sexta-feira, 6 de maio de 2011

Amor (Muito Meu)

Há amores que são muito nossos. E os maiores amores são talvez os que o tempo nos guarda e com que nos surpreende de quando em vez. Os maiores amores não se explicam, os maiores amores são até muito difíceis de entender, porque são simples. E as coisas simples escapam ao entendimento porque recusam definições complexas.” O amor é uma cor que dá na vida”, mas jamais alguém definiu o amor. Do amor, só sabemos que precisamos dele, como pão para a boca, embora muitas vezes não saibamos como se diz.

Mas vale a pena tentar. Porque há amores que sabemos para sempre, apesar de nos terem dito já que para sempre é demasiado tempo. Como o tempo desta canção sem tempo, mas que depois de a ouvir com tempo, ficamos a amar para sempre. Do autor cantor, direi é um amor meu de perdição. Da canção, que não conheço nenhuma de amor mais bela. E que quero um amor assim. Muito meu.



Amor (Muito Meu)

Como posso dizer-te, para que me fosse simples,

para que te fosse verdade, que de vez em quando

me sei tão perto de ti.

Sim, canto e sei-te perto de mim.

Sim, ouves-me e penso que nunca me atrevi a dizer-te sequer

o quanto devo agradecer-te, por todo este tempo que levo amando-te.

Pelo caminho que fizemos juntos,

com alegria, com tristeza, mas juntos.

Houve momentos em que duvidei das minhas palavras,

mas tu deste sempre luta.

Por tudo isto e pelo que não digo,

Quero agradecer-te por todo o tempo que levo amando-te.

Amo-te sim…

Talvez timidamente, talvez sem saber amar-te.

Amo-te e tenho ciúmes e valho muito pouco se me negas a tua ternura.

Amo-te e sou feliz, quando me contagias com a tua força.

Passarão os anos e talvez tenha de dizer-te adeus, pergunto-me como aceitarei que assim seja,

se saberei acostumar-me à tua ausência.

Mas isso é outra história.

Agora só quero agradecer-te o tempo que levo amando-te.

Amo-te sim…

(Tradução Livre, Minha)

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Livros que não se deixam ler

Tencionava simplesmente limpar o pó a alguns dos livros que vou espalhando em pilhas pela casa. O escritório está repleto de montinhos de livros espalhados pelo chão, o meu cantinho de sala tem outros tantos e na minha mesa-de-cabeceira a pilha é tão grande que um destes dias arrisco acordar coberta de livros. Falta de estantes, falta de tempo para arrumações, preguiça, ou simplesmente desarrumada?! Pois, nenhuma das citadas!

A verdade é que não posso guardar nas estantes os livros que não se deixam ler! Bom, se os meninos soubessem ler-me perguntariam que livros especiais são estes que não se deixam ler.

Parece que estou a ouvi-los:

- Os livros têm pernas, não se deixam apanhar?

- Voam?

- São mágicos?

Pois os meus livros que não se deixam ler, são tudo isto e nada disto!

Um livro que não se deixa ler, é aquele que sempre que lhe pegamos uma e outra e outra e mais outra vez é como se o lêssemos pela primeira vez! O meu problema é que todas as pilhas de livros que espalho pela casa, são livros que não se deixam ler! Se é de um problema que falo?!

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Dorme Queridinho





Duerme, duerme, negrito
Que tu mama está en el campo, negrito

Duerme, duerme, mobila
Que tu mama está en el campo, mobila

Te va traer codornices
Para ti.
Te va a traer rica fruta
Para ti
Te va a traer carne de cerdo
Para ti.
Te va a traer muchas cosas
Para ti.

Y si el negro no se duerme
Viene el diablo blanco
Y zas le come la patita
Chacapumba, chacapumba, apumba, chacapumba.Duerme, duerme, negrito
Que tu mama está en el campo,
Negrito

Trabajando
Trabajando duramente, (Trabajando sí)
Trabajando e va de luto, (Trabajando sí)
Trabajando e no le pagan, (Trabajando sí)
Trabajando e va tosiendo, (Trabajando sí)


Para el negrito, chiquitito
Para el negrito si
Trabajando sí, Trabajando sí


Duerme, duerme, negrito
Que tu mama está en el campo
Negrito, negrito, negrito.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

“ O Bando Da LIBERDADE”


Aqui na sala já todos sabemos que podemos ser o que quisermos, sempre que quisermos, basta ter muita vontade de ser.

