sexta-feira, 22 de junho de 2012
RODA DE SORRISOS
Rolam sorrisos
pelo ar pelo chão
rolam sorrisos
ao toque da mão.
Sorrisos luminosos
empurrados de vento
sorrisos tão leves
de encantamento...
Brisas perfumadas
que o tempo não quebre.
Para que sempre feliz
seja a vida breve.
terça-feira, 19 de junho de 2012
INICIAÇÃO À LEITURA E POESIA
Aconchegada num dos
ramos da sua árvore preferida, pensou que aprender a ler talvez tivesse sido a
sua maior conquista!
Que quando sabemos ler
somos maiores e mais importantes.
E ela aprendera a ler
muito antes de ir para a escola. Não, não era sobredotada! Nada disso.
Provavelmente era mais curiosa que os demais. Queria saber todos os, porque
sim, os porque não, os porque assim-assim, e os porque nunca nem sim nem não! E
os Avós, o Pai e a Mãe, a sua Ana, tinham sempre muito tempo e paciência para
os seus porque tudo!
Quando chegou à escola
ela conheceu Dona Laura, a professora mais maravilhosa que alguém pode ter. Mas
já tinha aprendido a ler no vento, no verde das árvores, nos passinhos das
formigas que costumava observar tronco acima tronco abaixo, no murmurar das
águas do rio, nas piruetas dos peixes ensaiadas ao fim da tarde quando o seu
rio, o Douro, ficava da cor da prata. Sabia ler a doçura e a raiva da chuva, as
cores do céu e do mar e jurou um dia fazer um colar com pérolas de granizo!
Tinha aprendido a
partir as palavras, a cheirá-las, a mastigá-las e a engoli-las bem devagar
tomando-lhes o sabor e a textura… Que antes de aprender a ler temos de saber
que, há palavras perfumadas, coloridas, palavras que picam, palavras livres,
palavras que nos cobrem como mantos de ternura. Isto tudo aprendera ela a ler
sem saber ler. Nas histórias e palavras que ouvia em seu redor aprendera a ler
sem ter ido à escola!
Dona Laura ensinara-lhe
a juntar as letras, as letras que formam as palavras que tão bem sabia ler! E
ensinara-lhe a ler melhor nas entrelinhas, a inventar outras palavras e a
viajar de sonho!
Por isso decidiu que
todos os seus meninos aprenderiam a ler assim! Talvez agora os adultos que a
acham uma pessoa esquisita, percebam porque observam os seus meninos os
bichinhos da relva, porque tentam adivinhar perfumes no ar, porque cantam e partem
palavras!
Para aprender a ler é
fundamental gostar das palavras. Gostar e detestar para argumentar, criar e
sonhar! E claro, descobrir qual a nossa palavra preferida!
E a sua palavra
preferida ouvira a Ana. Ana sempre usava palavras enroladinhas em mantinhas de
ternura, mas a palavra mais mágica que até hoje ouvira repetia-se todas as
noites, quando depois de aconchegar-lhe a roupa ao deitar ouvia da boca desta:
- Durma bem MEU
ACALANTO!
É certo que não sabia
bem o que queria a palavra dizer, mas percebia que a palavra estava embrulhada
numa das mantinhas de ternura que só Ana sabia tecer.
domingo, 17 de junho de 2012
"DE VEZ EM QUANDO A VIDA TOMA COMIGO CAFÉ"
De vez en cuando la vida
nos besa en la boca
y a colores se despliega
como un atlas,
nos pasea por las calles
en volandas,
y nos sentimos en buenas manos;
se hace de nuestra medida,
toma nuestro paso
y saca un conejo de la vieja chistera
y uno es feliz como un niño
cuando sale de la escuela.
De vez en cuando la vida
toma conmigo café
y está tan bonita que
da gusto verla.
Se suelta el pelo y me invita
a salir con ella a escena.
De vez en cuando la vida
se nos brinda en cueros
y nos regala un sueño
tan escurridizo
que hay que andarlo de puntillas
por no romper el hechizo.
De vez en cuando la vida
afina con el pincel:
se nos eriza la piel
y faltan palabras
para nombrar lo que ofrece
a los que saben usarla.
De vez en cuando la vida
nos gasta una broma
y nos despertamos
sin saber qué pasa,
chupando un palo sentados
sobre una calabaza.
nos besa en la boca
y a colores se despliega
como un atlas,
nos pasea por las calles
en volandas,
y nos sentimos en buenas manos;
se hace de nuestra medida,
toma nuestro paso
y saca un conejo de la vieja chistera
y uno es feliz como un niño
cuando sale de la escuela.
De vez en cuando la vida
toma conmigo café
y está tan bonita que
da gusto verla.
Se suelta el pelo y me invita
a salir con ella a escena.
De vez en cuando la vida
se nos brinda en cueros
y nos regala un sueño
tan escurridizo
que hay que andarlo de puntillas
por no romper el hechizo.
De vez en cuando la vida
afina con el pincel:
se nos eriza la piel
y faltan palabras
para nombrar lo que ofrece
a los que saben usarla.
De vez en cuando la vida
nos gasta una broma
y nos despertamos
sin saber qué pasa,
chupando un palo sentados
sobre una calabaza.
quinta-feira, 14 de junho de 2012
PALAVRAS IMPOSSÍVEIS AO DESENHO
Na tentativa de dizer-te do quanto te
quero
desenhei mil palavras.
Desenhei, apaguei, amarrotei as
folhas…
Nenhuma me encheu as medidas.
Na verdade o desenho nunca foi o meu
forte.
