ecossistemas marinhos.

Para além das descobertas e do gozo que o projecto nos deu, este valeu-nos ainda um primeiro prémio a nível nacional. Mas acreditem, o prémio foi de tudo o menos importante comparado com o que aprendemos e nos divertimos.

No final do ano lectivo com a minha mudança de escola o projecto teria de terminar para mim, afinal a minha actual escola fica na serra de Santa Justa, o mar azul ficaria não muito longe é certo, mas agora o mar dos meus dias era bem verde!

Confesso, levei algum tempo a habituar-me à minha nova casinha e mesmo ao verde circundante, mas tinha prometido a mim mesma que inventaria uma forma de continuar no projecto e contagiar os meninos, porque sem eles perderia todo o interesse e graça.

Começamos por aproveitar as mais-valias da tecnologia. Os meninos de Vila Chã e Valongo conheceram-se através de vídeo-conferência, fomos trocando interesses e mimos, trocas que acontecem sempre á sexta-feira.

Trabalhei o conto da Menina do mar e se bem se lembram todos os que o leram, há um dia em que a Menina do mar visita a terra dos homens dentro de um balde, pelas mãos do seu amigo e é nessa altura que vem a Valongo conhecer o nosso ecossistema.

Apesar das devidas diferenças e após a nossa visita à praia, descobrimos nos nossos passeios e com os olhos postos no nosso muro, que existem plantas aqui na serra muito parecidas com as da praia. De algumas até já sabemos o nome, graças ao guia de campo oferecido pela Rosário, (Bióloga coordenadora do projecto do Centro de Ciência viva em Lisboa). Aqui no Jardim da Estação, esperamos ansiosos os nossos amigos da praia para a semana da Ciência e Poesia. E devo dizer que pela parte que me toca, este projecto tem muitos mares para navegar….

Neste pequeno vídeo estão algumas das plantas do nosso ecossistema para que possam conhecê-las também! E já agora, o endereço do blogue que construímos para o projecto. Se quiserem saber mais sobre os mare que nos habitam.

http://beijinhosdomar.blogspot.com/