Por isso ninguém estranhou quando numa destas manhãs, o pato da quinta aqui do lado voou por cima da rede e veio cair direitinho no nosso recreio. Tanto mais que também foi assim que travamos conhecimento com o nosso amigo galo Chico.

- Talvez ele queira vir para a escola, disse a Bruna.

-Ele deve querer ser pássaro, mas não consegue voar porque é gordo, continuou o Afonso.

- Os patos da selva voam muito alto. Desta vez era o Gonçalo quem falava.

-Na selva não há patos. Continuou o Afonso.

A discussão foi interrompida, porque o que importava agora era ajudar o nosso amigo pato a encontrar o caminho de volta à quinta.

Os meninos prometeram ficar quietos para não assustar o nosso amigo, mas já se sabe que todos queriam ajudar e o pobre do pato corria desesperado por todo o recreio. Por fim lá conseguimos apanhá-lo, mas devo dizer que o pato era mesmo especial, deu muita luta e mesmo depois de o termos agarrado não se dava por vencido, tentou até dar-me uma bicada. Claro que foi antes de ter percebido que só queríamos ajudar! Abrimos o portão do recreio e o pato foi devolvido à Liberdade. Ou não.

Já na sala os meninos pareciam ter esquecido a discussão anterior, mas eu é que não ia perder a oportunidade de brincar de pensar… e sempre que vamos pensar, os meninos sabem que há sempre um livro que pode ajudar a pensar melhor e a nunca mais acabar de pensar, ou a pensar até “fazer fumo”, expressão que usamos na sala e que só quer dizer: por agora estou satisfeito com as respostas.

Escolhi o livro,” O Voo do Golfinho “, uma história maravilhosa de, Ondjaki, ilustrada brilhantemente por, Danuta Wojciechowska.

Um golfinho que cresceu no mar, que fazia tudo o que faz um golfinho, mas que um dia sonhou ser pássaro e já se sabe que quando sonhamos com muita força, transformamo-nos mesmo em pássaro, num bando de pássaros livres só porque nos apeteceu sonhar…

Talvez o nosso amigo pato tivesse sonhado simplesmente ser pássaro ou descoberto que o seu quintal era pequeno demais para os voos que tinha em mente!

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Coisas que não mudam à nossa volta



Sempre que regressava à escola depois das férias, Dona Regina a minha professora depois de Dona Laura, pedia que escrevêssemos sobre o que tínhamos feito, o que tínhamos gostado mais ou não…

Devo dizer que considerava tal pedido desprovido de imaginação e até um acto de pura coscuvilhice. Lembro que fiquei até sem recreio durante uns tempos porque num desses escritos confessei ingenuamente, que o mais aborrecido das férias tinham sido os trabalhos de casa, dez cópias, escrever vinte vezes as tabuadas, outras tantas vezes os verbos e mais umas tantas tarefas sem préstimo. Aprendi naquela altura que a sinceridade tem custos!

Dona Regina ficou indignadíssima com a minha rebeldia, chegou a perguntar-me que trabalhos de casa sugeria eu, mas antes que tivesse tido tempo de responder-lhe fez valer a sua autoridade e talvez com receio de outras sublevações tirou-me o recreio!

Volvidos estes anos, penso que ainda bem que Dona Regina não me deu tempo de sugerir outros trabalhos de casa, ela nunca iria entender-me e o meu castigo quadruplaria!

Como iria ela entender que as férias são óptimas para ficar quietinha a ser. Que os melhores trabalhos são: muito baloiço, muitos passeios nas nuvens, muitas árvores para trepar, muitos livros para ler, muitos castelos no ar para fazer… NÃO, EU NUNCA IRIA CONSEGUIR QUE DONA REGINA ME ENTENDESSE.

Sem surpresa verifico que Dona Regina, ficaria feliz por saber que hoje em pleno séc. XXI, persistem os fervorosos adeptos dos seus trabalhos de casa e das suas composições pós férias.

Trabalhos rotineiros sem margem para exercitar a imaginação, trabalhos que não fazem voar, não deixam sonhar e não ajudam a crescer.

Ontem quando regressamos à escola pedi aos meninos que contassem o que não fizeram nas férias!

terça-feira, 26 de abril de 2011

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Liberdade feita de flores e sonhos... sempre que quisermos.