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quarta-feira, 23 de maio de 2012

"HISTÓRIAS QUE VOAM"





Esta é uma história menos feliz.

Os meninos sabem que as histórias por vezes não acabam bem. Quer dizer, tão bem como desejaríamos. E na história que agora vou contar nem a varinha da fada Florência conseguiu reunir a magia suficiente para que no final da história pudéssemos dizer; “ E foram felizes para sempre!”

Estavam os meninos do quarto ano no recreio da tarde e eu no fim da atividade letiva preparava-me para sair. Quando o Pedro e o Rafael me entram aos gritos na sala.

- Professora! Tem de vir imediatamente ao recreio! Está um pássaro bebé no chão! Deve ter caído do ninho. Por favor, venha ajudá-lo! Dizia o Rafael empurrando-me à sua frente!

Quando cheguei ao recreio a Carolina já estava com o passarinho na mão.

- Coitadinho está a abrir a boca! Temos de dar-lhe água e “minhocas”. Dizia.

Os pequenos gritavam todos ao mesmo tempo e até já tinham tirado o ninho do arbusto, ninho onde se encontravam mais duas pequenas criaturinhas que abriam igualmente o bico.

Já com todos sossegados, disse-lhes que não deviam ter tirado o ninho do lugar. Tal como as pessoas, os pássaros não gostam que lhes devassem a casa! E quanto a alimentar os pequenos pássaros isso era tarefa dos Pais.

Coloquei o ninho no lugar sabendo de antemão o que iria passar-se…

Hoje pela manhã contei o que se tinha passado aos meus meninos. Antes de irmos ver o que se passava preparei-os para o pior.

Tal como previ no ninho estava um passarinho sem vida. Mas se eram três?

Logo a Margarida sugeriu que a mãe deve ter levado os dois para outro ninho e aquele como caiu estava ferido, morreu! 

Os meninos estavam tristes. O Rodrigo tinha o ninho na mão e olhando para o pássaro disse:
- Ele não estava vestido e morreu de frio! O ninho não tem tampa!

- Os ninhos não têm tampa! Agora era o Pedro que falava. Morreu à fome e ao frio! Agora temos de fazer o funeral!

E antes que eu tivesse tido tempo de dizer fosse o que fosse, fizeram debaixo do arbusto uma cama de folhas onde colocaram o pássaro que taparam com outras folhas!

A Rita e a Raquel procuraram flores que depositaram em cima das folhas.

O ninho estava vazio e os pequenos admiravam a forma como estava feito.

Levamo-lo para a sala. Agora que mais nenhum pássaro iria morar nele.

A Raquel colocou-o em cima da mesa e disse que ia desenhá-lo. Alguns dos colegas resolveram imitá-la e começaram a sair do papel pássaros coloridos vindos igualmente de ninhos cheios de cor. Que voavam cada vez mais alto, tão alto como só os pássaros sabem!

E assim termina a história dos “PÁSSAROS QUE NUNCA SAIRAM DO NINHO MAS QUE VOARAM MUITO E PARA MUITO LONGE!”



quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

HISTÓRIA PARA CONTAR QUE OS MENINOS RESOLVERAM MUDAR

Raquel

A história que eu tinha para contar, era sobre um reino onde havia um príncipe que procurava uma princesa diferente. Segundo este a princesa teria de,”ser mais bela que as estrelas que vestem a noite, mais doce que a água que murmura nas fontes da Andaluzia e mais terna que a brisa que sopra nas serras de Portugal.” Posso já adiantar que o pobre do príncipe não teve a tarefa nada facilitada, pois só lhe apareciam princesas pouco interessantes e muito interesseiras! Mas sua alteza real era persistente e consistente na sua procura e apesar de todos lhe dizerem que a dita princesa, a sua, não existia, não desistiu de procurá-la e claro está acabou por encontrá-la e consta que viveram felizes para sempre!

Se querem saber pormenores podem lê-la na íntegra no livro, “Histórias para contar em Noites de Luar” do escritor, José Fanha.

Porque a história que vou contar agora é um bocadinho diferente da imaginada pelo autor do livro. Só porque os meninos resolveram mudá-la.

Quando pedi que fizessem o registo da história para que depois cada um a lesse ao grupo, o Rodrigo fez a pergunta que mudaria toda a história:

-Onde está o cavalo do príncipe?

