domingo, 23 de outubro de 2011

ERA UM MENINO QUE SONHAVA



Era un niño que soñaba
un caballo de cartón.
Abrió los ojos el niño
y el caballito no vio.
Con un caballito blanco
el niño volvió a soñar;
y por la crin lo cogía
¡Ahora no te escaparás!
Apenas lo hubo cogido,
el niño se despertó.
Tenía el puño cerrado.
¡El caballito voló!
Quedose el niño muy serio
pensando que no es verdad
un caballito soñado.
Y ya no volvió a soñar. Pero el niño se hizo mozo
y el mozo tuvo un amor,
y a su amada le decía:
¿Tú eres de verdad o no?
Cuando el mozo se hizo viejo
pensaba: Todo es soñar,
el caballito soñado
y el caballo de verdad.
Y cuando vino la muerte,
el viejo a su corazón
preguntaba: ¿Tú eres sueño?
¡Quién sabe si despertó

Antonio Machado – Poeta Castelhano




domingo, 16 de outubro de 2011

FLOR DE JARA


Haz descender una estrella
que bañe mi cuerpo con toda su luz.
Tráeme paisajes de encina en tus ojos
un verde pintado de azul,
limpia de nubes mi cielo,
llena mis horas de miel
tú mi lucero, mi flor de jara, ven.

Haz descender una estrella
que bañe de plata el ultimo sol
tráeme cerezas, granadas de labios,
destellos en tu corazón.
Dame tu olor de manzana
menta y tomillo en mi piel
tú mi lucero, mi flor de jara, ven.

Haz descender una estrella
que bañe la luna de otro amanecer
tráeme simiente de vida en tus brazos
la fuerza de todo tu ser
quiéreme incienso y retama,
surco y barbecho en tus pies,
tú mi lucero, mi flor de jara , ven.

sábado, 15 de outubro de 2011

INTERVALO NO CASTIGO...


Estes são os meus amigos Gonçalo e David e a história que vou contar aconteceu um destes dias no intervalo da hora de almoço…

Ás vezes almoço na escola, bom também é verdade que ás vezes me esqueço de almoçar mas isso é outra história que agora não interessa nada…

Mal os meninos saem da sala arranjo logo outras coisas para fazer e quando olho para o relógio lá se foi a hora de almoço e eu nem dei conta que precisava de almoçar.

Mas no dia desta história eu já tinha almoçado e saí da sala para ir buscar um café quando vi o Gonçalo sentado num dos bancos do corredor. Estranhei porque aquela hora todos os meninos estavam no recreio, pensei que estava indisposto ou adoentado mas o pequeno explicou-me que estava de castigo por ter falado muito e comido pouco! Claro que lhe disse que devia ter comido tudo e provavelmente ter falado menos, mas logo um pedacinho de meninice minha começou a irromper lembrando-me que também eu fiquei várias vezes de castigo por gostar pouco de comer, apesar das vitaminas e do horrível óleo de fígado de bacalhau que minha mãe insistia em receitar-me! Como eu o entendia!

O meu coração dizia-me que não podia deixá-lo ali o resto do intervalo…

Disse-lhe que ia buscar um café e já falaríamos. Tinha já decidido procurar a autora do castigo para lhe dizer que precisava da ajuda do Gonçalo na sala e não pensem que estava a arranjar uma desculpa, precisava mesmo de ajuda para uma boa conversa.

Mas quando regressei ao corredor já o David fazia companhia ao amigo dizendo-me que tinha ido buscar um jogo pois não ia deixar o seu amigo Gonçalo sozinho! Eram amigos desde o Jardim-de-infância e já estavam no quarto ano e eram todos os dias mais amigos apesar de serem muito diferentes nalgumas coisas!

O Gonçalo por exemplo, adora ler, gosta das palavras, da escrita. O David também gosta de ler mas o que o fascina mesmo são os problemas difíceis. Não sabem explicar porque são tão amigos. Nem precisam, são amigos, muito amigos porque sim! E os verdadeiros amigos sabem sempre quando deles necessitamos!

Bom, o resto do intervalo foi passado na minha sala em amena cavaqueira e brincadeira!

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

PAZ DE MUSGO VERDE



No seu mundo de erva fresca
Dona lagarta verdinha
Mastiga couves e sol
E sente-se uma rainha.

