sábado, 19 de maio de 2012

CHUVA DE MAIO



"Estoy esperando un barco
que me lleve a tu corazón
Lluvia de Mayo
moja mi cuerpo
mi alma no.

Estoy esperando un barco
que me lleve a tu pensamiento
Lluvia de Mayo
por qué‚ esta tristeza
en mi contento.

Estoy esperando un barco
que me lleve hasta tus besos
Lluvia de Mayo
empuja mis velas
a un buen puerto.

Estoy esperando un barco
que me lleve a tu corazón
Lluvia de Mayo
sigo buscando
ser mi canción."

Luís Pastor


quinta-feira, 17 de maio de 2012

"ÁRVORE VESTIDA DE NOIVA"




(…)
E quando as árvores de fruto se cobriam abundantemente de flores brancas e rosas, ela avisava: “ Estão noivas!”

Ilse Losa, “Na Quinta das Cerejeiras”

terça-feira, 15 de maio de 2012

QUASE TUDO O QUE DESCOBRIMOS SOBRE CARACÓIS





 
Certo dia numa reunião de Pais alguém me perguntou o que faziam exatamente os meninos do Pré-Escolar. Quem fez a pergunta foi bastante explícito, queria saber o que faziam na sala além de brincar.

Podia ter respondido de milhentas maneiras, mas olhei pela janela e no momento só me ocorreu convidar os Pais a ir até ao jardim e pedir-lhes que observassem os bichinhos da relva.

Ora só se pode observar os bichinhos da relva sentado, melhor deitado! Alguns desconfiados, resistiram a sentar-se. De cima observavam os mais ousados, mas sobretudo observavam-me.

 Disse-lhes que uma vez sentada na relva com os meninos lhes pediria que me falassem do que viam; que por entre a relva se podem ver muitas coisas, que quando estamos todos juntos vemos sempre coisas que sozinhos nunca conseguiríamos, mas que só assim aprendemos a ver sozinhos, outras coisas que mais ninguém vê…


Provavelmente os meninos iriam desenhar, pintar, modelar, recortar ou só sonhar o que viram…

Pese o facto de alguns me acharem um tanto maluquinha e estranharem os métodos pedagógicos a maioria entendeu o que fazem os meninos na sala e principalmente fora dela!

Por isso quando numa destas manhãs entrei na escola acompanhada por dois caracóis já ninguém estranhou!

Eu e os meninos tínhamos andado no muro do recreio à sua procura, mas em vão.

Mas a caminho da escola, eis que dois caracóis se me atravessam mesmo à frente e pensei:
-Hoje é o dia em que vamos descobrir tudo o que quisermos sobre caracóis!

Pedi então aos pobres bichos que me desculpassem por tirá-los da sua vida. Imaginei como ficaria furiosa se alguém me impedisse de seguir a minha vida naquela manhã. Apesar de pouco saber da vida dos caracóis, calculei que estivessem ocupados nos seus afazeres de caracol e prometi-lhes que em breve estariam no mesmo sítio.

Quando os apresentei aos meninos, estes logo disseram que era um caracol Pai e Mãe, queriam ver onde os tinha apanhado, se calhar os filhos andavam à sua procura…

Além do mais tinham aprendido quando fizeram Poça de Maré, que sempre que retiramos um animal do sítio devemos voltar a coloca-lo no lugar…

Um dos caracóis parecia até muito irritado, e logo alguém sugeriu que devia ser a Mãe, (vá-se lá saber porquê), decidimos depois de já termos descoberto alguma coisa sobre caracóis devolvê-los ao seu lugar.

E aqui fica tudo o que descobrimos sobre caracóis:

- Que adoram aparecer depois da chuva.
- Que têm os olhos nos corninhos.
- Que andam devagar para ver melhor!
- Que são escorregadios.
- Que podem morar onde quiserem, pois têm sempre a casa consigo!
- Que gostam de trabalhar à noite para se protegerem de uns pássaros que os apreciam na ementa.
- Que há caracóis diferentes, e basta olhar para as conchas!
- Há também caracóis no mar.