Ninguém se lembrava de ter ouvido falar do cavalo do príncipe em nenhuma parte da história. Eu própria confesso que reli a história à procura do cavalo…

E não, a história não falava que o príncipe ia a cavalo. Mas os meninos decidiram que sim. É que para eles príncipe que é príncipe tem de ter um cavalo. Sem ele nunca conseguiria salvar a princesa, que é verdade não estava em apuros mas passou a estar. Não fosse ter entrado também na história um gigante que se apaixonou por ela e a aprisionou nas masmorras do castelo…

E quando tudo levava a crer que o príncipe salvaria a princesa e a cavalo rumariam ao castelo deste e viveriam então por muitos e bons anos, felizes…

A Raquel decidiu que desta vez quem estava em apuros era o príncipe e quem o salvaria seria naturalmente a princesa! Os rapazes diziam que não! As princesas não sabem lutar, nem têm roupa de luta?! Mas a Bruna foi adiantando que," já há príncipes que sabem cozinhar e varrer e princesas que estão no computador"! Mas se os argumentos das meninas não convenciam os rapazes estas não se davam por vencidas.

O Pedro propôs que votassem como fazem para escolher os chefes da semana (dois meninos eleitos por todos e que na semana em que são eleitos têm de assegurar o bom funcionamento da sala), esquecendo-se que as meninas estão em maior número e como aqui na sala a democracia ainda é o que era, quem é salvo é o príncipe, mas o importante é que tal como na história de onde saiu esta história, também viveram felizes para sempre!

Miguel

sexta-feira, 20 de maio de 2011

"Meninos Coração de Pássaro"


Já aqui disse sobre os fascínios da minha profissão e não me canso de dizer. É que no jardim-de-infância não há dias diários, os meninos têm o poder de inventar inesperados a cada momento, fazendo perguntas, observações raras e tecendo sobre as mesmas conclusões muito próprias.

Os inesperados são quase sempre a melhor parte do dia. Adoro quando o que planificamos no dia anterior é imediatamente (des) planificado, só porque surgiu algo mais interessante ou que simplesmente nos faz mais felizes.

Como hoje pela tarde. Acabávamos de entrar na sala depois do almoço quando um dos meninos gritou:

-Professora! Está ali um passarinho!

Pela porta ainda aberta da sala, vi a professora Xana e nossa Joana tentando apanhar um pardalinho que voava pelo corredor. Assustado, procurava a saída e na ausência de portas ou janelas abertas atirava-se insistentemente contra os vidros, até que ao ver a porta da sala aberta entrou e foi pousar imaginem no teclado do computador! Parou para descansar do medo, segundo os meninos. Com muito cuidado para não o magoar conseguimos apanhá-lo. Era mesmo pequenino e” tremia de susto”; segundo o Edgar.

Todos chegaram rapidamente à conclusão que a casa do passarinho era nas árvores frente à janela da nossa sala e sem mais demoras saímos para o recreio para o devolver à família, pois a mãe dele devia estar já muito aflita, como muito bem referiu a Bruna.

Mal abri a mão o pequeno pássaro voou com quantas asas tinha, mas não tardou a pousar na rede que separa o recreio da árvore sua casa como que para agradecer…

Claro que ninguém quis voltar para a sala sem descobrir onde era a casa do pardalinho…

E não é que a descobrimos!

Eu fui quem a viu melhor, subi à árvore. Os meninos queriam ver mais de perto, mas a árvore não oferecia segurança, com muita pena minha e deles. Pensei como seria fantástico vê-los trepar pela árvore…

Talvez num outro dia, numa outra árvore…

É que já algum tempo que quero trabalhar um projecto que irá chamar-se;

As vantagens de subir às árvores!

E o nosso amigo pássaro? Olhava-nos baloiçando num fio de electricidade. E talvez pensasse, que bom é ter meninos felizes e com “coração de pássaro”!



sexta-feira, 29 de abril de 2011

“ O Bando Da LIBERDADE”


Aqui na sala já todos sabemos que podemos ser o que quisermos, sempre que quisermos, basta ter muita vontade de ser.

Por isso ninguém estranhou quando numa destas manhãs, o pato da quinta aqui do lado voou por cima da rede e veio cair direitinho no nosso recreio. Tanto mais que também foi assim que travamos conhecimento com o nosso amigo galo Chico.

- Talvez ele queira vir para a escola, disse a Bruna.

-Ele deve querer ser pássaro, mas não consegue voar porque é gordo, continuou o Afonso.

- Os patos da selva voam muito alto. Desta vez era o Gonçalo quem falava.

-Na selva não há patos. Continuou o Afonso.

