sábado, 21 de fevereiro de 2015

TENHO TANTAS SAUDADES TUAS PRIMAVERA!






Da janela, acenam já as magnólias floridas.

Empurradas pelo vento parecem mãos  a dizer adeus ao inverno…

Ou talvez digam como eu:

- Tenho tantas saudades tuas primavera!


domingo, 15 de fevereiro de 2015

ADEUS!





ADEUS!

Como quem cega os próprios olhos
tinha fechado, pela última vez,
a janela do mar.

Dos seus passos, apagados da beirada,
Nenhum sinal restava.
Podia partir.

Só o soluço do vento e das águas
tentava caligrafar uma ausência
nos ramos do dia.


                         Luísa Dacosta, in À Sombra do Mar

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

UMA MÃOZINHA DE PRIMAVERA





Pedro é um menino de cinco anos, brasileiro de S. Paulo.

Chegou a Lisboa num aviãozinho da TAP, segundo palavras do próprio, veio para morar e escolheu a minha escola, pena que não tenha ficado na minha sala, mas a minha turma já estava completa. Conheci-o no recreio e logo me convidou para voar com ele até à praia grande para “pegar onda”!

Claro que não resisti e fui “pegar onda”, tendo que tomar cuidado, porque mar tem caranguejo e caranguejo pega a gente!

A imaginação do menino não tem fim e ao deixar-me levar pelas suas aventuras fabulosas, percebo a forma magnífica que arranjou para matar saudades e ao mesmo tempo adaptar-se a um lugar que ainda não sente seu.

Posso dizer que somos já grandes amigos, daquelas coisas que não se explicam…

Hoje ainda não tinha visto Pedro, cheguei ao recreio quase na hora deste terminar, confesso que nem sequer me tinha ainda lembrado do meu amigo e foi quando já estava a entrar na sala, que uma vozinha com sotaque diferente disse entregando-me um montinho de minúsculas flores:

- Pega Teresa, uma mãozinha de primavera pra você!


sábado, 7 de fevereiro de 2015

DEIXA DE ME AMAR ASSIM...





ora, deixa de me amar assim

deixa de meter o mar na jaula


                                           Yao Feng

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

" OS LIVROS SÃO LUGARES ONDE ARRUMAMOS HISTÓRIAS "





Estávamos um destes dias de visita ao Museu de Arte Moderna, da Fundação Calouste Gulbenkian, quando a dada altura da visita guiada, a monitora pergunta aos meninos:

- O que é um livro? O que são livros?

De mãozinha no ar rasgando o silêncio em redor, a Clara disse convicta; OS LIVROS SÃO LUGARES ONDE ARRUMAMOS HISTÓRIAS!

E a definição não podia ser mais perfeita. Os livros são de facto lugares onde arrumamos as nossas histórias, onde as nossas histórias se cruzam com as histórias dos outros, onde sonhamos histórias que só existem dentro de nós…

Ao professor cabe o papel de, DESARRUMAR AS HISTÓRIAS, para que os meninos saibam depois distinguir, as histórias maravilhosas, das histórias assim-assim e das histórias com pouca ou nenhuma história.

Ah! E à pergunta; Onde se guardam os livros? Os meninos responderam:

- Em castelos chamados bibliotecas!

Portanto, as bibliotecas mais não são, do que lugares com livros em castelos onde se arrumam histórias! Digo eu!