terça-feira, 8 de dezembro de 2015

UM DIA TUDO HAVERIA DE MUDAR...




AVÔ


A casa já não respira como dantes…

À nossa espera só a memória dos abraços e beijos espalhados na hora da chegada…

Eu sei, um dia tudo haveria de mudar… E nós, também nós haveríamos de mudar…

Alguns mudariam tanto que a casa não mais os sentiria a ficar, apesar dos risos e vozes tatuados nas paredes e de no soalho ecoarem ainda passos da infância…

Vim para fazer a árvore de natal… A Aurora ligou-me, não queria mexer em nada sem o meu consentimento, não fosse partir-se alguma coisa…

Na verdade, acho que foi uma maneira de arrastar-me até aqui… 

Não tem sido fácil….

Desde a morte do tio Manuel que tinha evitado voltar, a casa está mais vazia e fria, apesar do lume vivo que vai crepitando na lareira…

A árvore de natal e presépio estão agora nos lugares de sempre, da cozinha vem até um cheirinho a limão e canela…

E eu espero …

Espero os natais que hão-de vir mesmo sabendo que vou estar cada ano mais triste…

domingo, 6 de dezembro de 2015

A IMPORTÂNCIA DE MORAR NUMA CASA PENDURADA NUM RAMO DE AMORA SILVESTRE…





Foi já de regresso a casa, depois de um passeio pelo jardim para ver a manhã levantar-se e ainda embrulhada num nascer de sol suave… Que viu pendurada num ramo de amora silvestre uma teia de aranha repleta de pérolas de orvalho…

Uma aranha que resolveu construir casa num ramo de silêncio a cair para o rio…

Talvez convenha dizer que este é um jardim no fim do outono e que dos ramos o verão levou todas as amoras... Amoras substituídas por pérolas de orvalho…

Que o sol colorirá e apagará mil vezes, até que voltem de novo amoras ao ramo… 

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

ARCO-ÍRIS NA MÃO





Bola de sabão…

Arco-íris na mão da menina!

terça-feira, 24 de novembro de 2015

ERA OUTONO…





Era outono

E a árvore quase despida de folhas

Vestiu-se de meninos

terça-feira, 17 de novembro de 2015

AS ROMÃS DA MATILDE…





As da Maluda…




As nossas…






E as de Avelino Rocha no Museu Amadeo Souza Cardoso