sábado, 13 de abril de 2013

AI,AMOR!





Ai, Amor!

Que lonxe! Que lonxe estás!
Canta terra entre nós dous.
Peno dende que te fuches.
Ai, amor! Ai, amor!

Cando busco nos teus ollos,
magóame o corazón.
Cantas cousas non pasaron!
Ai, amor! Ai, amor!

Pasaron meses e anos,
e a mocidade pasou.
Mido por noites o tempo.
Ai, amor! Ai, amor!

Por ti agardo cada día,
ateigada de ilusión.
Ven axiña, volta a min.
Ai, amor! Ai, amor!

Ai amor, que lonxanía!
Que soedade, que delor!
Vivir sen ti non é vida.
Ai, amor! Ai, amor!

Cartas van e cartas veñen
e as palabras tinta son.
Quero escoitar a túa voz!
Ai, amor! Ai, amor!

Xosé Neira Vilas (Poeta Galego)

quinta-feira, 11 de abril de 2013

DE ONDE VEM A PRIMAVERA?





A verdade é que não temos sabido “acordar a primavera.”

Também é verdade que temos tentado muito.

Antes de irmos para férias de páscoa, deixamos o corredor da nossa escola vestidinho de primavera. Ficou um mimo! Arvores por onde espreitam pássaros multicolores, florinhas de espalhar perfumes, borboletas presas num céu de ternura, joaninhas às bolinhas e caracóis debaixo de girassóis…

E tem tanto sol o corredor do nosso jardim! Sol no corredor e chuva, muita chuva lá fora. Tanta, que toda a semana nos perguntamos se já seria de facto primavera!

Sabemos que não deve ser fácil ao inverno aceitar o fim…

Ou talvez, seja mesmo verdade que está perdidamente apaixonado pela primavera. Ao que parece ela não acha graça nenhuma ao inverno. Mas ele não desiste de tentar conquistá-la e enquanto o mau tempo ajuda o inverno a fazer-se notado; O Rodrigo descobriu que afinal a primavera está a romper do chão no jardim do recreio!

terça-feira, 2 de abril de 2013

HISTÓRIA NO INTERVALO DA CHUVA





Talvez hoje seja um bom dia para apresentar o Bigodes de Arame.
Acho que nunca falei dele.
O Bigodes de Arame é um gato listrado que mora num cantinho do recreio da nossa escola.
Bom, pra falar verdade ele é dono de quase toda a escola e escolhe os lugares onde quer ficar, não sabemos se de acordo com o clima ou a disposição! Entra e sai da escola a seu belo prazer e dá-se lindamente com os meninos. Vive por aqui há uns dois anos e já todos o tratam como se fosse da família.
Hoje de volta à escola e quando aproveitando um intervalo da chuva para pôr a navegar os barquinhos de papel que fizeramos, encontramo-lo refastelado ao sol. Depois de cumprimentar os amigos e passar a ronda pelos corredores lá voltou pachorrento para a sua fatia de sol enquanto nós lançávamos barquinhos a infinito…




O Gabriel é que não resistiu a tanto infinito e foi mesmo obrigado a mudar de roupa!



domingo, 31 de março de 2013

À ESPERA DE UM DIA DE SOL




Waiting on a sunny day

It's rainin' but there ain't a cloud in the sky
Musta been a tear from your eye
Everything'll be okay
Funny thought I felt a sweet summer breeze
Musta been you sighin' so deep
Don't worry we're gonna find a way

I'm waitin', waitin' on a sunny day
Gonna chase the clouds away
Waitin' on a sunny day

Without you I'm workin' with the rain fallin' down
Half a party in a one dog town
I need you to chase the blues away
Without you I'm a drummer girl that can't keep a beat
And ice cream truck on a deserted street
I hope that you're coming to stay

I'm waitin', waitin' on a sunny day
Gonna chase the clouds away
Waitin' on a sunny day

Hard times baby, well they come to tell us all
Sure as the tickin' of the clock on the wall
Sure as the turnin' of the night into day
Your smile girl, brings the mornin' light to my eyes
Lifts away the blues when I rise
I hope that you're coming to stay

Bruce Springsteen

sexta-feira, 29 de março de 2013

POEMA PARA FUGIR À CHUVA (OU A CAMINHO DA PRIMAVERA)





Procuro um poema
para fugir à chuva…
Não pode por isso
ser um poema
sisudo, maçudo, cinzento!
Talvez, um poema
com guarda-chuva e gabardina…
Disparates! É o que é.
Guarda-chuva e gabardina
coisa mais sem graça
desprovida de sentido poético.
Mas se é para fugir à chuva
o guarda- chuva e a gabardina
dão jeito.
Tanto mais
que pode molhar-se o poema
e nada de poemas encharcados.
Encharcado só se for de poesia
mas para isso é preciso ser-se poeta
e dos bons!
Dos que não precisam
de guarda-chuva no poema
para fugir à chuva.
Já sei!
Se o poema tivesse
pernas e braços…
Com pernas e braços no poema
tudo seria mais fácil.
O guarda-chuva e a gabardina
fariam todo o sentido no poema.
Pernas e braços no corpo do poema
para vestir a gabardina
segurar o guarda-chuva
e correr a caminho da primavera.