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segunda-feira, 11 de abril de 2011

Silêncios


Por entre os lençóis olhou a árvore que nascia na sua janela, nem uma folhinha mexia.

Conseguia ver ainda o imenso azul do céu, o sol começava a colorir o dia.

Levantou-se rapidamente, afinal decidira ficar na praia porque queria silêncios…

Silêncios de espuma, de conchas, de caranguejos…

Quando menina, às vezes procurava silêncios de formigas nos troncos das árvores do jardim, outras, silêncios de vento, de estrelas…

Achava-se até perita na descoberta de silêncios. Por isso gostava tanto da praia nesta altura do ano, completamente vazia de gente e cheia, cheiinha de silêncios!

Esta manhã o mar distava da praia mais que habitualmente, a maré estava bem baixa, podia passear livremente nos jardins que o mar deixara a descoberto e encantar-se mais uma vez com as descobertas que fazia. Era sempre assim. Quando andava nos jardins do mar perdia por completo a noção de tempo, só lhe interessava que à frente dos seus olhos estava um mar a perder de vista e aos seus pés outro tanto para explorar!

Trazia sempre os olhos cheios de maravilhas e os bolsos cheios de conchas! Não conseguia resistir a apanhar conchinhas na beirada. Sabia os sítios onda a maré deixa as conchas mais raras e belas e ficava horas catando búzios, beijinhos do mar e pedrinhas polidas ao sabor das ondas… E pensava que a liberdade também é feita de mar, conchas, areia, sol, silêncios…


domingo, 7 de novembro de 2010

FASCÍNIOS E PAIXÕES

Desenho da Daniela 3º Ano : Escola EB1 da Estação-Valongo


A turma do terceiro ano da professora Alexandra é uma turma muito especial.

Talvez porque a professora Alexandra seja uma pessoa especial. Daquelas pessoas que amam a profissão e os meninos de forma tão arrebatadora, que nenhum sistema de avaliação por mais justo e transparente que fosse conseguiria avaliar!

Sim, porque nenhum sistema de avaliação que se conheça quer saber de fascínios e paixões. Quando se trata de avaliar o trabalho desenvolvido, as emoções não são tidas em conta, não estão sequer contempladas nas cotas!

Mas a professora Alexandra não está preocupada com nada disto, ela sabe que uma escola deve ser um sítio onde se esbanjam sonhos e sorrisos, por isso deixa os seus meninos “inventar como os cientistas e os poetas”. Meninos que usam e abusam da gramática da fantasia, que gostam de escrever, de ler, de andar ao sabor da poesia.

Não sei bem como aconteceu, mas um dia, a professora Alexandra desafiou-me para que falasse aos seus meninos da minha paixão pelos livros. Aceitei imediatamente. Primeiro porque adoro desafios, depois, porque quando se trata de fascínios e paixões, nem eu sei o quão longe me podem levar…

Disse aos meninos, o quanto me sinto privilegiada por ter crescido rodeada de livros e de pessoas que me fizeram acreditar, que ler é mesmo uma das maravilhas do Mundo.

Falei-lhes dos primeiros livros que li por mão própria, “O Palhaço Verde”, de Matilde Rosa Araújo. Para mim, um livro tão especial, tão belo, como são todos os livros de Matilde. Um livro onde encontrei a definição de amor mais bela que algum dia li.

Da “Menina do Mar”, de Sophia de Mello Breyner Andresen, outro livro encantado. E de José Mauro de Vasconcelos, cujo “Coração de Vidro”, tanto me fascinou.

Os meninos riram-se quando lhes disse, que às vezes adormecia agarrada aos livros, queria tanto saber como terminavam, mas o sono era mais forte!

Os meninos brindaram-me com algumas definições sobre o que é ler, absolutamente brilhantes. Todos concordam que ler é quase sempre o melhor remédio. Há até quem sugira que devemos ler devagar para saborear melhor os sonhos a que as palavras nos conduzem. Os meninos sentem o maravilhoso que é entrar dentro de um livro, tanto dizem alguns, que nem apetece sair! E houve mesmo uma menina, que sugeriu que através da leitura, podemos encontrar aquilo que muitas vezes pensamos não encontrar na vida!

Falamos ainda da língua maravilhosa que é a nossa. E do que é escrever. Que podemos e devemos escrever se isso nos deixa felizes. Mas escrever é uma coisa, outra é conseguir o “delírio do verbo”, esse só alguns conseguem. Embora haja uns quantos outros que acham que não. E talvez por não terem disso consciência, engrossam a lista de medíocres que editam livros, vá-se lá saber porquê!

Foi uma manhã bem passada que espero repetir!

Obrigado meninos e professora Alexandra!

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Escrever É




Dei comigo a pensar, se escrever tem regulamento?!

Pois, também sei que há quem escreva de encomenda. E quem nunca se inclua no que escreve!

Mas, talvez escrever não sirva apenas para passar o tempo. Não será escrever, ter uma intenção, e ter coragem?!

Escrever, sugere um tempo sem tempo. Um tempo onde se inventam verdades e sonhos que tiram os pés do chão.

Escrever é uma maneira de ser gente. Escrever é uma maneira de estar vivo.

Escrever é Acreditar!