Ao chegarem ao local onde tinha apanhado os caracóis apareceram outros mais pequenos, seriam certamente os filhos de que falaram os meninos…
Caracóis no lugar, a Matilde pediu-lhes que tivessem cuidado e ficassem na relva, não fosse alguém distraído pôr-lhes o pé em cima…




 















domingo, 13 de maio de 2012

O OLHAR


     
( Foto dos alunos do curso C.E.F. 2011/2012 retirada do livro "MAPS")




O OLHAR

Ele era um andarilho.
Ele tinha um olhar cheio de sol
de águas
de árvores
de aves.
Ao passar pela Aldeia
Ele sempre me pareceu a liberdade em trapos.
O silêncio honrava a sua vida.

Manoel de Barros


sexta-feira, 11 de maio de 2012

O MAR...





El mar. La mar.
El mar. ¡Sólo la mar! 


   ¿Por qué me trajiste, padre,
a la ciudad? 


   ¿Por qué me desenterraste
del mar?


   En sueños, la marejada
me tira del corazón.
Se lo quisiera llevar. 


   Padre, ¿por qué me trajiste
acá?



Rafael Alberti

quinta-feira, 10 de maio de 2012

OLHARES SOB E SOBRE CIDADES







Das cidades já se sabe, umas são atravessadas por rios, mar de mar, mares de gente…

As cidades têm luz própria, cheiros únicos, cores, texturas, caminhos…

Caminhos que percorremos sobretudo com o olhar…

E o que vê o nosso olhar?

Imagens que falam de mim, de nós, por mim, e por nós…

Afinal” as cidades são Pessoas”! Mas não só!


Não sei de que falam as fotos do livro intitulado, “MAPS”, elaborado pela turma CEF deste Agrupamento de escolas. Mas posso atestar da qualidade dos projetos anteriores.

Conheço alguns dos alunos que de quando em vez nos visitam para pôr em prática os conhecimentos adquiridos na área da fotografia. Estou por isso curiosa para saber o que viram os seus olhos sobre as cidades de, Valongo, Lisboa, Porto, Amarante e Guimarães.

O lançamento do livro é já hoje à noite.

Se puderem e quiserem ver para além do olhar. Apareçam!

Aos Professores, José Manuel Soares, Benedita Kendall, Alberto Oliveira e Alzira Mota, Coordenadores e responsáveis do projeto um enorme, Bem Hajam!
E até logo!

terça-feira, 8 de maio de 2012

NUVENZINHAS



(...)

As nuvenzinhas chegam-se umas às outras, leves e brancas, franzindo-se numa espuma frágil.


Depois, coloriam-se de ouro e de rosa.


Depois desmanchavam-se.



Cecília Meireles em, Olhinhos de Gato


Fotos do Edgar e do Pedro, numa  destas manhãs quando as nuvens espreitavam por cima do nosso recreio, "CHEIAS DE ESTRELAS NA BARRIGA"!

domingo, 6 de maio de 2012

AS MÃES SABEM AQUECER O FRIO




Era uma vez. Quando eu era muito pequena, um dia de neve.

Não sei se era manhã ou tarde. Que quando somos pequenos o lado e a hora do dia não fazem qualquer sentido. Sei que o jardim e tudo à volta estavam cobertos de branco, tudo, menos eu e a minha Mãe.

Que com roupas quentes e coloridas nos divertíamos numa batalha de bolas de neve que se desfaziam como espuma, ora contra o meu rosto, ora contra os cabelos…

Eu tinha as mãos e a cara enregeladas, mas o meu coração estava tão quente que pensei;
AS MÃES SABEM AQUECER O FRIO!



E disto me lembrei hoje que também sou Mãe!



quinta-feira, 3 de maio de 2012

A FADA FLORÊNCIA



Esta é a fada Florência.

