quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Romancinho Verde


Veio primeiro uma menina

Que lindo nome ela tinha!

Chamava-se ela Maria

Era bela e pequenina!

Veio primeiro uma menina

Veio descendo até à praia,

Tinha uma saia de espuma

Era branca a sua saia.

Veio primeiro uma menina

Cor de cravo o corpetinho,

Veio descendo até à praia

A andar devagarinho.

Veio primeiro uma menina

Veio descendo até ao mar,

Pés descalços sobre a areia

Levezinho o seu pisar.

E veio depois um rapaz

Que Manuel se chamava,

Veio descendo até à praia

Onde Maria já estava.

E veio depois um rapaz

De calças de cor dos montes,

Sua camisa tão branca

Lembrava água das fontes.

E veio depois um rapaz

Com modos de namorado,

E disse manso à menina:

-É tão linda a cor do cravo!

E a menina sorrindo

Parecia uma pomba a voar:

- Ó Rapaz da minha terra

É tão lindo o teu falar!

E o rapaz também sorriu

Sorriu, estendeu-lhe a mão,

E disse manso à menina:

Tu dás-me o teu coração?

E a menina abriu os braços

Para o rapaz abraçar:

Cor de cravo e água branca

Em frente do verde mar.


Matilde Rosa Araújo

domingo, 20 de fevereiro de 2011

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Uma história de mar com asas



(Joan Miró)

Era uma praia. Pequena, com mar, gaivotas, areia, conchinhas na beirada… Até aqui a praia parecia não ter nada de especial, afinal todas as praias que conheço são assim. Mas esta garanto é a praia mais especial que conheço, vejo-a da minha varanda e sei tudo o que lá se passa. Bom, quase tudo…

Na minha praia, já sei, a praia não é só minha, mas eu gosto de chamá-la assim. Pensando bem, a varanda virada para a praia também não é só minha, mas talvez ela seja mais minha porque passo lá tempos infinitos a descobrir coisas nas coisas. É uma mania minha, e nisto de manias cada um tem as suas.

E foi da minha varanda que dá para a praia que fiquei a saber da história de uma gaivota e de um menino.

A gaivota vivia na praia. O menino vivia longe daquela praia, mas vá-se lá saber porquê um dia veio ver o mar e gostou tanto da praia que sempre que podia voltava. Já sei, o mar e a praia são iguais em todos os sítios do planeta, mas o menino também gostava mais daquele mar, do meu.

Um dia, estava o menino deitado na areia a ouvir o mar, quando lhe cai um pauzinho de madeira mesmo em cima do nariz! O menino levantou – se e deu de caras com o bico de uma gaivota. Nada assustado olhou-a bem, era uma gaivota muito branca com listinhas castanhas nas asas. Sem saber muito bem porquê o menino gostou da gaivota e a gaivota achou o menino tão especial que não foi nada difícil ficarem amigos. Eu não sei se as gaivotas falam a linguagem dos humanos, mas sei que há humanos que entendem as gaivotas. E eu juro que os ouvia a conversar e a rir, pareciam tão felizes! Contavam histórias um ao outro, voavam juntos, outras vezes ficavam ali a flutuar no imenso azul do mar ou a erguer sonhos na areia…

Depois o menino regressava à terra dos homens. Quando ele partia a gaivota ficava na areia sonhando-o e desejando que regressasse rápido.

E quando o menino voltava de novo à praia o coraçãozinho da gaivota ficava tão feliz e tremia tanto que ela nem conseguia bater as asas direito.

O menino não vem à praia há algum tempo. Como sei? Vejo a gaivota sozinha na praia. Há dias até lhe vi nos olhos uma lagrimazinha de saudade, mas sei que vai esperar pelo menino mesmo que ele já não venha.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Caminho Marítimo




(...)

Há um caminho marítimo no meu gostar de ti.
Há um porto por achar no verbo amar
há um demandar um longe que é aqui.
E o meu gostar de ti é este mar.

Manuel Alegre

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Todas as coisas mais que nos livros não cabem




(…)

E é tudo tão simples quando se rola a flor entre os dedos!

Os estadistas não sabem,

mas nós, os das flores, para quem os caminhos do sonho

não guardam segredos,

Sabemos isso e todas as coisas mais que nos livros não cabem.”

António Gedeão

domingo, 30 de janeiro de 2011

O Recreio da Escola da Praia


Miró

Esta é uma história pequenina. Passada numa escola também ela pequenina de uma aldeia ainda mais pequenina de um País também ele pequenino chamado Portugal.

A escola pequenina de que falo ficava mesmo ao pé da praia por isso, era por todos conhecida como, a escola da praia. Assim à primeira vista, a escola da praia era igual a todas as escolas, tinha tudo o que era preciso para ser uma escola, meninos, porque sem meninos a escola não existe. E um enorme recreio, sim, a escola era pequenina, mas tinha um enorme recreio, com um enorme Plátano. Para quem não sabe ou porventura já esqueceu, o recreio é o sítio da escola que os meninos gostam mais, os meninos e alguns professores também.

