domingo, 20 de maio de 2012

"O MURO VESTIDO DE FESTA E A HORTA DO SENHOR ABÍLIO E DA DONA MATILDE"





É verdade que nós não conhecíamos o Senhor Abílio e a Dona Matilde. Nem tão pouco a sua bela horta. Mas numa destas manhãs em que resolvemos,“cheirar a chuva” e nos detivemos frente a um muro” vestido de festa”, travamos conhecimento com o casal que abrindo o portão da Quinta nos convidou a entrar para que os meninos pudessem ver a horta e os animais…



À entrada fomos recebidos por uma joaninha que se colou à minha bata para que pudesse ser bem vista por todos! Feitas as apresentações a joaninha foi à vida dela e nós ouvíamos atentamente as explicações do Senhor Abílio e da Dona Matilde.

 
Na horta havia um pouco de tudo, favas, alfaces, espinafres, algumas árvores de fruto pequenas como os meninos mas das quais se esperam bons e sumarentos frutos.
Misturadas com as árvores e os legumes, algumas flores e ervas aromáticas que segundo a Dona Matilde servem para dar colorido e mais perfume à horta.


Tudo ali crescia sem pressas; explicava o Senhor Abílio:
- Agora que está tudo aconchegado, vimos só ver se estão bem e contemplar o milagre da natureza! Há que saber esperar! A natureza sabe o que faz! Não tarda e os morangos estarão pintados, as batatinhas crescidas e esta chuvinha vai amaciar as couves e deixar mais tenras as ervilhas e as favas…

Assim que o tempo pintar os morangos levo-lhe um cestinho à escola. Dizia-me, enquanto noutro canto da horta Dona Matilde apanhava alfazema e explicava aos pequenos que podiam metê-la nas gavetas da roupa para que esta ficasse cheirosa…


 
Despedimo-nos sem ver os animais pois estava quase na hora de almoço, mas vamos voltar.

Prometemos aos nossos novos amigos que os ajudaríamos a apanhar as batatas e ainda não vimos os animais da quinta. Bom, já conhecemos as ovelhas e as cabras que costumam passar em frente à escola a caminho do pasto e o burro Roberto que cumprimenta todos os que passam no portão com zurros delicados. 

- Hoje foi dar uma ajuda no campo da minha Comadre. Da próxima vez que vierem os meninos podem montá-lo. É um burro muito doce. Disse a Dona Matilde.

E eu digo que é verdade que já lhe vi os olhos!




sábado, 19 de maio de 2012

CHUVA DE MAIO



"Estoy esperando un barco
que me lleve a tu corazón
Lluvia de Mayo
moja mi cuerpo
mi alma no.

Estoy esperando un barco
que me lleve a tu pensamiento
Lluvia de Mayo
por qué‚ esta tristeza
en mi contento.

Estoy esperando un barco
que me lleve hasta tus besos
Lluvia de Mayo
empuja mis velas
a un buen puerto.

Estoy esperando un barco
que me lleve a tu corazón
Lluvia de Mayo
sigo buscando
ser mi canción."

Luís Pastor


quinta-feira, 17 de maio de 2012

"ÁRVORE VESTIDA DE NOIVA"




(…)
E quando as árvores de fruto se cobriam abundantemente de flores brancas e rosas, ela avisava: “ Estão noivas!”

Ilse Losa, “Na Quinta das Cerejeiras”

terça-feira, 15 de maio de 2012

QUASE TUDO O QUE DESCOBRIMOS SOBRE CARACÓIS





 
Certo dia numa reunião de Pais alguém me perguntou o que faziam exatamente os meninos do Pré-Escolar. Quem fez a pergunta foi bastante explícito, queria saber o que faziam na sala além de brincar.

Podia ter respondido de milhentas maneiras, mas olhei pela janela e no momento só me ocorreu convidar os Pais a ir até ao jardim e pedir-lhes que observassem os bichinhos da relva.

Ora só se pode observar os bichinhos da relva sentado, melhor deitado! Alguns desconfiados, resistiram a sentar-se. De cima observavam os mais ousados, mas sobretudo observavam-me.

 Disse-lhes que uma vez sentada na relva com os meninos lhes pediria que me falassem do que viam; que por entre a relva se podem ver muitas coisas, que quando estamos todos juntos vemos sempre coisas que sozinhos nunca conseguiríamos, mas que só assim aprendemos a ver sozinhos, outras coisas que mais ninguém vê…


Provavelmente os meninos iriam desenhar, pintar, modelar, recortar ou só sonhar o que viram…

Pese o facto de alguns me acharem um tanto maluquinha e estranharem os métodos pedagógicos a maioria entendeu o que fazem os meninos na sala e principalmente fora dela!

