A fada que saiu do
livro, "Histórias para contar em Noites de Luar", do escritor José Fanha,
lembram-se?
Depois de ouvirem as
palavras com que o escritor desenhou a fada, os meninos construíram as suas,
todas diferentes e todas tão fadas… e tão encantadas!
Mas os meninos queriam
uma fada que todos pudessem mimar, uma fada que fizesse feitiços a sério e para
isso tinha de ser” uma fada de pegar”!
Começamos então todos
juntos a sonhar a fada…
Depois de sonhada
apareceu o desenho, a nossa Joaninha cortou a fada e a Dona Graça, para quem as
linhas e agulhas não têm segredos fez aparecer a fada na sala.
Faltava só vestir a
fada. Tarefa que foi executada pela Elisabete, mãe do Martim!
Hoje pela manhã a fada
Florência acompanhou o Martim até à escola e lançou pó de fada sobre todos os
meninos.
Visitou a sala da
Professora Ana e fez como não podia deixar de ser, uma visita aos nossos
amigos do quarto ano, a provar que afinal ” as fadas também vão à escola”!
De volta à sala, os
meninos decidiram que a fada vai ficar na Biblioteca.
Acordou bem cedinho!
Acordar era uma maneira de dizer! Pois se nem sequer pregara olho!
Estava tão entusiasmada
para conhecer a nova escola, aquela que seria a sua nova casinha até que
tivesse um dia de rumar a outra. Que os professores são assim como uma espécie
de caracóis, volta que volta aí andam com a casa às costas!
Como seria a escola?
Imaginava-a, cheia de
meninos sorridentes, curiosos como só os meninos sabem ser.
Não, não tinha pensado
no edifício. Afinal a escola são meninos e tudo o resto pormenores!
Ela já tinha estado
numas quantas escolas e em todas elas tinha vivido histórias maravilhosas.
Lembrava o dia em que
estava no recreio com os meninos e numa das árvores ouviram miar!
Era o gato da Dona
Lurdinhas, a empregada da escola.
Talvez perseguindo um pássaro ou sonhando-se
ser um, o pobre gato estava agora pendurado num dos ramos do plátano que vivia
no recreio da escola. O medo impedia-o de descer e era acompanhado de um miar
desesperado!
Ao ver o pobre animal em
tal desespero quase sem pensar descalçou os sapatos e as meias e começou a
trepar pelo Plátano para resgatar o pobre do bichinho!
Ao olhar boquiaberto
dos meninos seguiu-se um silêncio absoluto. Ela continuava a trepar agarradinha
aos ramos, abraçando os ramos como lhe ensinara o Avô António.
Que as árvores são como
as pessoas gostam de abraços e ternuras…
Se as tratarmos bem
concedem-nos o privilégio de igualar os pássaros, ficar bem pertinho do azul,
soletrar a língua do vento. E que de outro lugar se podem colher melhor os
frutos e horizontes?
O pobre do Pachá, assim
se chamava o gato, é que não estava mesmo a disfrutar da vista e se alguma vez
quis ser ave estava arrependido! Tanto, que quando o agarrou, o animal tremia
de tal forma que não fora o riscado do pelo e tê-lo-ia confundido com uma folha
que o vento resolveu aborrecer!
Por ela teria ficado
mais tempo no cimo do Plátano, mas o Pachá pedia-lhe que o tirasse dali bem
depressinha!
Ainda mal tinha posto
os pés no chão e já este corria para aos braços da dona miando e ronronando,
num misto de desculpas e mimo.
Dona Lurdinhas chorava
e agradecia. Os meninos batiam palmas e olhavam-na cheios de admiração!
Durante o resto do dia
não falaram noutra coisa. E na hora da saída ouvia-os segredar aos Pais:
- A minha Professora
sobe às árvores!
Pensou como seria bom
se a nova escola tivesse um recreio com árvores!
