segunda-feira, 5 de março de 2012

MALMEQUERES DE FADA

Desenho- Edgar



- Toma Professora, são malmequeres de fada! Disse o Edgar estendendo-lhe um raminho de malmequeres tão amarelos que pareciam raiozinhos de sol!

E como que por magia lembrou as coroas e colares de malmequeres que costumava fazer na infância…

 Desde essa altura não voltara a ver malmequeres de fada!

sábado, 3 de março de 2012

LEITURAS COM PONTES DE TERNURAS







O melhor dos projetos não é as atividades que desenvolvemos mas o que fica delas!

Há cerca de um ano atrás eu e a minha amiga Alexandra, Professora do Primeiro Ciclo, iniciamos um projeto de leitura partilhada que nos tem levado em algumas aventuras e muitas ternuras.

Inicialmente uniu-nos a paixão pelos livros e pela profissão. Começamos a partilhar leituras ,descobrimos autores, encantadores de palavras e resolvemos partilhá-los com os meninos de ambas as salas. Na altura os meninos da Professora Alexandra tinham entre oito e nove anos e “os meus meninos” três e quatro anos. Devo advertir que tal facto causou logo grande espanto junto dos que só conseguem juntar letras! Um projeto de articulação de leitura partilhada, com meninos, agora no quarto ano, e do Pré- escolar?! Mas se no Pré-escolar os meninos não sabem ler, como será tal coisa possível?!

Leio-lhes ainda a vontade de perguntar se sabe ler a Educadora, não está na sala de aula afinal só para tomar conta dos meninos?!

Noutros tempos com menos anos de profissão confesso que tais observações me teriam deixado irritada, bastante. Mas hoje esboço um largo sorriso, acho que o que gostariam de facto era de ser Educadores de Infância, pois descobriram que aqui está toda a magia e poesia que outros níveis de ensino já não conseguem! Não porque elas não existam, mas só porque muitos não sabem ler!

Provavelmente nunca conseguiram entender para que serve o ensino Pré – escolar e agora, com muita pena minha já não vão a tempo! A tempo de perceber como podem partilhar leituras e ternuras meninos e professores que se divertem, gostam do que fazem e só têm tempo para serem felizes!



terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

AURORA ROSA-ALPERCE


Levantara-se de madrugada para ver nascer o sol.

Às vezes ficava sentada no parapeito da janela a ver o sol acordar o mar. O mar ainda a bocejar ainda a abrir a enorme boca de espuma e o sol a ofuscar-lhe os olhos… como que a dizer;

- Acorda dorminhoco! Abre os olhos! Empurra a roupa para trás!

E o mar parecia atender ao pedido. Perfumava-se de algas, vestia a sua alva camisa de espuma, enfeitava-se das conchas mais belas e raras e esticava-se até á praia como que para dizer;

-Bom dia!

A praia estava agora pintada com as cores da aurora. Um céu suave cor de alperce que aos poucos se transformava num belo rosa solene. Finalmente o dia acabara de nascer!

Via ao fundo o banco onde tantas vezes se sentava a esperar o dia…

E pensou;

- Que lindo, Meu Deus!

domingo, 26 de fevereiro de 2012

POEMA PERDIDO NO MAR


Al mar eché un poema
Que llevó con él mis preguntas y mi voz
Como un lento barco se perdió en la espuma

Le pedí que no diera la vuelta
Sin haber visto el altamar
Y en sueños hablar conmigo de lo que vio

Aún si no volviera
Yo sabría si llegó

Viajar la vida entera
Por la calma azul o en tormentas zozobrar
Poco importa el modo si algún puerto espera

Aguardé tanto tiempo el mensaje
Que olvidé volver al mar
Y así yo perdí aquel poema


Grité a los cielos todo mi rencor
Lo hallé por fin, pero escrito en la arena
Como una oración

El mar golpeó en mis venasY libró mi corazón


 

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

A PRINCESA ÁRVORE

James Browne


Ana soprava no ferro de engomar. Ensaiava a temperatura do ferro, aplicando-lhe um dedo de cuspo. E ela sentada na cadeira esperava o vestido cheio de folhinhos e rendas.

- Então menina, faça lá uma carinha mais alegre, vai ser a princesa mais bonita que alguém viu por estas bandas!

Princesa, ela não queria ser nenhuma princesa! Porquê que ninguém percebia isso?!

