quinta-feira, 20 de setembro de 2012

CONVERSA DE ÁRVORES


( Imagem retirada da web)



Foi num destes dias quando abri a janela para deixar entrar a manhã e o mar.

Ouvi alguém à conversa, mas curioso, não se via viva alma.

A praia estava deserta e por debaixo da janela também não havia ninguém. Olhei em volta, mas por mais que os meus ouvidos procurassem não, não conseguiam descobrir quem conversava.
Certo é que continuava a ouvir vozes…

Só podia estar a imaginar coisas! As vozes vinham do recreio da escola que ficava mesmo ao lado da minha janela. Mas estávamos em férias, quem conversaria por ali?! Procurei descobrir alguém por entre as folhas dos enormes Plátanos que moravam no recreio, espreitei e definitivamente, não havia mesmo ninguém por ali. Por momentos pensei que as árvores conversavam entre si e sorri! Que ideia mais disparatada! Mas não tinha tido ainda tempo de acabar de pensar, quando tive a certeza que era mesmo uma conversa de árvores.

- Tenha juízo menina! As árvores estão cobertas de folhas, não de estrelas! Nunca ouvi um disparate maior! Querer estrelas-do-mar nos ramos em vez de folhas!

- Mas são tão bonitas! E porquê que todas as árvores hão-de ter folhas?!

- Ora, ora para fazer sombra, para deixar-se pentear pelo vento e tombar com elegância no outono.

- Mas uma sombra de estrelas seria maravilhosa! E quando o outono trepasse pelas árvores, as estrelas cairiam e o chão ficaria lindo! Um chão coberto de estrelas-do-mar… dizia a árvore mais jovem.

- Por favor comadre, ajude-me, que já estou a ficar com os ramos agitados! Diga a esta cabeça voadora que uma árvore é para o que nasce, e ponto final! Pedia a árvore mais velha.

- Bom, comadre, lamento discordar de si. Sobretudo no ponto final!

- Já vi estrelas nos olhos de alguns meninos que no tempo de escola brincam neste pátio. E como brilham! Pois se brilham nos olhos dos meninos, porque não podem brilhar nos ramos e no coração de uma árvore?!

- Ouvi até dizer, que as nossas primas que vivem no fundo do mar, têm não só estrelas nos ramos, mas búzios, mil conchinhas, algas de todas as cores. Dizem que há até árvores que dão peixes!

- Eu cá não me importava nada de dar peixinhos vermelhos! A árvore dos peixes vermelhos… ai!

- Valha-me Deus! A quem fui eu pedir ajuda! Sempre pensei que a comadre tivesse um pouco mais de tino! Uma quer estrelas nos ramos e a outra peixes!

- Não se apoquente comadre!
Eu gosto das minhas folhas e dos pássaros que se desprendem delas! Gosto de morar aqui no recreio da escola. E sabe que mais? Já tenho saudades dos meninos. Mas não vejo mal nenhum em querer ser diferente. E se não sonhamos comadre, a vida não vale a pena!

5 comentários:

Ana Paula disse...

Quero um livro já!
Por favor, um livro da Teresa é urgente!

Um livro, autografado, para ler ao Diogo. Para o Gonçalo ler. Para o lermos em família.
Para o Diogo nos dizer qual o número da página que estamos a ler e dizer as letras. Sempre que lemos é assim. Diogo:(ao virar a página) este é o número X, no lado direito é o número Y. Com as palavras da mesma forma.

Parabéns uma vez mais!

Sublime!

Silvia Mota Lopes disse...

Se acreditarmos nos nossos sonhos sabemos que podem ser mágicos e a magia entra em cada pessoa e faz com que cada uma sonhe.
Assim vale a pena sonhar quando sabemos que podemos fazer sonhar o outro:)
O corpo a forma é limitada, mas o que somos não tem limites...podemos ser o que nós quisermos...a magia acontece e cabe a cada um de nós fazer por isso...com amor, amizade, bondade, persistência e o muito desejar.

Às vezes parece que estamos sozinhos, às vezes parece que é tudo em vão...não...não estamos sozinhos há sempre alguém que acredite tal como nós nos sonhos e na magia e juntamente connosco nos ajudam a que se torne uma realidade. Um beijinho mágico para ti

joanacruz disse...

Como eu gosto que a Teresa seja diferente...

Continue a sonhar e a escrever.

Bjs

Rita Freitas disse...

Um doce, este texto !
Parabéns

Sol disse...

Conversa deliciosa! Escolha difícil, entre estrelas do mar, peixinhos vermelhos e folhas... imaginação sem fronteiras ... gostei!