Ela e os meninos
poderiam descobrir quase tudo sobre árvores, pássaros, vento…
Foi a saudade do teu braço
e o olhar que já da luz me dói
trabalhei sem dar p´lo cansaço
horas extraordinárias, foi
um dia que passou num furacão
um furacão que se amainou, só
quando, à parte o amor
eu me vi só
atirando amoeda ao ar
diz-me que cara ou coroa
eu vou ganhar
diz-me quanto eu fiz bem
em me apostar
e que bem fiz em ter por necessárias
as horas extraordinárias
E assim que volto ao meu lugar
reencontro com dor e com prazer
o coração que fiz falar
à máquina de escrever, a ver
ela a dar corda à máquina de amar
e um coração a se amainar, só
quando à parte o amor
eu me vi só
atirando a moeda ao ar
diz-me que cara ou coroa
eu vou ganhar
diz-me quanto eu fiz bem
em me apostar
e que bem fiz em ter por necessárias
as horas extraordinárias
Quando entrei na sala
esta manhã, estava longe de imaginar que daí a minutos viajaria até ao Japão
com os meninos!
E a culpa foi do meu caderno!
Quer dizer, o caderno não teve culpa de nada coitado! Estava bem quietinho na
secretária, mas a capa do caderno suscitou a curiosidade dos meninos que
olhando para a imagem se perguntavam, de onde seriam estes palácios.
- Vê-se logo que são
palácios da China! Dizia a Bruna.
- Do Japão! Afirmava
convicto o Gonçalo.
Os meninos olharam para
mim esperando que desse razão a um dos dois. Apesar dos meus parcos
conhecimentos em arquitetura do Oriente, eu sabia que os palácios e templos
Japoneses e Chineses eram muito parecidos. Sendo que foram os Japoneses a inspirar-se
nos Chineses. Mas como calculam, aos meninos isso não interessava grande coisa.
Por isso, pegamos no globo terrestre e chegamos à conclusão que a China e o
Japão nem ficavam assim tão longe… Talvez fosse essa uma das razões porque eram
os palácios tão parecidos.
- A China é maior, deve
ter mais palácios! Constatou o Pedro.
- Mas afinal são
parecidos. Disse contente a Bruna.
E foi assim que os
meninos se puseram a desenhar palácios de lugares inesperados e distantes e que
ainda estão por existir.
Pelas canções de LLuís
LLach, já confessei aqui o meu amor de perdição. Atrevo-me até a dizer que dos
cantautores de que gosto para mim é aquele que melhor canta a ternura.
Procurei há dias esta
canção porque queria partilhá-la com uma amiga especial que acabara de perder
alguém muito querido. Não cheguei a enviar-lha…
Dizia-me ela, que o
mais terrível de tudo quando perdemos alguém, é ficar com a sensação que não
fizemos nem dissemos, quase nada do que queríamos ou devíamos!
Se calhar nem
precisamos de dizer ou fazer nada, porque aos que amamos,
“Simplesmente temos de
deixar que nos deixem
E ter um ninho na nossa
árvore com uma nuvem bem branca pousada num dos ramos…”
Para o caso de
voltarem, ou não…
Considero esta canção
um verdadeiro tratado sobre ternura e porque também quero dizer aqueles que
amo, “ que para eles sempre terei um ninho na minha árvore, e uma nuvem branca
presa num dos ramos”, vou partilhá-la aqui.
Un núvol blanc
Senzillament
se'n va la vida, i arriba
com un cabdell que el vent desfila, i fina.
Som actors a voltes, espectadors a voltes,
senzillament i com si res, la vida ens dóna i pren paper.
Serenament quan ve l'onada, acaba,
i potser, en el deixar-se vèncer, comença.
La platja enamorada
no sap l'espera llarga
i obre els braços no fos cas, l'onada avui volgués queda's.
Així només, em deixo que tu em
deixis;
només així, et deixo que ara em deixis.
Jo tinc, per a tu, un niu en el meu arbre
i un núvol blanc, penjat d'alguna branca.
Molt blanca...
Sovint és quan el sol declina que el
mires.
Ell, pesarós, sap que, si minva, l'estimes.
Arribem tard a voltes
sense saber que a voltes
el fràgil art d'un gest senzill, podria dir-te que...
Només així, em deixo que tu em
deixis;
així només, et deixo que ara em deixis.
Jo tinc, per a tu, un niu en el meu arbre
i un núvol blanc, penjat d'alguna branca.
Molt blanc...
Sencillamente nuestra vida se aleja
como una rueca se deshila, termina.
Actores unas veces espectadores siempre
sencillamente y sin saber
la vida quita y da papel
Serenamente hay una ola que acaba,
quiza en dejarte que te venza comienza.