A fada que saiu do livro, "Histórias para contar em Noites de Luar", do escritor José Fanha, lembram-se?

Depois de ouvirem as palavras com que o escritor desenhou a fada, os meninos construíram as suas, todas diferentes e todas tão fadas… e tão encantadas!

Mas os meninos queriam uma fada que todos pudessem mimar, uma fada que fizesse feitiços a sério e para isso tinha de ser” uma fada de pegar”!

Começamos então todos juntos a sonhar a fada…

Depois de sonhada apareceu o desenho, a nossa Joaninha cortou a fada e a Dona Graça, para quem as linhas e agulhas não têm segredos fez aparecer a fada na sala.

Faltava só vestir a fada. Tarefa que foi executada pela Elisabete, mãe do Martim!

Hoje pela manhã a fada Florência acompanhou o Martim até à escola e lançou pó de fada sobre todos os meninos.

Visitou a sala da Professora Ana e fez como não podia deixar de ser, uma visita aos nossos amigos do quarto ano, a provar que afinal ” as fadas também vão à escola”!

De volta à sala, os meninos decidiram que a fada vai ficar na Biblioteca.

Pois se saiu de um livro!



ÁRVORE COM GATO PENDURADO


                                   Inês- 6 anos
    
Acordou bem cedinho! Acordar era uma maneira de dizer! Pois se nem sequer pregara olho!

Estava tão entusiasmada para conhecer a nova escola, aquela que seria a sua nova casinha até que tivesse um dia de rumar a outra. Que os professores são assim como uma espécie de caracóis, volta que volta aí andam com a casa às costas!

Como seria a escola?

Imaginava-a, cheia de meninos sorridentes, curiosos como só os meninos sabem ser.

Não, não tinha pensado no edifício. Afinal a escola são meninos e tudo o resto pormenores!

Ela já tinha estado numas quantas escolas e em todas elas tinha vivido histórias maravilhosas. 

Lembrava o dia em que estava no recreio com os meninos e numa das árvores ouviram miar!

Era o gato da Dona Lurdinhas, a empregada da escola.

Talvez perseguindo um pássaro ou sonhando-se ser um, o pobre gato estava agora pendurado num dos ramos do plátano que vivia no recreio da escola. O medo impedia-o de descer e era acompanhado de um miar desesperado!
Ao ver o pobre animal em tal desespero quase sem pensar descalçou os sapatos e as meias e começou a trepar pelo Plátano para resgatar o pobre do bichinho! 

Ao olhar boquiaberto dos meninos seguiu-se um silêncio absoluto. Ela continuava a trepar agarradinha aos ramos, abraçando os ramos como lhe ensinara o Avô António.

Que as árvores são como as pessoas gostam de abraços e ternuras…

Se as tratarmos bem concedem-nos o privilégio de igualar os pássaros, ficar bem pertinho do azul, soletrar a língua do vento. E que de outro lugar se podem colher melhor os frutos e horizontes?

O pobre do Pachá, assim se chamava o gato, é que não estava mesmo a disfrutar da vista e se alguma vez quis ser ave estava arrependido! Tanto, que quando o agarrou, o animal tremia de tal forma que não fora o riscado do pelo e tê-lo-ia confundido com uma folha que o vento resolveu aborrecer!

Por ela teria ficado mais tempo no cimo do Plátano, mas o Pachá pedia-lhe que o tirasse dali bem depressinha! 

Ainda mal tinha posto os pés no chão e já este corria para aos braços da dona miando e ronronando, num misto de desculpas e mimo.

Dona Lurdinhas chorava e agradecia. Os meninos batiam palmas e olhavam-na cheios de admiração!

Durante o resto do dia não falaram noutra coisa. E na hora da saída ouvia-os segredar aos Pais:

- A minha Professora sobe às árvores!

Pensou como seria bom se a nova escola tivesse um recreio com árvores!

Ela e os meninos poderiam descobrir quase tudo sobre árvores, pássaros, vento…
E quem sabe, Gatos!