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domingo, 19 de dezembro de 2010

Rio cheio de Lua





Uma vez li qualquer coisa parecida com,” há lugares que são como os livros e canções”. Talvez seja por isso que estou
sempre a voltar ao rio. Tal como fiz ontem.

Queria estar longe deste Natal que nunca foi o meu, de toda esta gente que de loja em loja anda feliz comprando mais uma inutilidade. Às vezes acho que também me apetecia ser assim, andar pela rua feliz e contente fazer de conta que ninguém dorme na rua, que todos têm aquilo a que têm direito!


Mas que chatice ”tenho ouvidos e vejo” por isso sei que o natal está muito, muito longe daqui! E fico tão triste! Talvez
eu esteja só cansada, viver não é tarefa fácil e cansa... Por isso fugi para o rio em busca de alguma serenidade.


A tarde estava cheiinha de sol, não fosse o vento frio e ninguém
diria estarmos em Dezembro. Não estivesse já a noite a tomar a tarde e ter-me-ia metido num dos barcos, é tão bonita a cidade vista do rio.


Mas não, fiquei à margem...
Não sei quanto tempo ali fiquei porque de repente o rio encheu-se de lua.

Uma lua encantada e misteriosa...

domingo, 21 de novembro de 2010

Rio com estados d'alma



Sempre que chovia ou fazia frio estava proibida de descer até ao jardim.

Hoje e respeitando a vontade dos adultos da casa limitar-se-ia a ver o mundo da janela. Logo hoje que o Avô não estava em casa, como conseguiria pôr o pé na rua sem ficar de castigo?! E tanto que lhe apetecia sentir o vento no rosto, ouvir a doce canção da chuva…

Pegou no casaco, talvez conseguisse sair sem ninguém dar conta, os adultos estavam sempre muito ocupados nos seus diversos afazeres, ninguém daria pela sua falta!

Adorava embrulhar-se de vento e chuva! Descer até ao rio e ficar ali quietinha… na margem. Acho que tentava ler a alma ao rio. Um dia o Sr. Belmiro, o barqueiro dissera-lhe, que o rio é como as pessoas, tem humores. Às vezes não está para brincadeiras! Podia até ser verdade, mas a única coisa que lhe interessava era o seu estado de alma depois de estar ali. Sereníssima.

De repente lembrou-se que tinha de voltar para casa. Talvez que ficar de castigo fosse já inevitável. Ao entrar em casa deu de caras com a Ana;

-Credo, Menina! Se a sua Mãezinha a vê nesse estado não sai do quarto durante uma semana!

Desta vez estava safa, a Ana não diria nada a ninguém era uma querida em tantas outras vezes tinha já sido sua cúmplice, e nunca precisava explicar-lhe nada. Tanto mais que agora se ficasse de castigo já conseguiria olhar o dia da janela. Agora que já tinha sentido a chuva e o vento e tinha até falado com o rio.


terça-feira, 6 de abril de 2010


O rio e a minha varanda

Adoro acordar ao som de uma “cantata para pássaros.”

Quando menina, a Avó abria a janela para deixar entra a luz do sol. E eu deixava-me ficar toda enroscadinha a ouvir o canto dos pássaros, tentando adivinhar o que diziam.

Tanta chilreada, só poderia querer dizer que estavam a preparar uma grande festa, onde contariam uns aos outros histórias das suas maravilhosas viagens.
Falariam da grande Muralha da China, das densas florestas que tinham sobrevoado, das cidades cheias de luz…

Já acordadinha, corria para a varanda do quarto para dizer bom dia ao rio. Ao rio Douro, que em todo o seu esplendor se estendia ali perante os meus olhos e a minha varanda.
Varanda, que às vezes virava barco e me levava a correr mundo…
E era tão bom, ficar ali, a ver os raios de sol entrar na água, os peixes a saltar…

E nas noites de Verão, antes de adormecer, a Avó ficava comigo na varanda a ver as estrelas. Contava-me a história de uma princesa que quando estava zangada consigo e com o mundo, subia até às estrelas, e ali se deixava ficar, gritando e fazendo caretas, para depois voltar á Terra alegre e bem-disposta.
Eu própria já experimentei, fazer como a tal princesa. Quando estou zangada com tudo e com todos, vou até às estrelas e juro que venho de lá muito melhor!
Ou então naqueles dias em que queremos o céu só para nós. É tão bom viajar até às estrelas, ficar aconchegadinha numa das suas pontas e voltar só quando apetecer!

Porque será que as Avós têm sempre razão?