La playa enamorada no gusta esperas largas
y abre los brazos hacia ti porque se puede arrepentir.
Asi sin mas me dejo que me dejes
sin mas asi te dejo que me dejes
hice por ti un nido aqui en mi arbol
y una nube blanca colgada de una rama
muy blanca muy blanca
A veces cuando el sol declina lo miras
sabe y le pesa que sin lengua lo estimas
llegamos tarde a veces sin conocer que a veces
con un sencillo gesto al fin podría decirte que
sin mas asi me dejo que me dejes
sin mas asi me dejo que me dejes
hice por ti un nido aqui en mi arbol
y una nube blanca colgada de una rama
muy blanca
Chuva,
manhã cinzenta, guarda-chuva.
Entrar no contexto, dois pontos. Ele e ela
abraçados caminham sob o teto
do guarda-chuva que os guarda.
Pelas ruas vão com vontade de voltar
ao branco dos lençóis. Esse objeto prosaico
que às vezes se vira com o vento
torna-se objeto de poema. Dizer também
como a chuva é doce neste dia de verão.
Como o amor altera o sentido da chuva,
sim, como ela se eleva no ar e as frases se colam
ao vestido.
No interior da pele o poema mudou
desde que entrastes no guarda-chuva esquecido
a um canto do armário.
Talvez o amor seja tudo amar sem exceção.
No meio do mar havia um
palácio onde morava uma Rainha.
A Rainha das conchas e
conchinhas como era conhecida, pois não havia dia em que não fosse vista na
beirada catando conchas, conchinhas e até pedrinhas.
Logo pela manhã e não
eram raros os dias em que gostava de surpreender o sol, a Rainha abria a janela
do seu palácio, aquela que ficava bem no meio do mar, e para os que acham que é
difícil encontrar o meio ao mar, posso dizer que era aquela janela que não
ficava nem à direita nem à esquerda, era mesmo, mesmo no meio… Aquela onde se
pode ver o mar todo, todinho!
A Rainha abria a janela
para respirar e beber o mar, gostava dele agitado e com muita espuma,
salpicando-lhe o rosto e perfumando-lhe a pele…
Aproveitava ainda
aquela hora para soltar alguns dos seus sonhos que eram muitos ao vento. Este
em troca contava-lhe os segredos que ia ouvindo daqui e dali…
Então a Rainha descia à
praia. Saltava nas ondas, corria na areia até chegar ao mar de conchas onde
mergulhava tempos infinitos e onde tudo o resto deixava de ter importância. Ali
estava ela, ela e as suas preciosas conchas. Bom, na verdade, nem as conchas
eram só suas, nem estas eram assim tão preciosas. Mas a ser verdade que as
conchas da beirada são de toda a gente, ela não se lembrava de ter visto em
toda a praia alguém que não fosse ela, acocorado selecionando conchas,
conchinhas e pedrinhas!
Agora levava consigo só as mais raras, as de cores
diferentes, acabava sempre por levar para o palácio mais do que a conta. Se lhe
perguntassem quantas conchas tinha no seu palácio não saberia responder.
Definitivamente tinha-lhes perdido a conta. Tinha-as de todos os tamanhos,
formatos, cores, texturas. Guardava-as com ternura em caixinhas, que abria
sempre que o mar não a deixava descer à praia ou simplesmente porque lhe
apetecia adornar os cabelos de beijinhos, colocar um cinto de caracóis do mar
no vestido, um colar de búzios… Uma vez fez até uns sapatinhos com conchas de
mexilhão e cordões de algas, ficaram lindos! Pena que tivessem deixado de
servir-lhe…
Mas tinha tudo guardado
em caixinhas, caixinhas que empilhava nas estantes juntas aos livros.
Conchinhas e livros.
Eram os bens mais preciosos da Rainha. Aqueles que não trocaria por nada, e que
guardava na caixa forte do seu coração!
Caixas e páginas de
insignificâncias que faziam dela uma Rainha Feliz!
Como na canção de Jobim...da praia, Teresa sou.
Mulher,Mãe,Educadora de Infância,de criança em campo lavrado,de adolescência em montanha subida, de adulta em cidade emparedada.
Marítima d'alma, quer em vento que se "alevanta", quer em onda mansa que se espraia.