terça-feira, 15 de abril de 2014

O PEQUENINO POEMA


                         Júlio (Saúl Dias)



Sinto-me hoje feliz:

prendi-te num pequenino poema,

tal uma borboleta

entontecida

num raio de sol primaveril…


Fixei aquela tarde

em que no café, junto ao rio,

doidamente nos apertámos os dedos… 

(…)


                                                                                   Saúl Dias


domingo, 13 de abril de 2014

BARCO VESTIDO






Na minha infância eu tinha um barco parado no vestido…

E como adorava pôr o barco a baloiçar

Simular viagens

Flutuar na água apetecida

Na minha infância eu tinha um barco parado no vestido…

Um barco que os peixes afundaram

E que hoje flutua na ausência.



quinta-feira, 10 de abril de 2014

ABRIL


    ( imagem retirada da web )



Chega a primavera ao jardim

escoltada por um par de borboletas

e já a chuva desfolha as margaridas…

domingo, 6 de abril de 2014

TRABALHOS PARA FÉRIAS


     Robert Doisneau



Já todos tinham arrumado os lápis e os cadernos, na sala era já difícil controlar o bulício, afinal, aquele era o último dia de aulas do segundo período.

A Professora pediu que fizessem silêncio, voltassem a abrir os cadernos, pois ainda não tinha marcado os trabalhos para férias…

Os meninos olharam-na boquiabertos! Trabalhos de casa?! Mas… ela nunca marcava trabalhos de casa porque se teria lembrado agora?

A Professora sorriu enquanto tirava da pasta a lista de trabalhos e ordenava que escrevessem:

- Apanhar estrelas.

- Voar nas asas do vento.

- Ler um bom livro.

- Dançar ao som do canto dos pássaros.

- Respirar os cheiros do sol, das flores, da chuva…

- Beber o azul do mar, calçar sapatos de areia…

- Não esquecer ainda de andar nas nuvens e tomar banhos de lua…

- Experimentem e registem tudo. Disse.

- A matéria é de extrema importância para os exames que se avizinham.

Das caras dos meninos saíram os sorrisos mais luminosos, finalmente entendiam o que a Professora queria dizer; VIVAM! Para contar, se lhes apetecer!

terça-feira, 1 de abril de 2014

NOVA PRIMAVERA


( Mila Marquis )



Com um novo esplendor indeciso e ardente
e uma silvestre exatidão de aromas
chegou a primavera.
Chegou como se jamais pudesse ir-se
e se se julgasse jovem para sempre.
Vi-a instalar-se junto da minha janela,
derramando clamor de pássaros e um sol indecifrável
que estalava no ar as cores.
toda a aura letal do longo inverno
se anulou diante do singelo furor
e da graça sem limites da sua primeira flor.

Justo Jorge Padrón