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sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

JANELA COM VISTA PARA O SILÊNCIO




No recreio ocupam agora os pássaros o lugar dos meninos.

Por entre os galhos despidos das árvores é vê-los saltitar, num silêncio de asas e chilreios…

O silêncio não tem hoje gritos e risos de meninos, só o das árvores vestidas de pássaros, do orvalho que acaba de acordar e se espreguiça preguiçoso no corpo das ervas…

E há também um silêncio de vento que faz tilintar os sinos da coroa que os meninos colocaram na porta da escola antes de deixarem o recreio entregue aos pássaros.

Dentro da sala não há silêncios de olhos curiosos nem sorrisos solares por isso, a professora debruça-se agora nos silêncios dos fios de fumo que saem das chaminés das casas e que parecem tecer cachecóis que as árvores enregeladas vão pondo ao pescoço…

 Não tarda que se oiçam todos os silêncios com que o inverno há-de cobrir o recreio… até que o silêncio volte a ter gritos e risos de meninos



domingo, 1 de setembro de 2013

QUANDO O AZUL É A COR DO SILÊNCIO





Sabia de cor as horas em que o silêncio ocupava a praia. Conhecia-lhe os lugares, as formas e as cores.

Preferia as primeiras horas da manhã para chegar mais perto dos silêncios da praia…

Hoje o azul era a cor do silêncio.

Pensando melhor…

Ao azul vinha juntar-se o verde, o castanho, o vermelho de todas as algas. O branco rendado das ondas, as cores da brisa que solfeja o mar, as pedrinhas e conchas multicolores que a maré vai polindo e o cinza das rochas nevadas de gaivotas.

Gaivotas…

A esta hora eram aos milhares na praia. Sem querer, lembrou o que Ana lhe contara acerca destas. Ana tinha uma teoria maravilhosa sobre as gaivotas. Segundo ela, ao crepúsculo todas mergulhavam no mar transformando-se em pássaros de água transparente que só os olhos dos peixes conseguem ver. Já pela manhã emergiam das águas para povoar os céus e os sonhos de quem sabe o que fazer com o infinito. Ela acreditava piamente na teoria de Ana. Principalmente quando desaprendia de voar!

Na sua praia não havia silêncios difíceis de descobrir. Tudo era líquido, risonho, fácil de alcançar e AZUL!