Porque nunca lhe permitiam fantasiar-se como queria? Uma vez sonhou ser pirata, mas logo a mãe argumentou que “as meninas não têm quereres”. Além de não se saberem de histórias de mulheres piratas, não estava na moda! A mãe e a moda ditavam que as meninas deviam fantasiar-se de, fadas, damas antigas, chinesas e princesas! Ah, e aquela fantasia horrorosa de pierrette que fora obrigada a vestir no Carnaval do ano passado!

Pensando bem sempre era melhor vestir-se de princesa…

Ela tinha pedido à mãe que a deixasse vestir de árvore, fez até o esboço da fantasia no seu caderninho. Uma árvore carregadinha de flores amarelas e pássaros!

Mas qual árvore qual quê, teria de vestir-se de princesa!

Estava tão triste que nem conseguia disfarçar as lágrimas enquanto a Maria Antónia, (a costureira que no virar de cada estação ficava lá por casa para criar o guarda roupa de toda a família) lhe provava o vestido.

-Custa-me vê-la assim triste menina. Está tão bonita!

- Acho que sei como acabar com essa cara triste! Talvez eu possa inventar-lhe uma fantasia de, Princesa Árvore! Faço-lhe a árvore que quer na saia do vestido e a coroa é também feita com flores…

Não estava convencida nem tão pouco convertida! Mas a verdade é que conseguia já imaginar-se a Princesa Árvore. Que talvez não estivesse muito na moda mas que a fazia sem dúvida mais feliz!

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

ESCUTAR A PRIMAVERA

Cathydelanssay

A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.

Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos subtis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.

Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosas, como os palácios de Jeipur. Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende.

Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.

Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, — e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.

Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação.

Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, — e os ouvidos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.

Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardénias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.

Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida — e efémera.


Cecília Meireles

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

“E A MANHÃ DESABROCHOU A PÁSSAROS” NA BIBLIOTECA

                                                               

                                                                     (...)


Os pássaros conduzem o homem para o azul,
para as águas, para as árvores e para o amor.

Manoel de Barros


 

Sempre que entramos numa biblioteca sabemos que as coisas mais inesperadas podem acontecer.

Mas o que não imaginávamos "era que a manhã desabrochasse a pássaros" dentro da biblioteca da fundação ALORD.

Foi pela mão da ceramista vimaranense, Maria Fernanda Braga que ficamos a conhecer as Cantarinhas das Prendas ou dos Namorados a sua história e tradição.

"A Cantarinha das Prendas ou dos Namorados é moldada em barro vermelho e ornada com motivos arcaicos polvilhados de mica branca. A Cantarinha Maior significa a abundância que se deseja ao futuro casal. A Cantarinha Menor, aquela que há-de encher a maior, despida de enfeites, significa as dificuldades da vida em comum. Quando um rapaz se dispunha a fazer o pedido oficial de casamento, primeiro oferecia à namorada uma Cantarinha das Prendas. Se esta era aceite, estava formalizado o pedido particular, dependendo apenas da vontade dos pais anunciar-se o noivado. Uma vez dado o seu consentimento e tendo estes chegado a um acordo quanto ao dote, a Cantarinha servia então para guardar as prendas que o noivo e os pais da noiva ofereciam: cordões, tranceletes, corações, cruzes, borboletas, estrelas, arrecadas, relicários e outros objectos em ouro."

Claro que depois de ouvir a história das Cantarinhas é fácil concluir que quando a rapariga não estava interessada no pretendente, partia a Cantarinha! Digo eu! Que me lembrei da canção e do facto de serem as famílias a combinar um casamento onde os principais interessados não metiam prego nem estopa! E o dote, sempre o dote a decidir o amor.

Mas a verdade é que as Cantarinhas são peças de uma beleza rara e esta foi feita pelas mãos mágicas da Fernanda.

 
Já repararam que a Cantarinha tem na tampa um pássaro?! E foi esse pássaro também presente nos bordados de Guimarães que a Fernanda fez voar das suas mãos para as nossas!

E Eis," como a manhã desabrochou a pássaros" na biblioteca.

Agradecemos à Rosário e à Fátima, as bibliotecárias a amabilidade com que sempre nos recebem e para a Fernanda um beijinho muito especial pela ternura e partilha e a promessa de voltarmos a ver-nos desta vez na nossa escola!

Deixo aqui o endereço do sítio da Fernanda para que possam ir visitá-la.

 www.mariafernandabraga.com

E claro as fotos" dos pássaros "...