sexta-feira, 7 de maio de 2010

Liberdade...Livros



Comeu e bebeu as Palavras preciosas –

O seu Espírito tornou-se forte –

Deixou de saber que era pobre,

E que o seu corpo era Pó –


Dançou ao longo dos Dias sem cor

E este Legado de Asas

Não passava de um Livro – O que a Liberdade

Concede a um espírito emancipado –


Emily Dickinson


domingo, 2 de maio de 2010

MÃE



Cancion Tonta
Federico García Lorca

Mamá,
yo quiero ser de plata.

Hijo,
tendrás mucho frío.

Mamá.
Yo quiero ser de agua.

Hijo,
tendrás mucho frío.

Mamá.
Bórdarme en tu almohada.

¡Eso sí!
¡Ahora mismo!


Mama.
Eu quero ser de prata.

Filho,
Terás muito frio.

Mama,
eu quero ser de água.

Filho,
Terás muito frio.

Mama.
Borda-me em teu travesseiro.

Isso sim!
Agora mesmo!

(Tradução de Maria Teresa Almeida Pina)

ABRIL...ACTIVIDADES MIL

Da Riqueza de Abril , da Riqueza deles em Abril, da minha Riqueza por ser d'ELES Educadora!



sábado, 1 de maio de 2010

Tema de Amor



“Amor é gostarmos de alguém. Pode ser de qualquer coisa simples e que se passa à nossa volta, e não interessa qual, até aquela mesmo especial de sonhar de noite ou dar beijinhos todo o dia. Por isso é que digo já: se quisermos mandar uma carta a quem amamos, o melhor marco do correio chama-se «coração». Já sabiam, não era?! Ele é encarnado e bate muito certo: mais depressa, quando as coisas bonitas se vêem ou acontecem e estamos felizes, mais devagar e calminho quando estamos quietos ou tristes. De todas as maneiras, bate quando sente amor! E isso é sempre verdade.

Os homens e as crianças de hoje sabem bem o que isto é, mas às vezes dá pena que este seja assunto de ficar escondido no último livro das estantes. Amar muito dói sempre fundo, mas isso é coisa que vai tão depressa quanto veio, porque o nosso coração quando é amoroso é excelente a descobrir logo mais coisas de gostar.”

In” Recados do Tempo do Menino Jesus”, Pedro Strecht


quinta-feira, 22 de abril de 2010

A Terra

“A Terra é uma bola azul pendurada no espaço. O espaço é um sítio tão grande e tão alto, que ninguém consegue ver o fim!”
Cristina - 4 anos


quarta-feira, 21 de abril de 2010

A parte de trás do Céu!






As crianças discutiam entre elas, para onde iriam as estrelas do céu durante o dia!

A Cristina foi a primeira a avançar com a resposta:
- De noite estão no céu e de dia vão para o mar!
- Não é nada disso. Disse o Alexandre!
- Elas estão sempre no céu.
- Ai é! Então diz onde é que elas estão!? Voltou a perguntar a Cristina, desta vez dirigindo-se para a janela e levando quase todo o grupo atrás dela.
- Estão atrás das nuvens, escondidas. Disse agora a Sara.
- Mas ali não há nuvens nem estrelas! Quem falava era o Henrique, enquanto apontava um pedaço de céu azul.
- Porque elas estão na parte de trás do céu. É por isso que não conseguimos vê-las. Era a voz do Hugo. Parecia por momentos que a conversa iria terminar ali…
- O céu não tem nenhuma parte de trás! Disse convicta a Luana.
- Tem, tem! É a parte que não se vê! Dizia de novo o Hugo.
Mas a Cristina insistia:
- Elas de dia, gostam de nadar no mar. Não te lembras? Quando fomos à praia estavam montes de estrelas no mar! Depois quando fica noite, elas sobem para o céu!
O grupo estava dividido! Para onde iriam realmente as estrelas?
Claro, tentaram que fosse eu a dar-lhes a resposta. Mas como estou na sala para criar problemas, devolvi a pergunta.
- O quê que acham? As estrelas estão na parte de trás do céu, durante o dia. Ou descem até ao mar, para voltar a subir quando chega a noite.

As crianças continuam sem chegar a acordo.
Por mim, adoro a teoria de que mergulham no mar durante o dia, para voltar ao céu á noite. Eu se fosse estrela, não gostaria de estar sempre no mesmo sítio!
Claro, o Hugo tem direito á sua opinião. E como está convicto dela!
E vocês? O quê que acham?
Ah! Nunca tinham pensado nisso!


domingo, 11 de abril de 2010

Cecília, o Douro e Eu





Infância
Levaram as grades da varanda
por onde a casa se avistava.
As grades de prata.


Levaram a sombra dos limoeiros
por onde rodavam arcos de música
e formigas ruivas.


Levaram a casa de telhado verde
com suas grutas de conchas
e vidraças de flores foscas.


Levaram a dama
e o seu velho piano que tocava,
tocava, tocava a pálida sonata.


Levaram as pálpebras dos antigos sonhos,
deixaram somente a memória
e as lágrimas de agora.

(Cecília Meireles)


SAUDADE

Na areia do Douro, orvalhada de ouro,
menina Olinda, era lindo brincar.
Transparentes peixes, translúcidos seixos
entre os nossos dedos vinham desmaiar.


Por negras colinas, trepavam as vinhas,
menina Ondina,
muito longe de nós.
Dentro das figueiras, vozes zombeteiras
armavam espelhos para a nossa voz.



Os barcos rabelos carregavam pelo
rio sossegado seus largos barris.
Ah, na areia clara quem sempre ficara,
menina Ondina,
pastoreando as ondas, pastora feliz!

Doce era a cantiga das manhãs antigas,
menina Ondina!
Pela névoa sem fim,
vinha o carpinteiro,
com brancas madeiras
talhar barcas novas, iguais a marfim.


Neblinas tão vastas, areias tão gastas,
menina Ondina!
E no meu coração
caminhos tão longos para a água dos sonhos,
longos como a areia dourada do chão. . .

E o rio corria, transportando o dia,
menina Ondina,
para o escondido mar.
Levava esquecidas também nossas vidas,
com os peixes, os seixos e as coisas, divinas
que morrem sem se acabar. . .

Cecília Meireles