E enquanto risco e apago
chegas e abraço-te…
E como por magia digo sem dizer tudo
o que queria.
E na folha de papel
estão agora as palavras que ao desenho
pareciam impossíveis!
domingo, 10 de junho de 2012
OS MEUS GATOS...
E UM POEMA DE VINICIUS DE MORAES,
GATOS
Com um lindo salto
Leve e seguro
O gato passa
Do chão ao muro
Logo mudando
De opinião
Passa de novo
Do muro ao chão
E pisa e passa
Cuidadoso, de mansinho
Pega e corre, silencioso
Atrás de um pobre passarinho
E logo pára
Como assombrado
Depois dispara
Pula de lado
Se num novelo
Fica enroscado
Ouriça o pêlo, mal-humorado
Um preguiçoso é o que ele é
E gosta muito de cafuné
Com um lindo salto
Leve e seguro
O gato passa
Do chão ao muro
Logo mudando
De opinião
Passa de novo
Do muro ao chão
E pisa e passa
Cuidadoso, de mansinho
Pega e corre, silencioso
Atrás de um pobre passarinho
E logo pára
Como assombrado
Depois dispara
Pula de lado
E quando à noite vem a fadiga
Toma seu banho
Passando a língua pela barriga
sexta-feira, 8 de junho de 2012
CREPÚSCULO SOLITÁRIO
Vento di mar
Trazê'me um cretcheu
Ness detardinha
Di ceu nublado
Um tchuva d'amor
Podé fazê flori
Um coração
Quemode di paixão
Na patamar
Dum vida singela
'M contemplá
Dona felicidade
Nem um olhar
'M encontrá
Num multidão
Tão solitária
Ja tem gente
Gente até demas
Qu'tita sofrê
Na solidão
Ja tem gente
Qu'ta quase to morré
Na luz cadente
Dum crepúsculo
Ja tem gente
Gente até demas
Qu'tita sofrê
Na solidão
Ja tem gente
Qu'ta quase to morré
Na luz cadente
Dum crepúsculo
Trazê'me um cretcheu
Ness detardinha
Di ceu nublado
Um tchuva d'amor
Podé fazê flori
Um coração
Quemode di paixão
Na patamar
Dum vida singela
'M contemplá
Dona felicidade
Nem um olhar
'M encontrá
Num multidão
Tão solitária
Ja tem gente
Gente até demas
Qu'tita sofrê
Na solidão
Ja tem gente
Qu'ta quase to morré
Na luz cadente
Dum crepúsculo
Ja tem gente
Gente até demas
Qu'tita sofrê
Na solidão
Ja tem gente
Qu'ta quase to morré
Na luz cadente
Dum crepúsculo
Etiquetas:
Cesária Évora e Bonnie Raitt,
musicas minhas
quarta-feira, 6 de junho de 2012
PARA QUANDO APETECE SER BARCO
SOU BARCO
Sou barco abandonado
Na praia ao pé do mar
E os pensamentos são
Meninos a brincar.
Ei-lo que salta bravo
E a onda verde-escura
Desfaz-se em trigo
De raiva e amargura.
Ouço o fragor da vaga
Sempre a bater ao fundo,
Escrevo, leio, penso,
Passeio neste mundo
De seis passos
E o mar a bater ao fundo.
Agora é todo azul,
Com barras de cinzento,
E logo é verde, verde
Teu brando chamamento.
Ó mar, venha a onda forte
Por cima do areal
E os barcos abandonados
Voltarão a Portugal.
António Borges Coelho
Etiquetas:
António Borges Coelho,
Poesia,
Prática Pedagógica
terça-feira, 5 de junho de 2012
A HORTA QUE NASCEU NA VARANDA PORQUE NÃO TEVE AUTORIZAÇÃO PARA NASCER NO RECREIO
Se é verdade que todas as casas devem ter uma varanda e muitas, muitas
janelas, deviam também ter um quintal.
Agora o que nem passa pela cabeça é uma escola sem recreio!
E no recreio os meninos deviam fazer tudo, mas tudo o que se pode fazer
num recreio. Pena que às vezes aparecem uns quantos adultos que decidem vá-se
lá saber porquê, que os recreios são para usar pouco! Quer dizer, de
preferência usar quase nada, que pode estragar!
Mandam colocar árvores muito bonitas, arbustos exóticos e semear relva,
mas já decidiram que ninguém pode trepar às árvores nem pisar a relva e ai do
professor que sonhe sequer alterar a estética do jardim.
Uma horta no recreio?! Mas é que nem pensar!
Mas a Professora era teimosa! Quando se trata de boas causas que fique
claro!
E ela e os meninos tinham decidido depois da visita à horta do Sr. Abílio
e da Dona Matilde, que teriam uma horta nem que fosse na varanda!
Compraram tudo o que é necessário e puseram mãos à obra.
Depois de preparada a terra semearam feijões e alfaces. Plantaram couves,
tomates, abóboras e até um manjerico.
Depois de tudo regado os vasos foram colocados na varanda e os meninos
transformaram-se em autênticos guardiões da horta observando ao milímetro o
trabalho da natureza.
Os feijões já têm flor e tal como os tomateiros tiveram de ser
estacados.
Os meninos acharam graça quando a professora lhes disse que há legumes
que tal como eles também gostam de trepar!
A horta está um mimo e quem sabe os meninos ainda consigam durante este
ano letivo provar os legumes da horta da varanda em salada ou sopa!
Para os que duvidaram que a professora e os meninos fariam uma horta na
varanda aqui ficam as fotos!
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