É verdade que nós não
conhecíamos o Senhor Abílio e a Dona Matilde. Nem tão pouco a sua bela horta.
Mas numa destas manhãs em que resolvemos,“cheirar a chuva” e nos detivemos
frente a um muro” vestido de festa”, travamos conhecimento com o casal que
abrindo o portão da Quinta nos convidou a entrar para que os meninos pudessem
ver a horta e os animais…
À entrada fomos
recebidos por uma joaninha que se colou à minha bata para que pudesse ser bem
vista por todos! Feitas as apresentações a joaninha foi à vida dela e nós
ouvíamos atentamente as explicações do Senhor Abílio e da Dona Matilde.
Na horta havia um pouco
de tudo, favas, alfaces, espinafres, algumas árvores de fruto pequenas como os
meninos mas das quais se esperam bons e sumarentos frutos.
Misturadas com as
árvores e os legumes, algumas flores e ervas aromáticas que segundo a Dona
Matilde servem para dar colorido e mais perfume à horta.
Tudo ali crescia sem
pressas; explicava o Senhor Abílio:
- Agora que está tudo
aconchegado, vimos só ver se estão bem e contemplar o milagre da natureza! Há
que saber esperar! A natureza sabe o que faz! Não tarda e os morangos estarão
pintados, as batatinhas crescidas e esta chuvinha vai amaciar as couves e
deixar mais tenras as ervilhas e as favas…
Assim que o tempo
pintar os morangos levo-lhe um cestinho à escola. Dizia-me, enquanto noutro
canto da horta Dona Matilde apanhava alfazema e explicava aos pequenos que
podiam metê-la nas gavetas da roupa para que esta ficasse cheirosa…
Despedimo-nos sem ver
os animais pois estava quase na hora de almoço, mas vamos voltar.
Prometemos aos nossos
novos amigos que os ajudaríamos a apanhar as batatas e ainda não vimos os
animais da quinta. Bom, já conhecemos as ovelhas e as cabras que costumam
passar em frente à escola a caminho do pasto e o burro Roberto que cumprimenta
todos os que passam no portão com zurros delicados.
- Hoje foi dar uma
ajuda no campo da minha Comadre. Da próxima vez que vierem os meninos podem
montá-lo. É um burro muito doce. Disse a Dona Matilde.
E eu digo que é verdade
que já lhe vi os olhos!