Rainha de corpo verde
Do prado verde, rainha!
Mastiga couves e sol
Dona lagarta verdinha.

Tua paz de musgo verde
Teu manto de princesinha
Quem mos dera! Quem mos dera
Dona lagarta mansinha!


Maria Rosa Colaço





domingo, 9 de outubro de 2011

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Pedaços de mim nos olhos dos meninos


- Professora estás tão crescida!

Foi com estas deliciosas palavras que fui recebida pelos meus pequenos amigos no dia do nosso reencontro depois das férias! Adoro a elegância com que dizem que estou mais velha! Crescidos estão eles e o meu olhar enche-se de ternura ao lembrar tudo o que já partilhamos… e o tanto que temos para inventar!

Todos queriam mostrar-me o quanto haviam “ficado grandes”. O Gonçalo e o Pedro empenhavam-se em mostrar-me que já sabiam marcar golos sem fim a Bruna já conseguia apertar botões e abrir o iogurte sem o entornar e o Afonso calçava os sapatos sem se enganar nos pés…

O único que parecia pouco animado com o regresso era o Rafael que apesar do abraço apertado com que me recebeu foi logo avisando que no dia seguinte ficaria doente! Sinal também de crescimento!

Os poucos meninos novos iam explorando a sala e os materiais pela mão dos “veteranos”, alguns juntaram-se para me desenhar…

E eis aqui o resultado do eu do lado de dentro dos olhos dos meninos, eles que tão bem sabem” procurar o interior e o avesso da aparência”!




domingo, 2 de outubro de 2011

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Variações sobre um Poema



Esta é a história de um poema… não. Esta é a história de um gato que estava dentro de um poema e que saiu dele pela mão dos maiores especialistas em histórias que conheço, os meninos.

O poema estava dentro do livro,”Aquela nuvem e outras”, de Eugénio de Andrade e foi quando Pedro pediu que o lesse que começaram as variações sobre gatos ou melhor quando os meninos criaram um gato do gato do poema!

Pediram-me que desenhasse um gato, um gato grande que todos pudessem pintar… Nasceu assim um gato desenhado a várias mãos e pintado a outras tantas!

Começaram por pintá-lo de castanho cor de chocolate e quando a Rita e o Gonçalo resolveram pintar a cauda de amarelo e verde logo o Dinis indignado se preparava para cobrir a cauda também de castanho. Afinal onde é que existiam gatos com caudas assim?! Ele só sabia de gatos castanhos, amarelos, cinzentos, pretos… não se lembrava de mais nenhuma cor para um gato…

Mas a Rita logo argumentou que se o gato era castanho chocolate bem podia ter a cauda de outras cores, pois há chocolates de várias cores! As pintarolas, por exemplo!
Talvez aproveitando as palavras da Rita, os meninos começaram a pintalgar o gato de várias cores.

- Agora é que estragaram tudo. Disse furioso. Eu nunca vi um gato assim!

- Isso é porque tu não tens olhos de Super Homem! Disse o Pedro.

- Olhos de Super Homem! O que é que isso quer dizer? Perguntei.

- Não percebes nada Professora! Quer dizer que vê para dentro!

- Não existem gatos assim por fora! Só por dentro! Estás a perceber?!

Surpreendida e encantada, estava a perceber! Perfeitamente!

Ah! E  o gato desta história chama-se , Bigodes de Mar”, e acreditem  eu não tenho nada a ver com isso!

domingo, 25 de setembro de 2011

Silêncios Raros



A noite não tardaria a chegar à praia. Sabia de cor o que iria passar-se até que finalmente o sol mergulhasse nas águas e desse tempo às estrelas de lançar sobre a praia a sua luz…

Conhecia bem o ritual de sono do sol, mas sempre que estava no seu palácio no meio do mar não conseguia evitar descer à praia para participar nele.

Àquela hora só as gaivotas estavam na praia, umas aninhadas na areia branca outras tecendo voos rasantes sobre as águas. As mais novas saltaricando desajeitadas e tentando perceberem o que está a acontecer.

O sol, esse vai vestindo o seu pijama cor de fogo até que num último bocejo mergulha definitivamente nas águas…

A praia estava agora envolta em silêncio. Tanto, que era possível ser-se absorvida pelo rolar das ondas e aprender com estas a desfazer-se em espuma…