sábado, 17 de março de 2012

HISTÓRIA DE MAR COM ASAS-II



Estava parada em frente ao mar. Sentia uma vontade inexplicável de chorar, estava tão triste…

Talvez se sentisse assim por causa do céu cinzento e da chuva. Não, ela nunca se sentiria assim por causa da chuva. Adorava dançar à chuva e mesmo em dias como o de hoje conseguia fazer aparecer no seu céu o arco-íris!

Se ao menos o seu amigo aparecesse na praia…

Tinha tantas saudades dele. Às vezes via-o ao longe e desatava a voar ao seu encontro, mas depressa concluía que tinha apenas sonhado e ficava ali horas a fio como que esperando que o seu sonho se tornasse verdadeiro.

Se ele aparecesse poderiam rir de novo, ela tinha tantas coisas para contar-lhe e queria ouvi-lo falar das coisas do seu mundo, queria ver o seu sorriso, nunca vira nenhum outro menino sorrir assim…

Queria ver com brilham os seus olhos, sentir a doçura das suas mãos…

Não sabia explicar porquê que quando ele aparecia na praia o seu corpo ficava tão leve que mesmo sem vento conseguia planar! O mar ficava exageradamente azul e o céu era ali mesmo na areia!

Pobre gaivota, tentava entender o coração.

Perguntava-se porque ficava tão triste sempre que o seu amigo partia para lá do mar?!

Ela não poderia nunca acompanhá-lo. Como iria viver longe do seu mar?!

Só lhe restava ficar ali na areia só com as ondas….
E sonhar da cor e da luz que moram nos olhos do seu amigo!

sexta-feira, 16 de março de 2012

HISTÓRIAS QUE SAEM DE LIVROS QUE NÃO SE DEIXAM LER

Não sei bem se esta é uma história redonda, quadrada ou se tem uma outra qualquer forma geométrica. E neste momento nem vou mais pensar nisso, pois não preciso da história para pensar a matemática, bem pode acontecer que durante o desenrolar da história surja um problema que a matemática tenha de resolver, mas por enquanto o único problema que os meninos querem resolver é o de um príncipe que não tinha cavalo!

É verdade que eu pensava que o assunto do Príncipe sem cavalo já estava resolvido, mas enganei-me redondamente, por mais histórias que oiçam os meninos insistem em inventar cavalos para o Príncipe…

Podia mostrar muita surpresa por tal acontecer, mas sempre que leio uma história de um livro que não se deixa ler, acontece que as histórias se sucedem em catadupa!

E vou agora sim contar uma história lida por muitos meninos e escrita por mim só porque na sala além de também saber ler, por enquanto sou a única que também junta umas letrinhas!

 
Era uma vez um Príncipe que estava perdidamente apaixonado por uma Princesa. E não, não vou aqui dizer como era a Princesa. Se era alta, baixa, se tinha olhos cor do mar num dia de céu muito azul… Cada um que imagine a Princesa e o Príncipe dos seus sonhos…

Os meninos só querem que eu escreva que o Príncipe pensava todo o tempo na sua Princesa porque é o que acontece a quem está verdadeiramente apaixonado!

Mas o castelo da Princesa ficava um bocadinho longe do castelo do Príncipe e para a visitar este tinha de ir a cavalo. E isso nem seria um problema, pois se há coisa que não falta na cavalariça de qualquer palácio são cavalos, mas o Príncipe queria impressionar a Princesa e para tal queria assim como que um cavalo topo de gama!
 Um puro-sangue árabe?! Não, isso não seria nada original…
E depois de muito pensar…
O príncipe decidiu que iria visitar a Princesa montado num cavalo-marinho! Ele quase que apostava que nenhum outro Príncipe daquele reino ou de outro tinha um cavalo-marinho!
A Princesa iria ficar tão, mas tão impressionada que não tardaria a aceitar o seu pedido de casamento!

E depois de passar alguns dias no mar à procura do cavalo - marinho que o levaria até à sua amada Princesa, lá se decidiu por um cavalo vermelho com pintinhas brancas. Já se imaginava a dar grandes passeios pelo reino naquele cavalo com a sua Princesa…

 
Quando da torre do seu castelo a Princesa viu o Príncipe montado no belo cavalo-marinho soltou um grito de horror!

Ela achava os cavalos-marinhos animais belíssimos, mas quão ignorante era o Príncipe que não sabia que gracinhas como a sua colocavam em risco a vida de todos os cavalos-marinhos!
E quase a sua extinção.

