A corujinha pode ser feinha (eu não acho), mas é uma ternurinha!
Corujinha, corujinha, Que peninha de você. Fica toda encolhidinha Sempre olhando não sei quê. O seu canto de repente Faz a gente estremecer. Corujinha, pobrezinha, Todo mundo que te vê Diz assim, ah, coitadinha, Que feinha que é você. Quando a noite vem chegando Chega o teu amanhecer. E se o sol vem despontando Vais voando te esconder. Hoje em dia andas vaidosa, Orgulhosa como o quê. Toda noite tua carinha Aparece na TV. Corujinha, corujinha, Que feinha que é você.
Uma imagem pode valer mil palavras, mas eu sempre preferirei as palavras que valem mil ou mais imagens.
As imagens podem falar por si, mas as palavras, falam de mim e por mim.
Palavras que puxam mais e mais palavras. Palavras que constroem histórias de vida, que falam dos sonhos, dos medos, de um mundo raro que é o nosso.
Claro que só alguns possuem o dom de encantar as palavras e de encantar com palavras. Mas todos, temos as nossas palavras encantadas. Aquelas que usamos para encantar ou quando estamos desencantados!
Há palavras para todos os gostos e palavras que podem causar grandes desgostos!
Há palavras de que gostamos muito! Talvez a minha palavra preferida seja ternura, ou ternuras! Tenho até um amigo que sabe de um “xarope de ternuras”. É verdade, um xarope que não necessita de prescrição médica e onde a sobredosagem é aconselhada! Garanto que depois da toma, as palavras sabem a mel de urze, que como se sabe, é o mel preferido dos poetas, e de todos os que sabem tornar belas e doces as palavras!
E as palavras de que não gostamos? Desonestidade, hipocrisia, avareza… Pois, elas existem! Mas se conhecermos muitas palavras doces, lidaremos melhor com aquelas que não gostamos!
E as imagens?
Bom , as imagens serão sempre úteis para os que não querem ou não sabem ler!
Perguntas-me o que vim eu encontrar Acima das nuvens no cume da montanha É algo que só na solidão se pode descobrir E mesmo que quisesse não teria palavras para o exprimir"
Num fim-de-semana onde todos os caminhos no Porto vão dar a Serralves, escolhi dar um salto à Feira do Livro.
Claro que gosto de Serralves, tem uns jardins belíssimos, um museu interessante, boa comida e uns chás óptimos. E eu que até sou amiga de Serralves, perdi Serralves em festa! Conheço as edições da festa de outros anos, e devo dizer que adorei! Mas a ideia de encontrar por lá milhares de pessoas, assustou-me e fez-me desistir da ida. Acho que hoje preferia Serralves, simplesmente Serralves!
Decidi portanto ir à Feira do Livro. Se estavam milhares em Serralves, na Avenida dos Aliados estariam pouco mais de uma centena de pessoas, o que facilitava a circulação pelos vários pavilhões da feira, sem pressas, sem empurrões, tanto mais que hoje a temperatura estava agradável. Sim, porque quando está muito calor, o melhor mesmo, é visitar a feira à noite sob pena de se apanhar uma insolação ou golpe de calor, algo que a protecção civil desaconselha vivamente!
Quem lembra a Avenida de outrora, antes de aparecerem por cá uns Senhores, que se dizem Arquitectos, mas que mais não entendem do que da “arte de esbardanar” a cidade - Os Flinstones modernos, lembra, uma Avenida com jardins, árvores e calçada portuguesa. Uma avenida onde era agradável passear, os jardins coloridos, a sombra das árvores e os desenhos da calçada portuguesa davam-lhe, uma beleza e um estilo muito peculiar. A Avenida “tinha alma”.
Hoje, os jardins desapareceram, talvez para poupar os salários dos jardineiros, ou diminuir a conta da água! As árvores que a circundam, são pequenas e frágeis, como se recusassem crescer em jeito de protesto, e o cimento, esse é o rei da nova Avenida! Mas eu, e mais uns quantos Portuenses é que não conseguimos ver a beleza da nova Avenida, tão ao jeito do que se faz por essa Europa fora, dizem! Como dizia, hoje não estava muito calor, mas se estivesse, sempre teria a sombra, feita pelos vários pavilhões da feira.
Quanto aos livros, há muitos, para todos os gostos e preços. As minhas escolhas versaram a poesia, a de Neruda e uma colectânea de poesia sobre o Porto.
Antes do "Fred" e do "Barney" da arquitectura portuense terem"filinstonado" a nossa querida Avenida!
Conversava com uma amiga sobre flores preferidas. Ela achava ser quase “pecado” ter preferência por esta ou aquela, pois se são todas tão belas!A Rosita pode até estar certa, mas eu tenho as minhas preferidas!
Das flores, prefiro as silvestres. As que nascem sem ser semeadas, livres, que lançam cores e exalam perfumes em jardins espontâneos, talvez por isso os mais belos. Das que nascem em locais pouco previsíveis, e que quando as olhamos, nos fazem ter a certeza, que o impossível não existe! Gosto de malmequeres amarelos, e se misturados com papoilas, a combinação é sublime.
E de miosótis, já olharam bem os miosótis quando estão juntinhos? Não parecem mesmo pedacinhos de céu?! E as rosas Silvestres? As rosas que coloriam e perfumavam a minha varanda durante todo o verão. Essas sim, são as minhas preferidas! E porque de rosas silvestres, sei de um texto encantador, dessa maravilhosa escritora, que é, Clarisse Lispector, vou aqui partilhá-lo:
“Só esta expressão rosas silvestres já me faz aspirar o ar como se o mundo fosse uma rosa crua. Tenho uma grande amiga que me manda de quando em quando rosas silvestres. E o perfume delas, meu Deus, me dá ânimo para respirar e viver.
As rosas silvestres têm um mistério dos mais estranhos e delicados: à medida que vão envelhecendo vão perfumando mais. Quando estão à morte, já amarelando, o perfume fica forte e adocicado, e lembra as perfumadas noites de lua de Recife. Quando finalmente morrem, quando estão mortas, mortas----aí então, como uma flor renascida no berço da terra, é que o perfume que se exala delas me embriaga. Estão mortas, feias, em vez de brancas ficam amarronadas. Mas como jogá-las fora se mortas, elas têm a alma viva? Resolvia situação das rosas silvestres mortas, despetalando-as e espalhando as pétalas perfumadas na minha gaveta de roupa.
Da última vez que minha amiga me mandou rosas silvestres, quando estas estavam morrendo e ficando mais perfumadas ainda, eu disse para meus filhos:
- Era assim que eu queria morrer: perfumando de amor.
Morta e exalando a alma viva.
Esqueci de dizer que as rosas silvestres são de planta trepadeira e nascem várias no mesmo galho. Rosas silvestres, eu vos amo. Diariamente morro por vosso perfume.”
Como na canção de Jobim...da praia, Teresa sou.
Mulher,Mãe,Educadora de Infância,de criança em campo lavrado,de adolescência em montanha subida, de adulta em cidade emparedada.
Marítima d'alma, quer em vento que se "alevanta", quer em onda mansa que se espraia.