quarta-feira, 14 de março de 2012

"ANDORINHAS DE SE SONHAR"







Era uma andorinha branca
que me batia à janela
e contente anunciava
que chegara a primavera,
ou era eu que sonhava?

Eugénio de Andrade



                                          

segunda-feira, 12 de março de 2012

ONDE MORAM OS POETAS?







A verdade verdadinha é que ninguém sabe ao certo onde moram os poetas…

Bem, a verdade é que todos sabemos que os poetas moram nas histórias! Ao certo só não sabemos em qual história! É que os verdadeiros poetas nunca moram muito tempo na mesma história.

Se agora estão numa história de fadas demoram-se por lá pouco tempo, pois já estão com um dedinho numa história de príncipes e princesas e com a cabeça desenhando o sol ou a lua ou estrelas, o que seja, numa outra história.

E está poeticamente provado que só os verdadeiros poetas saem das histórias. Por tempo muito limitado é certo, é que se há coisa que os verdadeiros poetas não gostam é de andar atrás do tempo que lhes fazem perder e que precisam para entrar noutra história. Mas dizia eu que de quando em vez, os poetas a sério acedem a sair das histórias para se juntar a outros poetas…

Pois só os verdadeiros poetas sabem que a “liberdade e a poesia se aprendem com as crianças”!

Talvez só por essa razão o poeta, José Fanha, tenha por uma tarde saído de uma das suas histórias e visitado a nossa escola.

E se dúvidas houvesse se estaríamos de facto na presença de um verdadeiro poeta, os que o ouviram e leram dentro das histórias, resolveram atribuir-lhe a medalha dos poetas. Três malmequeres bem coloridos e cheios de pólen de poesia. Só mesmo para quem merece, porque ninguém consegue enganar os verdadeiros especialistas em poesia- Os Meninos!

E claro, tal como apareceu o poeta desapareceu rapidamente no meio de uma outra história.
Nem tivemos tempo de agradecer-lhe…

Mas como “os poetas são como os pássaros que chegam não se sabe de onde nem quando…”


segunda-feira, 5 de março de 2012

MALMEQUERES DE FADA

Desenho- Edgar



- Toma Professora, são malmequeres de fada! Disse o Edgar estendendo-lhe um raminho de malmequeres tão amarelos que pareciam raiozinhos de sol!

E como que por magia lembrou as coroas e colares de malmequeres que costumava fazer na infância…

 Desde essa altura não voltara a ver malmequeres de fada!

sábado, 3 de março de 2012

LEITURAS COM PONTES DE TERNURAS







O melhor dos projetos não é as atividades que desenvolvemos mas o que fica delas!

Há cerca de um ano atrás eu e a minha amiga Alexandra, Professora do Primeiro Ciclo, iniciamos um projeto de leitura partilhada que nos tem levado em algumas aventuras e muitas ternuras.

Inicialmente uniu-nos a paixão pelos livros e pela profissão. Começamos a partilhar leituras ,descobrimos autores, encantadores de palavras e resolvemos partilhá-los com os meninos de ambas as salas. Na altura os meninos da Professora Alexandra tinham entre oito e nove anos e “os meus meninos” três e quatro anos. Devo advertir que tal facto causou logo grande espanto junto dos que só conseguem juntar letras! Um projeto de articulação de leitura partilhada, com meninos, agora no quarto ano, e do Pré- escolar?! Mas se no Pré-escolar os meninos não sabem ler, como será tal coisa possível?!

Leio-lhes ainda a vontade de perguntar se sabe ler a Educadora, não está na sala de aula afinal só para tomar conta dos meninos?!

Noutros tempos com menos anos de profissão confesso que tais observações me teriam deixado irritada, bastante. Mas hoje esboço um largo sorriso, acho que o que gostariam de facto era de ser Educadores de Infância, pois descobriram que aqui está toda a magia e poesia que outros níveis de ensino já não conseguem! Não porque elas não existam, mas só porque muitos não sabem ler!

Provavelmente nunca conseguiram entender para que serve o ensino Pré – escolar e agora, com muita pena minha já não vão a tempo! A tempo de perceber como podem partilhar leituras e ternuras meninos e professores que se divertem, gostam do que fazem e só têm tempo para serem felizes!



terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

AURORA ROSA-ALPERCE


Levantara-se de madrugada para ver nascer o sol.

Às vezes ficava sentada no parapeito da janela a ver o sol acordar o mar. O mar ainda a bocejar ainda a abrir a enorme boca de espuma e o sol a ofuscar-lhe os olhos… como que a dizer;

- Acorda dorminhoco! Abre os olhos! Empurra a roupa para trás!

E o mar parecia atender ao pedido. Perfumava-se de algas, vestia a sua alva camisa de espuma, enfeitava-se das conchas mais belas e raras e esticava-se até á praia como que para dizer;

-Bom dia!

A praia estava agora pintada com as cores da aurora. Um céu suave cor de alperce que aos poucos se transformava num belo rosa solene. Finalmente o dia acabara de nascer!

Via ao fundo o banco onde tantas vezes se sentava a esperar o dia…

E pensou;

- Que lindo, Meu Deus!