domingo, 3 de julho de 2011

Também no Mar se perde o Céu !





"Manhã Cinzenta

Faz-me chorar

A chuva lembra

O teu olhar

As folhas mortas

Caem no chão

A dor aperta

O coração

Quanto eu não daria

Para poder voltar atrás

Volta pró meu peito

Daqui não saias mais


Perdi-me amor

Para te encontrar

Na solidão

Do teu Olhar

No teu olhar

Se perde o meu

Também no mar

Se perde o Céu


Quanto eu não daria

Para poder voltar atrás"


terça-feira, 28 de junho de 2011

O sol e o cavalo que vivia na estante da biblioteca


Era uma vez um cavalo…

Ou melhor, era uma vez uma égua chamada “Nahora” que vivia numa das estantes da biblioteca do meu Avô. Sim eu sei, as éguas e os cavalos não vivem dentro de casa e muito menos em cima de estantes carregadas de livros, mas Nahora era uma égua de cristal muito transparente, polido como diria a tia Zélia que a trouxera duma das suas viagens para oferecer ao Avô.

Afinal a história não tem nada de especial! Uma égua de cristal no meio de livros, um simples objecto…

Está-se mesmo a ver, por artes mágicas ou outras Nahora vai saltar da estante, quem sabe ganhar asas… e eu pergunto onde é que já li isto?!

Nesta altura da história estou a pensar como deve ser difícil para quem escreve histórias a sério inventar verdades que convençam as pessoas a continuar a ler, sim porque ninguém vai perder tempo a ler uma história que já foi escrita.

Mas como eu não escrevo histórias a sério só porque me apetece não estou preocupada se ninguém a ler, além do mais esta é só uma história minha se ninguém a ler ela continua minha, engraçado que se por acaso alguém ficar curioso e resolver lê-la ela continua a ser minha, ou não? Talvez seja minha, tua, de quem a apanhar, quer dizer de quem a ler…

Ah, esqueci-me de dizer que ao final da tarde quando o sol entrava pela janela da biblioteca para se despedir, Nahora deixava de ser transparente para ganhar todas as cores conhecidas e desconhecidas, principalmente as desconhecidas.

E foi esta história pequena que lembrei hoje enquanto estava com os meninos no Clube Hípico de Campo, Valongo.

Eu sei, não é uma grande história, mas quem decide afinal o tamanho das nossas histórias?!


quarta-feira, 22 de junho de 2011

Ciência Poesia e muitos Amigos


O melhor dos projectos são as pessoas, aquelas que já conhecemos e temos como amigas e as com quem nos vamos cruzando e nos tornam sempre melhores.

Na semana da ciência e Poesia tivemos a ajuda de muitos amigos, alguns deles mesmo muito especiais, como os nossos amigos da escola do Facho, juntos partilhamos emoções, saberes e provamos que lado a lado, Poesia e a Ciência são muito mais divertidas e interessantes.



terça-feira, 21 de junho de 2011

O chapéuzinho

(chapéu feito pelos meninos)


A menina comprou um chapéu

E pô-lo devagarinho:

Nele nasceram papoilas,

Dois pássaros fizeram ninho.

Chapéu de palha de trigo

Que a foice um dia cortou:

Na cabeça da menina

O trigo ressuscitou.

Depois tirou o chapéu,

Tirou-o devagarinho,

Não vão murchar as papoilas

Não se vá espantar o ninho.

E, chapéuzinho na mão,

De cabeça levantada,

A menina olhou o sol

Como a dizer-lhe: Obrigada!


Matilde Rosa Araújo


domingo, 19 de junho de 2011

Há Canções Que São Como Livros


Tenho uma imensa dificuldade em lidar com imitações e a mediocridade irrita-me de sobremaneira. Detesto os que tentam vender-me o mundo a prestações, o deles claro!

Não gosto de gente com pré conceitos e cheia de preconceitos, olhares formatados e obtusos…

Porque o que o meu olhar vê pode ser só meu e ninguém tem nada com isso.

Mas às vezes, descobrimos olhares em outros, que vá-se lá saber porquê sentimos como nossos e que apetece partilhar.

Como o olhar desta canção de Amélia Muge.

Dona de uma voz diferente e por isso impossível de imitar. Voz que não se adapta aos formatos em vigência. Aos formatos do mau gosto, do berro cantante, do poema sem nexo e conteúdo, desses que vão passando insistentemente e diariamente nas nossas rádios.

Dela, uma canção que bem podia ser um livro. Porque há canções em que gostamos de ler como livros e onde descobrimos olhares que são tão nossos!