domingo, 11 de agosto de 2013

SEREIA


( Imagem retirada da web )



Tenho um saco de conchinhas
que apanhei  na minha praia
vou bordá-las com jeitinho
na barra da minha saia

Já tenho agulhas de vento,
fio de sol para bordar
pensando bem vou fazer
um vestidinho de mar

Enfeito as tranças de peixes
quase me sinto sereia
falta-me um colar de estrelas
e uns sapatinhos de areia.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

" NÓS DE TERNURA "




Sometimes not often enough
We reflect upon the good things
And those thoughs always center around those we love
And I think about those people who mean so much to me
And for so many years have made me so very happy
And I count the times I have forgotten to say "thank you"
And just how much I love them


Algumas vezes não o suficiente
Refletimos sobre as coisas boas
E aqueles que amamos
E eu penso naquelas pessoas que significam muito para mim
E que ao longo dos anos me têm feito muito feliz
E eu conto as vezes que me esqueci de dizer "Obrigado"
E quanto gosto delas.

Canção, “Sometimes” The Carpenters





quarta-feira, 7 de agosto de 2013

AINDA A POESIA DE TOMAZ KIM





Em cada dia se morre
uma pequena morte…
E as estações sucedem-se!
(…)

Nada quero saber de ti,
Só do poema que te esconde
Como flor
Que ao menos promete a memória
De sonho e céu. (…)


PASSADO OU FUTURO

Passado ou futuro
Nada importa senão a vida
Quando fruto maduro.

E a vida
Não está nos versos retida.


QUANDO A MORTE VIER, MEU AMOR

Quando a morte vier, meu amor,
fechemos os olhos para a olhar por dentro
e deixemos aos nossos lábios o murmúrio
da palavra branda jamais pronunciada
e às nossas mãos a carícia dispersa;
relembremos o dia impossível,
belo por isso e por isso desprezado,
e esqueçamos o que não nos deixaram ver
e o resto que sobrou do nada que possuímos;
deixemos à poesia que surge
o pranto de quem a trocou para comer
e os passos sem rumo pelas ruas hostis;
deixemos à carne o que não alcançámos,
e morramos então, naturalmente…

                                                                        Tomaz Kim

domingo, 4 de agosto de 2013

A LER POESIA NA VARANDA...





(…)
Há em mim
desejos de distâncias e nuvens,
de cavalgar através de desertos,
falcão em riste e rédea solta,
o sangue turbulento!

(…)
Se o nosso refúgio é o silêncio,
onde estão as lágrimas,
onde está o teu olhar?


PORQUE NÃO VENS NESTE DOMINGO TRISTE

Porque não vens neste domingo triste
em que as minhas mãos desejam
o mistério do teu corpo virgem,
ou o passado, ou a dor, ou a poesia?

Porque não vens neste domingo triste
em que há em mim a nostalgia
por tudo o que a infância não me deixou
e não me apontas o caminho
que me traga a paz, o perdão e a fé?


ESTA NOITE ESCREVI UM POEMA DE AMOR

Esta noite escrevi um poema de amor.
Um poema triste…
Triste como esta noite de chuva,
como os teus beijos,
ou como o nosso amor…

Ouve --- estou aqui, sozinho…
Lá fora, a chuva cai --- tão triste!
Triste como os teus beijos…

Não é este o primeiro poema de amor que escrevo,
mas é o primeiro que escrevo para ti,
porque esta noite, tão cheia de tristeza,
faz-me lembrar o nosso amor.


TEMPO DE AMOR

Devagar.

Devagar, sem pudor nem malícia,
Peça a peça tombando a teus pés´
Bem-me-quer, bem-me-quer,
Muito!

Bem-me-quer, nua e breve,
Um momento, na penumbra,
Como traço de farol
No leito,
Riscando o lençol.

                                                                      Tomaz Kim



sexta-feira, 2 de agosto de 2013

TENTATIVA PARA PINTAR UM GATO





Esta é a história da tarde em que resolvi pintar um gato.

É difícil pintar um gato que está sempre a fugir do papel.

Eu é que já devia saber que nunca se pintam gatos no papel… se queremos pintar um gato, temos de pintá-lo no telhado!

Gato que é gato, passa grande parte do tempo no telhado, não se pense por isso, pintar nunca um gato com a janela fechada! Se fecharmos a janela ao gato a tarde nunca mais será a mesma.

Pintar um gato dá mesmo muito trabalho. Os gatos gostam de sol no telhado. Vou ter também de escolher as cores para pintar o sol da tarde. E se houver nuvens… Bom, o gato pode sempre puxar-lhes por uma ponta e fazer um novelo que esconderá debaixo de uma telha para brincar sempre que lhe apeteça.

Dizem que os gatos não gostam de água! Mas é a mais completa mentira. Os gatos são os únicos que têm o mar ou o rio na beirinha do telhado. Ah! As más-línguas dizem ainda, que não gostam de partilhar o telhado com os pássaros nem de tomar banho.

Quem precisa de banho, quando pode molhar-se de estrelas?! E quanto aos pássaros, é sabido que estes vivem intrigados pelo facto dos gatos voarem sem que se lhes veja as asas…

Até agora a tentativa de pintar o gato na tarde ainda não passou de projeto. Reparo que não fiz no papel um único rabisco…

Mas eis que de repente a tarde resolve aborrecer o gato!

Começa a chover e entra o gato pela janela. Talvez agora que o seu pelo se confunde com o do tapete consiga finalmente, pintar o gato na tarde!