quarta-feira, 27 de julho de 2011
segunda-feira, 25 de julho de 2011
Brincar com o vento
Ela sempre achara divertidos os dias em que o vento varria a praia. Principalmente se era Verão. Divertia-a ver chegar pela manhã os “praiantes” como dizem os pescadores seus amigos, carregados de tudo quanto é desnecessário para ficar um dia inteirinho a torrar ao sol! Pior, para eles claro, era quando o vento começava a aumentar de intensidade…
Era ver os guardas sol a voar pela praia, e os pára-vento sem conseguirem cumprir a missão a que estavam destinados e já se sabe pela hora do almoço a nortada tinha expulsado todos do areal. Todos todos não. As gaivotas continuavam na praia e sabiam divertir-se ao sabor do vento, bastava olha-las a planar para perceber com estavam felizes!
Ela também sabia brincar com o vento! Tinha descoberto que os melhores dias para fazer bolinhas de sabão, são aqueles em que faz mais vento. Que de outra forma voariam tão longe e estenderiam a sua magia por tanto tempo?!
Mas hoje o dia estava óptimo para lançar um papagaio!
Chamaria os sobrinhos e sorria já ao imaginar o quanto iriam divertir-se!
Ela gostava principalmente da parte em que o papagaio finalmente dançava ao vento e cá em baixo no areal ela desejava estar no seu lugar…
domingo, 17 de julho de 2011
Ideia de Boneca
Gustav Klimt
Olhou a boneca que acabara de desenhar na areia e sorriu, ela nunca gostara de brincar com bonecas e sempre que descia à praia não parava de desenhá-las. Para falar verdade as bonecas que costumavam oferecer-lhe eram tão sem alma, desprovidas de expressão, ela nunca teve nenhuma a quem conseguisse adivinhar um coração.
Teve várias bonitinhas, muito bem vestidas, (seja lá o que isso for), algumas até vindas de Paris, mas todas de olhar vazio e a nenhuma conseguia adivinhar um coraçãozito por dentro do peito.
A sua boneca teria de ter um sorriso rasgado e luminoso, olhos de mar sem fim, dos seus cabelos de algas teriam de sair estrelas muito azuis e ao vestido bordado a conchas e pedrinhas multicolores o mar viria juntar um casaco de espuma. O seu coração tinha de ter doçura e grandeza quanto baste para amar o longe e a miragem ser excessivamente encantado e apaixonado ter vontade de guardar o mundo dentro…
Ali na areia estava a boneca dos seus sonhos, aquela que nunca ninguém lhe oferecera e que o mar não tardaria em levar.
quinta-feira, 14 de julho de 2011
Caír no Arco-íris
Rainbow sleeves
You used to dream yourself away each night
To places that you'd never been
On wings made of wishes
That you whispered to yourself
Back when every night the moon and you
Would sweep away to places
That you knew
Where you would never get the blues
Well now, whiskey gives you wings
To carry
Each one of your dreams
And the moon does not belong to you
But I believe
That your heart keeps young dreams
Well, I've been told
To keep from ever growing old
And a heart that has been broken
Will be stronger when it mends
Don't let the blues stop you singing
Darling, you've only got a broken wing
Hey, you just hang on to my rainbow
Hang on to my rainbow
Hang on to my rainbow sleeves
(written by Tom Waits)
quarta-feira, 13 de julho de 2011
Nalgum Lugar...
There's a place for us
Somewhere a place for us
Peace and quiet and open air
Wait for us
Somewhere
There's a time for us
Someday there'll be a time for us
Time together with time to spare
Time to learn
Time to care
Someday, somewhere
We'll find a new way of living
We'll find there's a way of forgiving
Somewhere
There's a place for us
A time and a place for us
Hold my hand and we're half way there
Hold my hand
And I'll take you there
Somehow
Someday, somewhere
domingo, 10 de julho de 2011
Lugares do Meu Mundo
Nos dias em que queremos esquecer o mundo ou este parece ter-se esquecido de nós é bom saber de lugares que são assim como uma concha, lugares onde nos sentimos protegidos e onde procuramos formas de suavizar a vida.
Felizmente ela sabia de vários lugares assim…
Às vezes bastava-lhe um sopro de vento, um acorde de pássaro, uma praia vazia, um respirar de estrelas, um olhar sobre o rio e tudo o resto deixava de ter importância.
Mas o seu lugar preferido era sem dúvida a sua varanda virada para o Douro, agora que o Verão chegara a trepadeira que a envolvia estava cheia de flores lilás que exalavam um perfume nocturno, flores que preferem a luz da lua e o brilho das estrelas, talvez perfumem a noite aos grilos e ralos que cantam em seu redor.
Noutras noites as águas do rio parecem abraçar-se ao céu e as estrelas aproveitam para poder banhar-se, mas hoje o céu está negro e as estrelas vestidas de nuvens, não esta noite não virão banhar-se no rio, mas ela ficará ali, vai esperar a chegada do sol!
quinta-feira, 7 de julho de 2011
Em barca de nuvens sigo
Venturosa de sonhar-te,
à minha sombra me deito.
(Teu rosto, por toda parte,
mas, amor, só no meu peito!)
-Barqueiro, que céu tão leve!
Barqueiro, que mar parado!
Barqueiro, que enigma breve,
o sonho de ter amado!
Em barca de nuvens sigo:
e o que vou pagando ao vento
para levar-te comigo
é suspiro e pensamento.
-Barqueiro, que doce instante!
Barqueiro, que instante imenso,
não do amado nem do amante:
mas de amar o amor que penso!
Cecília Meireles
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