Já aqui disse sobre os fascínios da minha profissão e não me canso de dizer. É que no jardim-de-infância não há dias diários, os meninos têm o poder de inventar inesperados a cada momento, fazendo perguntas, observações raras e tecendo sobre as mesmas conclusões muito próprias.
Os inesperados são quase sempre a melhor parte do dia. Adoro quando o que planificamos no dia anterior é imediatamente (des) planificado, só porque surgiu algo mais interessante ou que simplesmente nos faz mais felizes.
Como hoje pela tarde. Acabávamos de entrar na sala depois do almoço quando um dos meninos gritou:
-Professora! Está ali um passarinho!
Pela porta ainda aberta da sala, vi a professora Xana e nossa Joana tentando apanhar um pardalinho que voava pelo corredor. Assustado, procurava a saída e na ausência de portas ou janelas abertas atirava-se insistentemente contra os vidros, até que ao ver a porta da sala aberta entrou e foi pousar imaginem no teclado do computador! Parou para descansar do medo, segundo os meninos. Com muito cuidado para não o magoar conseguimos apanhá-lo. Era mesmo pequenino e” tremia de susto”; segundo o Edgar.
Todos chegaram rapidamente à conclusão que a casa do passarinho era nas árvores frente à janela da nossa sala e sem mais demoras saímos para o recreio para o devolver à família, pois a mãe dele devia estar já muito aflita, como muito bem referiu a Bruna.
Mal abri a mão o pequeno pássaro voou com quantas asas tinha, mas não tardou a pousar na rede que separa o recreio da árvore sua casa como que para agradecer…
Claro que ninguém quis voltar para a sala sem descobrir onde era a casa do pardalinho…
E não é que a descobrimos!
Eu fui quem a viu melhor, subi à árvore. Os meninos queriam ver mais de perto, mas a árvore não oferecia segurança, com muita pena minha e deles. Pensei como seria fantástico vê-los trepar pela árvore…
Talvez num outro dia, numa outra árvore…
É que já algum tempo que quero trabalhar um projecto que irá chamar-se;
As vantagens de subir às árvores!
E o nosso amigo pássaro? Olhava-nos baloiçando num fio de electricidade. E talvez pensasse, que bom é ter meninos felizes e com “coração de pássaro”!