Tão preocupado que estava em impressionar a sua Princesa que nem tinha pensado que estava a tornar infeliz, aquele e outros cavalos- marinhos…



 
Afinal ele não precisava de aborrecer os pobres dos cavalos-marinhos para ser feliz com a sua Princesa e depois juntos sempre podiam pintá-los e inventar histórias sobre eles.

 Fariam um livro sobre a vida e as cores dos cavalos-marinhos que juntos leriam aos Príncipes seus filhos quando os tivessem.

quarta-feira, 14 de março de 2012

"ANDORINHAS DE SE SONHAR"







Era uma andorinha branca
que me batia à janela
e contente anunciava
que chegara a primavera,
ou era eu que sonhava?

Eugénio de Andrade



                                          

segunda-feira, 12 de março de 2012

ONDE MORAM OS POETAS?







A verdade verdadinha é que ninguém sabe ao certo onde moram os poetas…

Bem, a verdade é que todos sabemos que os poetas moram nas histórias! Ao certo só não sabemos em qual história! É que os verdadeiros poetas nunca moram muito tempo na mesma história.

Se agora estão numa história de fadas demoram-se por lá pouco tempo, pois já estão com um dedinho numa história de príncipes e princesas e com a cabeça desenhando o sol ou a lua ou estrelas, o que seja, numa outra história.

E está poeticamente provado que só os verdadeiros poetas saem das histórias. Por tempo muito limitado é certo, é que se há coisa que os verdadeiros poetas não gostam é de andar atrás do tempo que lhes fazem perder e que precisam para entrar noutra história. Mas dizia eu que de quando em vez, os poetas a sério acedem a sair das histórias para se juntar a outros poetas…

Pois só os verdadeiros poetas sabem que a “liberdade e a poesia se aprendem com as crianças”!

Talvez só por essa razão o poeta, José Fanha, tenha por uma tarde saído de uma das suas histórias e visitado a nossa escola.

E se dúvidas houvesse se estaríamos de facto na presença de um verdadeiro poeta, os que o ouviram e leram dentro das histórias, resolveram atribuir-lhe a medalha dos poetas. Três malmequeres bem coloridos e cheios de pólen de poesia. Só mesmo para quem merece, porque ninguém consegue enganar os verdadeiros especialistas em poesia- Os Meninos!

E claro, tal como apareceu o poeta desapareceu rapidamente no meio de uma outra história.
Nem tivemos tempo de agradecer-lhe…

Mas como “os poetas são como os pássaros que chegam não se sabe de onde nem quando…”


segunda-feira, 5 de março de 2012

MALMEQUERES DE FADA

Desenho- Edgar



- Toma Professora, são malmequeres de fada! Disse o Edgar estendendo-lhe um raminho de malmequeres tão amarelos que pareciam raiozinhos de sol!

E como que por magia lembrou as coroas e colares de malmequeres que costumava fazer na infância…

 Desde essa altura não voltara a ver malmequeres de fada!

sábado, 3 de março de 2012

LEITURAS COM PONTES DE TERNURAS







O melhor dos projetos não é as atividades que desenvolvemos mas o que fica delas!

Há cerca de um ano atrás eu e a minha amiga Alexandra, Professora do Primeiro Ciclo, iniciamos um projeto de leitura partilhada que nos tem levado em algumas aventuras e muitas ternuras.

Inicialmente uniu-nos a paixão pelos livros e pela profissão. Começamos a partilhar leituras ,descobrimos autores, encantadores de palavras e resolvemos partilhá-los com os meninos de ambas as salas. Na altura os meninos da Professora Alexandra tinham entre oito e nove anos e “os meus meninos” três e quatro anos. Devo advertir que tal facto causou logo grande espanto junto dos que só conseguem juntar letras! Um projeto de articulação de leitura partilhada, com meninos, agora no quarto ano, e do Pré- escolar?! Mas se no Pré-escolar os meninos não sabem ler, como será tal coisa possível?!

Leio-lhes ainda a vontade de perguntar se sabe ler a Educadora, não está na sala de aula afinal só para tomar conta dos meninos?!

Noutros tempos com menos anos de profissão confesso que tais observações me teriam deixado irritada, bastante. Mas hoje esboço um largo sorriso, acho que o que gostariam de facto era de ser Educadores de Infância, pois descobriram que aqui está toda a magia e poesia que outros níveis de ensino já não conseguem! Não porque elas não existam, mas só porque muitos não sabem ler!

Provavelmente nunca conseguiram entender para que serve o ensino Pré – escolar e agora, com muita pena minha já não vão a tempo! A tempo de perceber como podem partilhar leituras e ternuras meninos e professores que se divertem, gostam do que fazem e só têm tempo para serem felizes!