Raízes e asas. Mas que as asas enraízem
e as raízes voem.
Blogue de aragem e aroma a maresia...de manhã (entre) tecida pela névoa, de tarde plácida batida pelas ondas, de rugido nocturno do pensamento...
Certo dia de Outono, Dona Laura disse:
- Agora meus queridos, quero que inventem o Outono!
Dona Laura era um doce, mas tinha cá umas ideias! Pois se lá fora era Outono, como quereria ela que o inventássemos? Como se tivesse percebido as nossas dúvidas e espanto, Dona Laura, continuou:
-Não me digam do Outono aquilo que eu já sei, falem-me de um Outono desconhecido, do vosso!
Claro, parecia um exercício difícil, mas como já estávamos habituados aos pedidos diferentes de Dona Laura desde o primeiro ano, agora no quarto ano já ninguém estranhava… Sabíamos que bastava brincar a pensar, que é o mesmo que dizer, bastava pensar diferente!
Eis o que escrevi sobre o Outono, tinha então nove anos …
“O Outono é a única altura do ano em que podemos agarrar o sol. Porque como ele não está tão quente, gosta dos nossos abraços para se aquecer e nós ao abraçá-lo ficamos mais quentinhos também.
Aquece ainda as folhas das árvores, que de tanto calor ficam pintadas de cor de laranja e vermelho, e quando estas empurradas ou pelo vento ou pelos espirros das árvores caiem no chão, aquecem também a Terra.”
No canto direito da folha do meu Outono, Dona Laura escreveu com esferográfica verde: "Formidável".
Deixa-me seguir para o Mar
Tenta esquecer-me... Ser lembrado é como
evocar-se um fantasma... Deixa-me ser
o que sou, o que sempre fui, um rio que vai fluindo...
Em vão, em minhas margens cantarão as horas,
me recamarei de estrelas como um manto real,
me bordarei de nuvens e de asas,
às vezes virão em mim as crianças banhar-se...
Um espelho não guarda as coisas refletidas!
E o meu destino é seguir... é seguir para o Mar,
as imagens perdendo no caminho...
Deixa-me fluir, passar, cantar...
toda a tristeza dos rios
é não poderem parar!
Mário Quintana
Procuro-te …