quarta-feira, 6 de julho de 2011

“ Agora és livre, se ainda recordas”


Eu sou essa pessoa a quem o vento chama,

a que não se recusa a esse final convite,

em máquinas de adeus, sem tentação de volta.


Todo horizonte é um vasto sopro de incerteza.

Eu sou essa pessoa a quem o vento leva:

já de horizontes libertada, mas sozinha.


Se a beleza sonhada é maior que a vivente,

Dizei-me: não quereis ou não sabeis ser sonho?

Eu sou essa pessoa a quem o vento rasga.


Pelos mundos do vento, em meus cílios guardadas

vão as medidas que separam os abraços.

Eu sou essa pessoa a quem o vento ensina:


“ Agora és livre, se ainda recordas.”

Cecília Meireles

terça-feira, 5 de julho de 2011

“A alegria é que nos torna os dias raros”


Sempre defenderei que a Escola deve ser o lugar onde todos se sintam felizes.

Se a “alegria é o que nos torna os dias raros e claros”, os meus com os meninos foram-no quase todos, de tal forma que não imaginam como foi difícil seleccionar as fotos para o vídeo final. Por vontade dos pequenos teríamos feito uma longa-metragem, mas depois de longa discussão conseguimos chegar a acordo sobre os momentos de pura felicidade.

A todos os que se cruzaram connosco nesses momentos o meu muito obrigada!

Para os meus pequenos uma última palavra:

- VOCÊS SÃO O MELHOR DA ESCOLA!







domingo, 3 de julho de 2011

Também no Mar se perde o Céu !





"Manhã Cinzenta

Faz-me chorar

A chuva lembra

O teu olhar

As folhas mortas

Caem no chão

A dor aperta

O coração

Quanto eu não daria

Para poder voltar atrás

Volta pró meu peito

Daqui não saias mais


Perdi-me amor

Para te encontrar

Na solidão

Do teu Olhar

No teu olhar

Se perde o meu

Também no mar

Se perde o Céu


Quanto eu não daria

Para poder voltar atrás"


terça-feira, 28 de junho de 2011

O sol e o cavalo que vivia na estante da biblioteca


Era uma vez um cavalo…

Ou melhor, era uma vez uma égua chamada “Nahora” que vivia numa das estantes da biblioteca do meu Avô. Sim eu sei, as éguas e os cavalos não vivem dentro de casa e muito menos em cima de estantes carregadas de livros, mas Nahora era uma égua de cristal muito transparente, polido como diria a tia Zélia que a trouxera duma das suas viagens para oferecer ao Avô.

Afinal a história não tem nada de especial! Uma égua de cristal no meio de livros, um simples objecto…

Está-se mesmo a ver, por artes mágicas ou outras Nahora vai saltar da estante, quem sabe ganhar asas… e eu pergunto onde é que já li isto?!

Nesta altura da história estou a pensar como deve ser difícil para quem escreve histórias a sério inventar verdades que convençam as pessoas a continuar a ler, sim porque ninguém vai perder tempo a ler uma história que já foi escrita.

Mas como eu não escrevo histórias a sério só porque me apetece não estou preocupada se ninguém a ler, além do mais esta é só uma história minha se ninguém a ler ela continua minha, engraçado que se por acaso alguém ficar curioso e resolver lê-la ela continua a ser minha, ou não? Talvez seja minha, tua, de quem a apanhar, quer dizer de quem a ler…

Ah, esqueci-me de dizer que ao final da tarde quando o sol entrava pela janela da biblioteca para se despedir, Nahora deixava de ser transparente para ganhar todas as cores conhecidas e desconhecidas, principalmente as desconhecidas.

E foi esta história pequena que lembrei hoje enquanto estava com os meninos no Clube Hípico de Campo, Valongo.

Eu sei, não é uma grande história, mas quem decide afinal o tamanho das nossas histórias?!