A discussão foi interrompida, porque o que importava agora era ajudar o nosso amigo pato a encontrar o caminho de volta à quinta.

Os meninos prometeram ficar quietos para não assustar o nosso amigo, mas já se sabe que todos queriam ajudar e o pobre do pato corria desesperado por todo o recreio. Por fim lá conseguimos apanhá-lo, mas devo dizer que o pato era mesmo especial, deu muita luta e mesmo depois de o termos agarrado não se dava por vencido, tentou até dar-me uma bicada. Claro que foi antes de ter percebido que só queríamos ajudar! Abrimos o portão do recreio e o pato foi devolvido à Liberdade. Ou não.

Já na sala os meninos pareciam ter esquecido a discussão anterior, mas eu é que não ia perder a oportunidade de brincar de pensar… e sempre que vamos pensar, os meninos sabem que há sempre um livro que pode ajudar a pensar melhor e a nunca mais acabar de pensar, ou a pensar até “fazer fumo”, expressão que usamos na sala e que só quer dizer: por agora estou satisfeito com as respostas.

Escolhi o livro,” O Voo do Golfinho “, uma história maravilhosa de, Ondjaki, ilustrada brilhantemente por, Danuta Wojciechowska.

Um golfinho que cresceu no mar, que fazia tudo o que faz um golfinho, mas que um dia sonhou ser pássaro e já se sabe que quando sonhamos com muita força, transformamo-nos mesmo em pássaro, num bando de pássaros livres só porque nos apeteceu sonhar…

Talvez o nosso amigo pato tivesse sonhado simplesmente ser pássaro ou descoberto que o seu quintal era pequeno demais para os voos que tinha em mente!

domingo, 30 de janeiro de 2011

O Recreio da Escola da Praia


Miró

Esta é uma história pequenina. Passada numa escola também ela pequenina de uma aldeia ainda mais pequenina de um País também ele pequenino chamado Portugal.

A escola pequenina de que falo ficava mesmo ao pé da praia por isso, era por todos conhecida como, a escola da praia. Assim à primeira vista, a escola da praia era igual a todas as escolas, tinha tudo o que era preciso para ser uma escola, meninos, porque sem meninos a escola não existe. E um enorme recreio, sim, a escola era pequenina, mas tinha um enorme recreio, com um enorme Plátano. Para quem não sabe ou porventura já esqueceu, o recreio é o sítio da escola que os meninos gostam mais, os meninos e alguns professores também.

Senão vejamos, onde podemos dar a melhor aula sobre a vida das formigas? No recreio. Qual é o melhor lugar da escola para trabalhar as regras de socialização, a meteorologia, a intensidade do vento, o clima, as cores, os cheiros, os sons…

Qual o lugar da escola com melhor luz para ler, para pintar? Claro, o recreio.

No recreio desta escola por detrás das roseiras que cobrem os canteiros vive uma família de gnomos, um esquilo que adora comer o pão que o padeiro deixa no portão para o pequeno-almoço dos meninos. Uma família de minhocas, abelhas, borboletas, caracóis que deslizam por entre as folhas sobretudo quando chove, como todos sabem os caracóis são grandes apreciadores de passeios à chuva, muitos pássaros, principalmente chapins e gaivotas ou não fosse esta a escola da praia.

Há também um muro onde vivem imensas lagartixas, é assim como uma espécie de condomínio. Os meninos já sabem que durante o Inverno, as lagartixas ficam a dormir, pois detestam frio…

Mas para perceber melhor as estações do ano, basta observar o plátano que fica mesmo no centro do recreio. Quando começam as aulas, as suas folhas ainda estão bem verdinhas e seguras. Aos poucos vão ficando castanhas e chega o dia em que se transformam em pedacinhos de ouro esvoaçando e caindo sobre o chão. Outro dia, olhamos, e o plátano “está careca”. Sabemos que o Inverno está à porta, mas em breve a Primavera se encarregará de voltar a cobrir de folhas os seus ramos, para que nos dias de calor os meninos e os professores que acham o recreio o melhor sítio da escola, possam saborear a fresca sombra. Mas o que o plátano mais gosta é de ver os meninos pendurados nos seus ramos, porque como os meninos o plátano sabe que só do alto dos seus ramos podemos agarrar o vento, tocar o céu, ver melhor o mar…

O recreio da escola da praia é mesmo um lugar maravilhoso. Como de resto são os recreios de todas as escolas. Basta só aproveitar tudo o que oferecem!