domingo, 25 de julho de 2010

MERGULHAR NA RELVA...



Adoro o Verão.
Dos dias e noites longas. Onde há tempo para ter tempo.
Da casa sempre cheia de gente. Tal e qual como na infância.
São, os primos, as manas, os sobrinhos, os filhos, os amigos, os amigos dos filhos, os amigos dos amigos…Gente e mais gente, que dá vida à casa que durante o resto do ano está quase sempre vazia!
No Verão, a casa ganha vida, como no tempo dos avós. E ninguém se atreve a procurar destino de férias sem passar por cá!
Pedro, o meu sobrinho de quatro anos, fez-me há dias uma pergunta curiosa;
-Tia, o que gostas mais no Verão é da casa da Avó?
Fiquei espantada! Tão bem o pequeno lia minha alma!
Para falar verdade, não sei do que gosto mais neste lugar. Da casa? Das memórias de uma infância e adolescência privilegiadas? Da paz que me invade sempre que aqui estou? Do rio, junto ao qual cresci e que um dia me levou até ao mar? Das árvores, que subi na esperança de conseguir tocar o céu? De olhar o sol a levantar-se por entre as águas do rio, ou a mergulhar nelas ao entardecer? De olhar o céu infinito, ponteado de estrelas? De escutar uma cantata para grilos em noite de lua cheia?
Adoro tudo isto! Mas do que gosto mesmo, é de mergulhar na relva!
O cheirinho a verde misturado com o perfume das várias ervas e flores invade o ar, fixando-se de tal forma na alma, que sentimos como que um desejo irresistível de ficar ali a adorar a natureza!

sexta-feira, 23 de julho de 2010

O Barquinho





Dia de luz, festa de sol
E o barquinho a deslizar
No macio azul do mar
Tudo é verão, o amor se faz
No barquinho pelo mar
Que desliza sem parar
Sem intenção, nossa canção
Vai saindo desse mar
E o sol
Beija o barco e luz
Dias tão azuis

Volta do mar, desmaia o sol
E o barquinho a deslizar
E a vontade de cantar
Céu tão azul, ilhas do sul
E o barquinho, coração
Deslizando na canção
Tudo isso é paz
Tudo isso traz
Uma calma de verão
E então
O barquinho vai
E a tardinha cai




Nara Leão - O Barquinho

terça-feira, 20 de julho de 2010

O Mar Sobe Ao Céu



O mar sobe ao céu
nas claras manhãs de inverno
soprando um lençol diáfano
de espuma.

O sal vem até nós
com a suave violência
da brancura insuportável.

Hoje é o dia
o momento
a hora inadiável.
Cada dia
é o derradeiro sopro
da flauta da criação.

Vem
por isso
vem
peixe de prata.
Mar de prata.

Tudo é prata
no teu corpo escandaloso
recebendo o beijo lento
desta luz coada
pelos recortes de uma renda grossa
na janela.

José Fanha in Tempo Azul

domingo, 18 de julho de 2010

Perfume marítimo...




Com flores de espuma
é que o mar
se perfuma.

Albano Martins



quinta-feira, 15 de julho de 2010

MARAMAR...MARAMOR...FINAL FELIZ!

Mar de férias que se aproximam, Mar de mim, Vila Chã de pico cá dentro, para sempre!

(Com Música de Christine Sèvres, Jean Ferrat e Marie Laforet)


quarta-feira, 14 de julho de 2010

domingo, 11 de julho de 2010



Lua sobre o mar

Pus-me à noite a ouvir o mar
Que o mar só fala com quem o entende
Com quem o sabe escutar
Com quem o quer desvendar…

Que me dirá o mar?
Aquilo que quero
Ou o que não quero escutar?

Mas se eu só quero o seu silêncio
O seu doce marulhar
Como haverá o mar de me falar?!

Talvez eu possa ser lua sobre o mar
E cair na água como um pássaro!



quinta-feira, 8 de julho de 2010

No Cais


Quando, sobre o morro,

o entardecer se entorna,

mansa, surdina ténue,

magoadamente, a morna


conquista os longes,

perdida vagamente além,

busca de búzio- eco,

búzio que a praia não tem.


E a Menina alheia o coração…


Barcos inesperados na abordagem,

barcos previstos na largada…

Que mistérios levarão, trarão

de ilhas na distância, de coral,

emersas no coração do mar?


O coração da Menina está doente…

Os pássaros

Trazem a noite na canção…


Madura como seara

a alma da Menina

aguarda mão

que a levará plo Tempo,

longamente, além…


… na tranquilidade de saber nada,

à toa, simplesmente à toa,

sem olhar a estrada…

Agostinho Gomes in Ilha Verde


terça-feira, 6 de julho de 2010

Matilde


“ Hoje sei que o amor dos outros não se adia”.

“Sabemos todos já, amigos, que há vida e morte. Também isso temos de aprender.

Não fiquem tristes por isso. Vejam como as flores nascem quase transparentes da terra, como as podemos olhar à luz do Sol, e morrem, para de novo nascerem.”

Matilde Rosa Araújo in O Sol e o Menino dos Pés Frios

domingo, 4 de julho de 2010

Um palácio no meio do Mar…



Apetece-me ter um palácio,

No mar

Pequenino

Onde ninguém me conheça

Onde ninguém me minta

Onde ninguém me aborreça.

Apetece-me um palácio,

Onde possa vestir-me de vento

E espanto

E sempre sonhar, sonhar

Apetece-me um palácio

Cheio de sol

E de sal

Um palácio

Onde possa respirar o mar!