Por isso quando numa destas manhãs entrei na escola acompanhada por dois caracóis já ninguém estranhou!

Eu e os meninos tínhamos andado no muro do recreio à sua procura, mas em vão.

Mas a caminho da escola, eis que dois caracóis se me atravessam mesmo à frente e pensei:
-Hoje é o dia em que vamos descobrir tudo o que quisermos sobre caracóis!

Pedi então aos pobres bichos que me desculpassem por tirá-los da sua vida. Imaginei como ficaria furiosa se alguém me impedisse de seguir a minha vida naquela manhã. Apesar de pouco saber da vida dos caracóis, calculei que estivessem ocupados nos seus afazeres de caracol e prometi-lhes que em breve estariam no mesmo sítio.

Quando os apresentei aos meninos, estes logo disseram que era um caracol Pai e Mãe, queriam ver onde os tinha apanhado, se calhar os filhos andavam à sua procura…

Além do mais tinham aprendido quando fizeram Poça de Maré, que sempre que retiramos um animal do sítio devemos voltar a coloca-lo no lugar…

Um dos caracóis parecia até muito irritado, e logo alguém sugeriu que devia ser a Mãe, (vá-se lá saber porquê), decidimos depois de já termos descoberto alguma coisa sobre caracóis devolvê-los ao seu lugar.

E aqui fica tudo o que descobrimos sobre caracóis:

- Que adoram aparecer depois da chuva.
- Que têm os olhos nos corninhos.
- Que andam devagar para ver melhor!
- Que são escorregadios.
- Que podem morar onde quiserem, pois têm sempre a casa consigo!
- Que gostam de trabalhar à noite para se protegerem de uns pássaros que os apreciam na ementa.
- Que há caracóis diferentes, e basta olhar para as conchas!
- Há também caracóis no mar.

Ao chegarem ao local onde tinha apanhado os caracóis apareceram outros mais pequenos, seriam certamente os filhos de que falaram os meninos…
Caracóis no lugar, a Matilde pediu-lhes que tivessem cuidado e ficassem na relva, não fosse alguém distraído pôr-lhes o pé em cima…




 















domingo, 13 de maio de 2012

O OLHAR


     
( Foto dos alunos do curso C.E.F. 2011/2012 retirada do livro "MAPS")




O OLHAR

Ele era um andarilho.
Ele tinha um olhar cheio de sol
de águas
de árvores
de aves.
Ao passar pela Aldeia
Ele sempre me pareceu a liberdade em trapos.
O silêncio honrava a sua vida.

Manoel de Barros


sexta-feira, 11 de maio de 2012

O MAR...





El mar. La mar.
El mar. ¡Sólo la mar! 


   ¿Por qué me trajiste, padre,
a la ciudad? 


   ¿Por qué me desenterraste
del mar?


   En sueños, la marejada
me tira del corazón.
Se lo quisiera llevar. 


   Padre, ¿por qué me trajiste
acá?



Rafael Alberti

quinta-feira, 10 de maio de 2012

OLHARES SOB E SOBRE CIDADES







Das cidades já se sabe, umas são atravessadas por rios, mar de mar, mares de gente…

As cidades têm luz própria, cheiros únicos, cores, texturas, caminhos…

Caminhos que percorremos sobretudo com o olhar…

E o que vê o nosso olhar?

Imagens que falam de mim, de nós, por mim, e por nós…

Afinal” as cidades são Pessoas”! Mas não só!


Não sei de que falam as fotos do livro intitulado, “MAPS”, elaborado pela turma CEF deste Agrupamento de escolas. Mas posso atestar da qualidade dos projetos anteriores.

Conheço alguns dos alunos que de quando em vez nos visitam para pôr em prática os conhecimentos adquiridos na área da fotografia. Estou por isso curiosa para saber o que viram os seus olhos sobre as cidades de, Valongo, Lisboa, Porto, Amarante e Guimarães.

O lançamento do livro é já hoje à noite.

Se puderem e quiserem ver para além do olhar. Apareçam!

Aos Professores, José Manuel Soares, Benedita Kendall, Alberto Oliveira e Alzira Mota, Coordenadores e responsáveis do projeto um enorme, Bem Hajam!
E até logo!