segunda-feira, 21 de junho de 2010

A menina que não queria ser princesa!





Conseguem imaginar um mundo sem histórias?

O que torna mágica a nossa existência, não será a nossa história? Única, irrepetível… Não será o nosso mundo feito de histórias deliciosas? A minha, a tua, as nossas, as vossas…

Histórias que se cruzam por vezes, vá-se lá saber porquê!

Histórias que melhoram a nossa história, que nos fazem sentir mais especiais, que nos abrem sorrisos rasgados, nos fazem esbanjar ternuras, nos mostram que a vida vale mais a pena. Histórias de sonhos, que quando se tornam reais, são ainda melhores do que sonhamos! Dos muitos pedacinhos de histórias que fazem a minha história, porque confesso, quando se trata de histórias, não sou nada esquisita!

Lembro com uma ternura enorme, uma história, contada pela minha avó Emília. Era a história de uma menina que se cansou de ser princesa!

A história começava com a menina princesa a chorar desalmadamente na torre do seu belo castelo. Então, aparecia um lindo pássaro azul, que vinha como que em socorro da bela princesa. Aliás, quando conseguiu enxugar as lágrimas e olhar o pássaro azul, a princesa jurou já tê-lo visto outras vezes, cantando no arbusto mais belo do Jardim!

- Talvez eu já tenha estado aqui outras vezes, cantando para ti. - disse o pássaro azul.

- Eu apareço sempre que alguém precisa de mim. Mas conta-me, o que tanto te aflige?! - A menina princesa, contou então ao lindo pássaro azul, porque estava tão triste… Era a princesa herdeira, todos esperavam que fosse bem comportada. Que sorrisse, mesmo que na sua alma morasse a mais profunda das tristezas! Que chorasse, se a situação assim o exigisse, mesmo que nada sentisse, o importante era que todos pensassem, que as lágrimas eram verdadeiras. Mas o pior, era ter de fazer tudo o que lhe mandassem!

Ela, que sempre fora mal mandada! Ela que segundo a Mãe, só gostava de fazer o que nenhuma princesa pode ou deve fazer. Coisas como, subir às árvores, andar descalça, falar com todas as pessoas, fazer o que o seu coração lhe mandasse, e não o protocolo, que para quem não sabe, é uma coisa que só serve para complicar e tirar o sabor á vida!

A culpa, disto tudo, era dos livros que o rei, seu pai, tinha permitido que lesse. Dizia, a rainha furiosa:

- Eu bem sugeri que a proibisse de entrar naquela maldita biblioteca! - Acrescentou!

-Disparates, minha querida, ler, vai fazê-la melhor princesa!

E como tinha razão o senhor seu pai.

Os livros, tinham-na feito, viajar, conhecer outros mundos, outras culturas, outros universos, tinham-na feito sonhar e inventar sonhos, e só quem inventa sonhos, consegue perceber melhor os sonhos de outros. Sim, porque os sonhos, aumentam a qualidade da alma, fazem transbordar o coração de bondade, e estes serão os requisitos para se ser uma verdadeira princesa.

Mas também as princesas têm direito a escolher o que fazer da sua vida. Para que a sua história, seja uma história feliz, pelo menos, enquanto assim quiserem!

Nunca soube se a princesa, chegou a reinar, mas sempre tive por ela grande admiração. Como admirava o seu reino interior! E não será esse o melhor reino das histórias?



Aquele que existe, dentro de cada um de nós?!

sábado, 19 de junho de 2010

A Casa



Abriu os olhos…Pela janela entravam tímidos, os primeiros raios de sol. Só então se deu conta que tinha adormecido mais uma vez na cadeira de baloiço da biblioteca. Olhou o relógio da secretária, eram seis da manhã!

Adorava acordar quando toda a casa ainda dormia. Como gostava daquelas primeiras horas de cada manhã. O silêncio da casa, o canto dos pássaros… Olhou o rio, o seu maravilhoso Douro. Também este parecia espreguiçar-se lentamente enquanto o sol começava a dourar as suas águas. Sol, que entrava agora mais forte pela janela enchendo de luz todas as coisas, como que afastando definitivamente a fria e escura noite!

Subiu até ao seu quarto. Da varanda veria o sol nascer. Sentiria o cheirinho a terra húmida, ouviria melhor os pássaros multicolores e sonharia ser um deles.

Como era lindo! …

Se o paraíso existe, ele era ali mesmo, na sua varanda, na casa dos Avós!

Que bom, voltar aos lugares e cheiros da infância!



quinta-feira, 17 de junho de 2010

Corujinha



A corujinha pode ser feinha (eu não acho), mas é uma ternurinha!





Corujinha, corujinha,
Que peninha de você.
Fica toda encolhidinha
Sempre olhando não sei quê.
O seu canto de repente
Faz a gente estremecer.
Corujinha, pobrezinha,
Todo mundo que te vê
Diz assim, ah, coitadinha,
Que feinha que é você.