Senão vejamos, onde podemos dar a melhor aula sobre a vida das formigas? No recreio. Qual é o melhor lugar da escola para trabalhar as regras de socialização, a meteorologia, a intensidade do vento, o clima, as cores, os cheiros, os sons…

Qual o lugar da escola com melhor luz para ler, para pintar? Claro, o recreio.

No recreio desta escola por detrás das roseiras que cobrem os canteiros vive uma família de gnomos, um esquilo que adora comer o pão que o padeiro deixa no portão para o pequeno-almoço dos meninos. Uma família de minhocas, abelhas, borboletas, caracóis que deslizam por entre as folhas sobretudo quando chove, como todos sabem os caracóis são grandes apreciadores de passeios à chuva, muitos pássaros, principalmente chapins e gaivotas ou não fosse esta a escola da praia.

Há também um muro onde vivem imensas lagartixas, é assim como uma espécie de condomínio. Os meninos já sabem que durante o Inverno, as lagartixas ficam a dormir, pois detestam frio…

Mas para perceber melhor as estações do ano, basta observar o plátano que fica mesmo no centro do recreio. Quando começam as aulas, as suas folhas ainda estão bem verdinhas e seguras. Aos poucos vão ficando castanhas e chega o dia em que se transformam em pedacinhos de ouro esvoaçando e caindo sobre o chão. Outro dia, olhamos, e o plátano “está careca”. Sabemos que o Inverno está à porta, mas em breve a Primavera se encarregará de voltar a cobrir de folhas os seus ramos, para que nos dias de calor os meninos e os professores que acham o recreio o melhor sítio da escola, possam saborear a fresca sombra. Mas o que o plátano mais gosta é de ver os meninos pendurados nos seus ramos, porque como os meninos o plátano sabe que só do alto dos seus ramos podemos agarrar o vento, tocar o céu, ver melhor o mar…

O recreio da escola da praia é mesmo um lugar maravilhoso. Como de resto são os recreios de todas as escolas. Basta só aproveitar tudo o que oferecem!

domingo, 23 de janeiro de 2011

AS MINHAS JÓIAS...


Gosto de jóias raras, de preferência cheias de pedrinhas de afecto e que adornem por dentro. Jóias que são assim como um nó de ternura, bem dentro do coração. Como alguns dos meus livros, aqueles a que volto sempre e não trocaria por nada de nada!

Livros que fazem parte de mim, que são como amores que ficam para sempre, porque conseguem manter o encantamento de quando os lemos pela primeira vez ou mesmo aumentá-lo, quando a eles voltamos. Livros que nos tornam melhores porque nos mostram o que de melhor há dentro de nós.


E hoje apetece-me falar de uma das jóias mais raras que tenho na minha biblioteca. O primeiro livro que li por mão própria e que me foi oferecido por meu Avô.


Na dedicatória que escreveu o Avô dizia; “… Um grande grande livro, grande à tua medida…” Bom, que é um grande livro não tenho qualquer dúvida, que continua a encher-me as medidas, também não, quanto à minha medida o avô foi sempre exagerado!


A minha jóia mais rara chama-se, O PALHAÇO VERDE, ou o PALHAXO VÊDI; ou ainda, O PALAÇO VEDE, depende da idade que tenhamos e é um livro grande e maravilhoso da escritora, Matilde Rosa Araújo.


O livro fala de um circo magnífico que bem podia ser o circo da vida. Que será sempre mais maravilhoso e fantástico tanto quanto nós queiramos… Os donos deste circo são, Dona Esperancinha e o Senhor Forças, o casal ideal para dirigir um circo. Que circo conseguiria viver sem Forças e Esperancinha? Há ainda a menina Flor, filha dos donos do circo, tão pequena e delicada como são de resto todas as flores que dão cor e perfume à nossa vida. Um cãozinho, castanho e fininho chamado Zero. Juju e o seu cavalinho branco de nome “Luar”, o Senhor Fumo o ilusionista e o Palhaço Verde.


O Palhaço mais maravilhoso e especial que conheço.

(…) Tinha um nariz muito grande e uns olhos que brilhavam como estrelas. E no peito um coração de oiro – os olhos brilhavam como estrelas porque ele tinha um coração de oiro. E as mãos, quando estavam fora das luvas grandes, eram grandes, isso eram, mas meigas e bonitas.

O Palhaço era bom. Sonhava muito. Sonhava que no mundo todos deviam ser bons, alegres, bem dispostos. (…)


Engraçado, que sonhei tantas vezes encontrar um Palhaço como este, ou melhor, pessoas que fossem tal e qual o Palhaço Verde e não é que encontrei!


O livro está cheio de palavras encantadas, mimentas como lhes chamaria a Avó Mila. Leiam-no, deixem-se encantar, ousem sonhar e quem sabe o Palhaço Verde não se torna numa das vossas jóias mais raras e preciosas!


sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Retrato, meu


Eu, no dia 19 de Janeiro, aos olhos da Rita de 3 anos.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Entardecer na e da Excelente Arquitectura Portuense


Num fim de tarde cinzento. Edifícios lindos que ainda vão mantendo o garbo e beleza desta cidade cada vez mais decadente. Dos locais não digo...adivinhem-nos!