quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Por Céus e Mares...


Por céus e mares eu andei
Vi um poeta e vi um rei
Na esperança de saber o que é o amor
Ninguém sabia me dizer
E eu já queria até morrer
Quando um velhinho com uma flor assim falou:
O amor é o carinho
É o espinho que não se vê em cada flor
É a vida quando
Chega sangrando
Aberta em pétalas de amor
Vinicius de Moraes



domingo, 7 de novembro de 2010

FASCÍNIOS E PAIXÕES

Desenho da Daniela 3º Ano : Escola EB1 da Estação-Valongo


A turma do terceiro ano da professora Alexandra é uma turma muito especial.

Talvez porque a professora Alexandra seja uma pessoa especial. Daquelas pessoas que amam a profissão e os meninos de forma tão arrebatadora, que nenhum sistema de avaliação por mais justo e transparente que fosse conseguiria avaliar!

Sim, porque nenhum sistema de avaliação que se conheça quer saber de fascínios e paixões. Quando se trata de avaliar o trabalho desenvolvido, as emoções não são tidas em conta, não estão sequer contempladas nas cotas!

Mas a professora Alexandra não está preocupada com nada disto, ela sabe que uma escola deve ser um sítio onde se esbanjam sonhos e sorrisos, por isso deixa os seus meninos “inventar como os cientistas e os poetas”. Meninos que usam e abusam da gramática da fantasia, que gostam de escrever, de ler, de andar ao sabor da poesia.

Não sei bem como aconteceu, mas um dia, a professora Alexandra desafiou-me para que falasse aos seus meninos da minha paixão pelos livros. Aceitei imediatamente. Primeiro porque adoro desafios, depois, porque quando se trata de fascínios e paixões, nem eu sei o quão longe me podem levar…

Disse aos meninos, o quanto me sinto privilegiada por ter crescido rodeada de livros e de pessoas que me fizeram acreditar, que ler é mesmo uma das maravilhas do Mundo.

Falei-lhes dos primeiros livros que li por mão própria, “O Palhaço Verde”, de Matilde Rosa Araújo. Para mim, um livro tão especial, tão belo, como são todos os livros de Matilde. Um livro onde encontrei a definição de amor mais bela que algum dia li.

Da “Menina do Mar”, de Sophia de Mello Breyner Andresen, outro livro encantado. E de José Mauro de Vasconcelos, cujo “Coração de Vidro”, tanto me fascinou.

Os meninos riram-se quando lhes disse, que às vezes adormecia agarrada aos livros, queria tanto saber como terminavam, mas o sono era mais forte!

Os meninos brindaram-me com algumas definições sobre o que é ler, absolutamente brilhantes. Todos concordam que ler é quase sempre o melhor remédio. Há até quem sugira que devemos ler devagar para saborear melhor os sonhos a que as palavras nos conduzem. Os meninos sentem o maravilhoso que é entrar dentro de um livro, tanto dizem alguns, que nem apetece sair! E houve mesmo uma menina, que sugeriu que através da leitura, podemos encontrar aquilo que muitas vezes pensamos não encontrar na vida!

Falamos ainda da língua maravilhosa que é a nossa. E do que é escrever. Que podemos e devemos escrever se isso nos deixa felizes. Mas escrever é uma coisa, outra é conseguir o “delírio do verbo”, esse só alguns conseguem. Embora haja uns quantos outros que acham que não. E talvez por não terem disso consciência, engrossam a lista de medíocres que editam livros, vá-se lá saber porquê!

Foi uma manhã bem passada que espero repetir!

Obrigado meninos e professora Alexandra!

OS MENINOS...


OS MENINOS


Os Meninos em si são flores

Flores doces mornas vindas de uma ilha de Sol

Suas casas no chão dobradas

Obscenas feridas na cidade meninos flores no chão

E vossas mãos tão meigas tão pequenas

Vossos olhos flores incendiadas de ternura ausente

Doce violento perdão lhes assiste

Meninos de olhar de tocar milagrinhos de infância sofrida

Incêndios do dia em casas nocturnas

E os olhos dos meninos estão tão abertos

Matilde Rosa Araújo



quinta-feira, 4 de novembro de 2010

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Escrever É




Dei comigo a pensar, se escrever tem regulamento?!

Pois, também sei que há quem escreva de encomenda. E quem nunca se inclua no que escreve!

Mas, talvez escrever não sirva apenas para passar o tempo. Não será escrever, ter uma intenção, e ter coragem?!

Escrever, sugere um tempo sem tempo. Um tempo onde se inventam verdades e sonhos que tiram os pés do chão.

Escrever é uma maneira de ser gente. Escrever é uma maneira de estar vivo.

Escrever é Acreditar!

sábado, 30 de outubro de 2010

A Tarde Diluía-se nas Águas

(mar de Vila-Chã, tarde de 28-10-2010)


Enrolava ondas a alegria
de uma doçura suave
que, muito devagar, anoitecia.

Nos molhes só estrondeava o rosa.
Ou súbita rosácea repetida
iluminava, momentânea, a sombra
que a tarde retinha ainda.

E as águas recolhiam vagarosas
a noite a iluminar-se na retina.

Fernando Echevarría

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

sábado, 23 de outubro de 2010

Raízes e Asas

Raízes e asas. Mas que as asas enraízem
e as raízes voem.


Juan Ramón Jimenez

fotografia por: Henrique Vieira