Quando a noite vem chegando
Chega o teu amanhecer.
E se o sol vem despontando
Vais voando te esconder.

Hoje em dia andas vaidosa,
Orgulhosa como o quê.
Toda noite tua carinha
Aparece na TV.

Corujinha, corujinha,
Que feinha que é você.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Poesia É Palavra


“…O mais perfeito dos sons humanos é a palavra. A poesia por sua vez é a forma mais perfeita da palavra. “

Sono de Primavera – Poemas Chineses



domingo, 13 de junho de 2010

sexta-feira, 11 de junho de 2010

PALAVRAS PARA ENTENDER


Palavras para entender

Uma imagem pode valer mil palavras, mas eu sempre preferirei as palavras que valem mil ou mais imagens.


As imagens podem falar por si, mas as palavras, falam de mim e por mim.


Palavras que puxam mais e mais palavras. Palavras que constroem histórias de vida, que falam dos sonhos, dos medos, de um mundo raro que é o nosso.


Claro que só alguns possuem o dom de encantar as palavras e de encantar com palavras. Mas todos, temos as nossas palavras encantadas. Aquelas que usamos para encantar ou quando estamos desencantados!


Há palavras para todos os gostos e palavras que podem causar grandes desgostos!


Há palavras de que gostamos muito! Talvez a minha palavra preferida seja ternura, ou ternuras! Tenho até um amigo que sabe de um “xarope de ternuras”. É verdade, um xarope que não necessita de prescrição médica e onde a sobredosagem é aconselhada! Garanto que depois da toma, as palavras sabem a mel de urze, que como se sabe, é o mel preferido dos poetas, e de todos os que sabem tornar belas e doces as palavras!


E as palavras de que não gostamos? Desonestidade, hipocrisia, avareza… Pois, elas existem! Mas se conhecermos muitas palavras doces, lidaremos melhor com aquelas que não gostamos!


E as imagens?


Bom , as imagens serão sempre úteis para os que não querem ou não sabem ler!



quinta-feira, 10 de junho de 2010

Acima das nuvens



"Acima das nuvens

Perguntas-me o que vim eu encontrar
Acima das nuvens no cume da montanha
É algo que só na solidão se pode descobrir
E mesmo que quisesse não teria palavras para o exprimir"

Tao Hang King- Poemas chineses

segunda-feira, 7 de junho de 2010

LIVROS AO SOL


Num fim-de-semana onde todos os caminhos no Porto vão dar a Serralves, escolhi dar um salto à Feira do Livro.


Claro que gosto de Serralves, tem uns jardins belíssimos, um museu interessante, boa comida e uns chás óptimos. E eu que até sou amiga de Serralves, perdi Serralves em festa! Conheço as edições da festa de outros anos, e devo dizer que adorei! Mas a ideia de encontrar por lá milhares de pessoas, assustou-me e fez-me desistir da ida. Acho que hoje preferia Serralves, simplesmente Serralves!


Decidi portanto ir à Feira do Livro. Se estavam milhares em Serralves, na Avenida dos Aliados estariam pouco mais de uma centena de pessoas, o que facilitava a circulação pelos vários pavilhões da feira, sem pressas, sem empurrões, tanto mais que hoje a temperatura estava agradável. Sim, porque quando está muito calor, o melhor mesmo, é visitar a feira à noite sob pena de se apanhar uma insolação ou golpe de calor, algo que a protecção civil desaconselha vivamente!


Quem lembra a Avenida de outrora, antes de aparecerem por cá uns Senhores, que se dizem Arquitectos, mas que mais não entendem do que da “arte de esbardanar” a cidade - Os Flinstones modernos, lembra, uma Avenida com jardins, árvores e calçada portuguesa. Uma avenida onde era agradável passear, os jardins coloridos, a sombra das árvores e os desenhos da calçada portuguesa davam-lhe, uma beleza e um estilo muito peculiar. A Avenida “tinha alma”.



Hoje, os jardins desapareceram, talvez para poupar os salários dos jardineiros, ou diminuir a conta da água! As árvores que a circundam, são pequenas e frágeis, como se recusassem crescer em jeito de protesto, e o cimento, esse é o rei da nova Avenida! Mas eu, e mais uns quantos Portuenses é que não conseguimos ver a beleza da nova Avenida, tão ao jeito do que se faz por essa Europa fora, dizem! Como dizia, hoje não estava muito calor, mas se estivesse, sempre teria a sombra, feita pelos vários pavilhões da feira.


Quanto aos livros, há muitos, para todos os gostos e preços. As minhas escolhas versaram a poesia, a de Neruda e uma colectânea de poesia sobre o Porto.


Antes do "Fred" e do "Barney" da arquitectura portuense terem"filinstonado" a nossa querida Avenida!