domingo, 21 de novembro de 2010

Rio com estados d'alma



Sempre que chovia ou fazia frio estava proibida de descer até ao jardim.

Hoje e respeitando a vontade dos adultos da casa limitar-se-ia a ver o mundo da janela. Logo hoje que o Avô não estava em casa, como conseguiria pôr o pé na rua sem ficar de castigo?! E tanto que lhe apetecia sentir o vento no rosto, ouvir a doce canção da chuva…

Pegou no casaco, talvez conseguisse sair sem ninguém dar conta, os adultos estavam sempre muito ocupados nos seus diversos afazeres, ninguém daria pela sua falta!

Adorava embrulhar-se de vento e chuva! Descer até ao rio e ficar ali quietinha… na margem. Acho que tentava ler a alma ao rio. Um dia o Sr. Belmiro, o barqueiro dissera-lhe, que o rio é como as pessoas, tem humores. Às vezes não está para brincadeiras! Podia até ser verdade, mas a única coisa que lhe interessava era o seu estado de alma depois de estar ali. Sereníssima.

De repente lembrou-se que tinha de voltar para casa. Talvez que ficar de castigo fosse já inevitável. Ao entrar em casa deu de caras com a Ana;

-Credo, Menina! Se a sua Mãezinha a vê nesse estado não sai do quarto durante uma semana!

Desta vez estava safa, a Ana não diria nada a ninguém era uma querida em tantas outras vezes tinha já sido sua cúmplice, e nunca precisava explicar-lhe nada. Tanto mais que agora se ficasse de castigo já conseguiria olhar o dia da janela. Agora que já tinha sentido a chuva e o vento e tinha até falado com o rio.


quinta-feira, 18 de novembro de 2010

"Os Céus gastam muito lápis"


Os meninos pintando um desenho discutiam sobre que cores usariam para pintar o céu. De longe observava-os, quase que adivinhava de que cor o pintariam.

Azul, muito azul, com um sol imenso a brilhar! O céu dos meninos é sempre assim! Aos meninos, não interessa que o céu seja cor de chumbo de tempestade ou cinza de nevoeiro ou … branco de neve! Se ao entardecer é púrpura e violeta, e no alvorecer alaranjado… Também não precisam procurar nele as cores do arco-íris. Basta-lhes a cada minuto olhá-lo e são tão felizes!

Viu-os pegar no lápis azul e comentar:

- É melhor pegar noutro azul; “Os céus gastam muito lápis”!

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Se eu pudesse mudar o mundo...



Change the World

If I could reach the stars
Pull one down for you
Shine it on my heart
So you could see the truth
That this love I have inside
Is everything it seems
But for now I find
It's only in my dreams

That I can change the world

I'd be the sunlight in your universe
You'd think my love was really something good
Baby, if I could change the world

If I could be king, even for a day

I would take you as my queen
I would have it no other way
And our love would rule
This kingdom we have made
Till then I'd be a fool, wishin' for the day

That I can change the world,

I would be the sunlight in your universe.
You would think my love was really something good,
Baby if I could change the world.
Baby if I could change the world.

That I can change the world,

I would be the sunlight in your universe.
You would think my love was really something good,
Baby if I could change the world.
Baby if I could change the world.
Baby if I could change the world.

domingo, 14 de novembro de 2010

MISTÉRIOS



Não sei que mistério
prende meu coração ao dia de hoje.
Tanto que me parece que estou ausente da vida
E apenas real nesta paisagem.

Albano Martins

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Por Céus e Mares...


Por céus e mares eu andei
Vi um poeta e vi um rei
Na esperança de saber o que é o amor
Ninguém sabia me dizer
E eu já queria até morrer
Quando um velhinho com uma flor assim falou:
O amor é o carinho
É o espinho que não se vê em cada flor
É a vida quando
Chega sangrando
Aberta em pétalas de amor
Vinicius de Moraes



domingo, 7 de novembro de 2010

FASCÍNIOS E PAIXÕES

Desenho da Daniela 3º Ano : Escola EB1 da Estação-Valongo


A turma do terceiro ano da professora Alexandra é uma turma muito especial.

Talvez porque a professora Alexandra seja uma pessoa especial. Daquelas pessoas que amam a profissão e os meninos de forma tão arrebatadora, que nenhum sistema de avaliação por mais justo e transparente que fosse conseguiria avaliar!

Sim, porque nenhum sistema de avaliação que se conheça quer saber de fascínios e paixões. Quando se trata de avaliar o trabalho desenvolvido, as emoções não são tidas em conta, não estão sequer contempladas nas cotas!

Mas a professora Alexandra não está preocupada com nada disto, ela sabe que uma escola deve ser um sítio onde se esbanjam sonhos e sorrisos, por isso deixa os seus meninos “inventar como os cientistas e os poetas”. Meninos que usam e abusam da gramática da fantasia, que gostam de escrever, de ler, de andar ao sabor da poesia.

Não sei bem como aconteceu, mas um dia, a professora Alexandra desafiou-me para que falasse aos seus meninos da minha paixão pelos livros. Aceitei imediatamente. Primeiro porque adoro desafios, depois, porque quando se trata de fascínios e paixões, nem eu sei o quão longe me podem levar…

Disse aos meninos, o quanto me sinto privilegiada por ter crescido rodeada de livros e de pessoas que me fizeram acreditar, que ler é mesmo uma das maravilhas do Mundo.

Falei-lhes dos primeiros livros que li por mão própria, “O Palhaço Verde”, de Matilde Rosa Araújo. Para mim, um livro tão especial, tão belo, como são todos os livros de Matilde. Um livro onde encontrei a definição de amor mais bela que algum dia li.

Da “Menina do Mar”, de Sophia de Mello Breyner Andresen, outro livro encantado. E de José Mauro de Vasconcelos, cujo “Coração de Vidro”, tanto me fascinou.

Os meninos riram-se quando lhes disse, que às vezes adormecia agarrada aos livros, queria tanto saber como terminavam, mas o sono era mais forte!

Os meninos brindaram-me com algumas definições sobre o que é ler, absolutamente brilhantes. Todos concordam que ler é quase sempre o melhor remédio. Há até quem sugira que devemos ler devagar para saborear melhor os sonhos a que as palavras nos conduzem. Os meninos sentem o maravilhoso que é entrar dentro de um livro, tanto dizem alguns, que nem apetece sair! E houve mesmo uma menina, que sugeriu que através da leitura, podemos encontrar aquilo que muitas vezes pensamos não encontrar na vida!

Falamos ainda da língua maravilhosa que é a nossa. E do que é escrever. Que podemos e devemos escrever se isso nos deixa felizes. Mas escrever é uma coisa, outra é conseguir o “delírio do verbo”, esse só alguns conseguem. Embora haja uns quantos outros que acham que não. E talvez por não terem disso consciência, engrossam a lista de medíocres que editam livros, vá-se lá saber porquê!

Foi uma manhã bem passada que espero repetir!

Obrigado meninos e professora Alexandra!